Em dia de testes aerodinâmicos, MotoGP vê equilíbrio de forças. Mas Yamaha se destaca e acerta ao ‘voltar para 2016’

Em um dia onde as fábricas exibiram novidades aerodinâmicas, a MotoGP voltou a mostrar que o equilíbrio de forças prevalece. Dominante com Maverick Viñales e Valentino Rossi, a Yamaha desfilou o acerto que foi voltar à base do protótipo de 2016

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A pré-temporada 2018 da MotoGP segue a pleno vapor. No segundo dia de atividades em Sepang, os pilotos puderam contar com a pista majoritariamente seca e aproveitaram para provar uma gama de novos componentes, inclusive em termos aerodinâmicos.
 
Desde a proibição ao uso das asas, as fábricas buscam soluções para compensar a ausência do recurso. Nesta segunda (29), Honda e Yamaha deram para seus titulares a chance de testar os novos itens aerodinâmicos. E a avaliação foi bastante positiva.
Maverick Viñales testou o novo pacote aerodinâmico da Yamaha (Foto: Michelin)
Nos instantes finais da sessão, Maverick Viñales voltou para a pista ― até mesmo depois de conversar com os jornalistas ― para um último ataque à tabela de tempos e garantiu a liderança da sessão ao cravar 1min59s355, superando Valentino Rossi por apenas 0s035. O terceiro posto ficou com Cal Crutchlow, com Jorge Lorenzo e Jack Miller aparecendo para fechar o top-5. Campeão vigente, Marc Márquez foi apenas sétimo, atrás de Johann Zarco. Andrea Dovizioso, Danilo Petrucci e Andrea Iannone fecham o rol dos dez mais rápidos.
 

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“Acho que vamos usar [a carenagem aerodinâmica] em alguns circuitos. Ela nos dá alguns pontos positivos na aceleração. Em pistas como Le Mans, onde você pode ter muito wheelie, pode ser útil”, comentou Viñales.
 
Márquez também se mostrou satisfeito com a carenagem aerodinâmica, mas admitiu a preocupação com o desgaste do pneu dianteiro.
 
“A moto é mais estável em aceleração, mas fica mais pesada e menos manejável em mudanças de direção”, apontou o #93. “Amanhã vamos fazer mais testes, mas, no momento, estou contente com o nível alcançado. Em uma volta, posso controlar, mas me preocupa que desgaste muito o pneu dianteiro”, frisou.
 
Além das novidades aerodinâmicas, também chamou atenção neste segundo dia a proximidade entre os pilotos. Os 14 primeiros colocados ficaram dentro do mesmo segundo, com 2s4 separando todos eles.
 
Embora, assim como aconteceu no primeiro dia, os tempos não sejam lá uma fonte das mais produtivas de informação, esses dois dias de testes já servem para mostrar que a Yamaha conseguiu reencontrar seu caminho ao voltar ao passado. A casa de Iwata ‘abandonou’ a YZR-M1 do ano passado e usou o protótipo de 2016 como base para a máquina deste ano. O que parece ter sido um acerto e tanto.
Valentino Rossi se mostrou bem satisfeito com a performance da M1 (Foto: michelin)
Ao que tido indica, a marca dos três diapasões conseguiu se livrar do excessivo desgaste dos pneus que marcou sua performance na temporada passada. “A melhor coisa é que fiz uma sequência de 20 voltas em boa forma ― consistente e forçando bastante até o fim”, disse Viñales. “Agora nós precisamos trabalhar na eletrônica, para tornar a potência suave e mais linear, para poupar o pneu traseiro quando estamos muito rápidos”, explicou.
 
Rossi, por sua vez, também ficou satisfeito com o ritmo, ainda mais pelo fato de conseguir encontrar bons tempos facilmente. “Estamos contentes, porque temos um bom ritmo em long-runs e um bom rendimento em uma volta. O que mais me satisfaz é a facilidade com que sou rápido. Estou sempre ali”, comentou. “O desgaste do pneu traseiro foi o principal problema do ano passado e a primeira impressão é boa”, seguiu.
 
Mesmo assim, Rossi sabe que não terá vida fácil em 2018, também por conta da performance de Viñales. “A moto está melhor, mas Viñales também. Isso é o que acontece nas equipes oficiais. Assim, se tiver de lutar contra ele, o farei”, avisou.
 
Quem também encerrou o dia satisfeito foi Márquez. Apesar do sétimo posto e de uma queda no fim da sessão, o #93 celebrou o bom material que recebeu da Honda. “Estou muito contente. Voltei a desfrutar com a moto. Seguramente, foi um dia positivo. Selecionamos melhor o material que tínhamos à disposição e, ao meio dia, já pudemos juntar tudo que tínhamos gostado. Fiz meu melhor tempo quando estava mais quente. A partir de então, pude rodar com bom ritmo e bons tempos, mas esperei demais para colocar pneus macios novos”, avaliou. 
Marc Márquez também avaliou as novidades da Honda (Foto: Michelin)
Nesse primeiro momento, no entanto, a prioridade nos boxes laranjas é definir qual motor será utilizado em 2018.
 
“Temos de trabalhar nos dois motores. Dizendo de maneira simples: podemos dizer que um aperta mais. Parece que esse vai melhor, mas temos de estar atentos. Tem alguma coisa que eu não gosto por conta do meu estilo de pilotagem”, relatou. “Não têm muitas pistas no Mundial com essas características. Teremos de escolher antes do teste do Catar, sabendo que a pista da Tailândia será uma em que o motor mais potente pode parecer melhor. Em resumo, temos de estar atentos para escolher o caminho adequado. Estamos concentrados em escolher isso antes do que o chassi, porque o prazo se encerra antes”, detalhou.
 

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Líder do primeiro dia, Dani Pedrosa caiu para a 12ª colocação, mas nem por isso deixou de ficar satisfeito.
 
“Hoje nós tivemos sessão o dia todo, o que nos permitiu fazer muitos testes. Nós usamos principalmente a nova especificação de motor, e trabalhamos bastante com a nova carenagem e outras combinações com a aerodinâmica. Nós também trabalhamos com a suspensão e com os pneus, porque com este tipo de trabalho, você tem de fazer muitos ajustes no acerto”, contou o #26. “Alguns aspectos foram bons de imediato ― o controle de wheelie foi melhor e conseguimos aplicar mais torque na saída de curva ―, mas nós precisamos melhorar outros aspectos e também testar mais uma vez em uma pista diferente. De qualquer forma, a sensação foi, no geral, mais uma vez positiva”, disse.
 
Trabalhando com três motos em Sepang, Cal Crutchlow destacou que a Honda tem um objetivo claro: “tornar a moto mais fácil de guiar”. “Até aqui, os tempo de volta estão vindo até que facilmente, o que é bom”.
 
Para o último dia de testes na Malásia, as simulações de corrida devem fazer parte do cronograma, mas não para todo mundo. Crutchlow entende que esse tipo de trabalho revela detalhes demais à concorrência, enquanto Rossi acredita que não está com uma forma boa o bastante para isso. “Neste inverno, eu pude me preparar fisicamente bem e cheguei ao primeiro teste melhor do que no ano passado. Mas ainda não estou no máximo, principalmente no que é relativo à respiração, porque a perna me impede de correr”, completou.

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