Bagnaia vê pilotos “no mesmo barco” com Ducati “que se comporta de forma inesperada”

Francesco Bagnaia explicou que, diferente do ano passado, quando ele e Marc Márquez tinham sensações diferentes com a moto da Ducati, desta vez, todos os pilotos têm os mesmos comentários sobre a GP26

Francesco Bagnaia afirmou que a GP26 está se comportando de “maneira inesperada” na temporada 2026 da MotoGP. O italiano apontou que os pilotos estão no “mesmo barco”, uma vez que os comentários sobre o desempenho da moto são os mesmos entre o quarteto que usa a moto deste ano da Ducati.

Dominante nas últimas temporadas da MotoGP, a Ducati teve um começo de ano mais difícil e foi ofuscada pela Aprilia, que venceu os primeiros três GPs do ano com Marco Bezzecchi. A casa de Noale lidera o Mundial de Construtores com 101 pontos, 32 a mais do que a rival de Borgo Panigale, que tem a segunda colocação.

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Confiante de que pode dar a volta por cima, a Ducati aproveitou a pausa resultante do adiamento do GP do Catar para tentar encontrar soluções.

“Como pilotos, nós sabemos o que pedir aos engenheiros e onde melhorar a moto, mas é também difícil para os engenheiros desenvolver rapidamente algo que funcione de maneiras inesperadas”, disse Bagnaia. “Sei, com certeza, que a Ducati começou a trabalhar duro na GP26 para adaptá-la melhor ao estilo de pilotagem dos pilotos e para ver se podemos dar um passo à frente nesta pista, mas, no que me diz respeito, foi apenas uma questão de treinar intensamente”, seguiu.

Francesco Bagnaia destacou os problemas da GP26 (Foto: Ducati)

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“Mal podia esperar para voltar à pista. Também por que, por mais legal que fosse treinar com a Ohvale ou com a moto de flat-track, aqui é ainda melhor. Fora isso, é duro estar na academia todo dia. É melhor aqui!”, defendeu.

Diferente de muitos, Pecco não acredita que o campeonato comece efetivamente neste fim de semana, com o início da temporada europeia.

“Não sei quem diz isso, mas não é verdade: estamos na quarta corrida e o campeonato mundial começa na primeira”, disparou.

Questionado se é mais confortante saber que existe performance na moto ou mais preocupante que falte desempenho em algumas situações, Bagnaia respondeu: “É difícil, pois, nas primeiras três corridas, nós fomos bem durante todo o fim de semana, mas sempre cometi erros na classificação e me vi atrás. Mas, no geral, fomos competitivos até sábado e terminamos quase sempre no top-5 nas sessões. No ano passado, por outro lado, quase nunca foi assim. Então você vai para a corrida esperando ir bem e, durante a corrida, começa a perder performance. Isso é realmente a coisa mais difícil de entender e de trabalhar”.

“Acho que nas últimas três semanas, a Ducati fez muitas análises para tentar entender o que fazer e, mesmo que as coisas não estejam claras, vamos tentar alguma coisa aqui”, garantiu.

Perguntado se identificou os problemas que teve nas primeiras três corridas da temporada, Pecco respondeu: “Não, mas os dados claramente mostram que a moto está se comportado de maneira inesperada. Teve uma perda significativa de aderência durante a corrida de domingo, e é estranho, porque fiz muitas voltas na sexta-feira mantendo um ritmo muito consistente, mas na corrida eu destruí o pneu traseiro depois de oito voltas. É algo que precisamos entender, e acho que eles começaram a pensar em algo diferente para este fim de semana”.

Ainda, Bagnaia apontou as diferenças entre as motos do ano passado e a GP26.

“Sinto que a dianteira está mais plantada no chão, enquanto a do ano passado era mais suave. É difícil explicar adequadamente. Vamos dizer que você não sentia a frente, mas neste ano a frente é mais honesta e você sente melhor o que ela pede de você e o quão forte pode forçar”, apontou. “Uma coisa que eu reclamei com frequência no ano passado era que eu podia fazer uma volta muito lenta e uma volta muito rápida e chegar ao primeiro setor 0s2 mais rápido sem saber o motivo, pois eu não sentia o limite: parecia que eu estava forçando bastante, mas, na realidade, eu estava fazendo a mesma volta de antes. Este ano, no entanto, se eu forço, eu baixo o tempo. O feedback do pneu dianteiro é mais preciso, e você sente o limite mais claramente”, comparou.

“O único problema para mim é a corrida de domingo. Até ali, tudo funciona de determinada maneira. Você pode se adaptar e tudo vai bem. Está claro que o DNA da moto dos últimos dois anos não é o ideal para mim, mas, este ano, posso me adaptar um pouco melhor”, considerou. “Na corrida de domingo, porém, é algo diferente. Talvez seja resíduo da borracha Pirelli, não sei, e eu começo a sofrer bastante”, acrescentou.

Por fim, Pecco destacou que, diferente do ano passado, desta vez ele e Marc Márquez têm comentários bastante similares sobre a moto.

“No ano passado eu tinha um pouco de dificuldade, enquanto ele estava na lua e absolutamente encantado com a moto. Este ano, não parece ser assim. Os nossos comentários são mais similares. Até mesmo Álex, que foi muito competitivo no não passado, agora está com muita dificuldade. No momento, estamos todos basicamente no mesmo barco. É por isso que estamos trabalhando juntos para melhorar”, contou. “Ano passado, eu estava reclamando as mesmas coisas que [Fabio] Di Giannantonio. Álex Márquez tinha a GP24, que é uma moto que ainda venceria hoje sem nenhum problema, enquanto Marc estava indo muito bem, sem reclamar dos problemas que eu tive até a Indonésia. Aí ele começou a sofrer com eles também antes do que aconteceu. Ele estava realmente com dificuldades naquele fim de semana na Indonésia”, lembrou.

“Este ano, entretanto, nós todos temos mais ou menos o mesmo feeling. Di Giannantonio está indo um pouco melhor. Ele se adaptou bem à moto e a estabilidade o ajudou a melhorar. Em relação a Marc e Alex, eles estão com mais dificuldades, pois esta moto é difícil de parar. É o tipo de problema que tive no ano passado, e, depois de um ano constantemente tentando, no fim você tenta colocar de lado aquilo que tinha ― que, definitivamente, era melhor ― e trabalhar com aquilo que tem”, falou Pecco. “De qualquer forma, estamos todos trabalhando juntos para tentar entender o que fazer. Conversamos várias vezes em Austin e em Goiânia para entender claramente o que pedir para a Ducati enquanto seguimos a mesma direção. Estamos tentando fazer isso”, encerrou.

A MotoGP volta a acelerar entre os dias 24 e 26 de abril, para o GP da Espanha, direto de Jerez, para a 4ª etapa da temporada 2026. O GRANDE PRÊMIO faz a cobertura completa do evento, assim como das demais classes do Mundial de Motovelocidade.

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