Guia MotoGP 2015: Moto3 perde astros para categorias maiores, mas vê chegada de novo prodígio
Após perder Álex Márquez, Álex Rins e Jack Miller para as classes maiores, Moto3 abre 2015 renovada com a chegada de 11 debutantes. Bicampeão do CEV (Campeonato Espanhol de Velocidade), Fabio Quartararo é o foco de todos os holofotes
TRANQUILAMENTE A CATEGORIA MAIS DISPUTADA do Mundial de Motovelocidade, a Moto3 abre 2015 um tanto desfalcada, já que algumas das estrelas da temporada passada — Álex Márquez, Jack Miller e Álex Rins — deixaram a divisão inicial para darem passos maiores no certame.
Mesmo sem seus antigos protagonistas, a categoria menor do campeonato não tem com que se preocupar, já que continua com um grid forte, contando com pilotos como Éfren Vázquez, Danny Kent, Miguel Oliveira, Romano Fenati e Enea Bastianini.

Fabio Quartararo já chega ao Mundial sendo comparado com Marc Márquez (Foto: Repsol)
Além disso, a Moto3 verá a estreia de 11 jovens promessas — María Herrera, Fabio Quartararo, Remy Gardner, Tatsuki Suzuki, Jorge Navarro, Stefano Manzi, Andrea Migno, Gabriel Rodrigo, Darryn Binder, Hiroki Ono e Jorge Martín.
Em termos de regulamento, o campeonato segue com o mesmo código do ano passado, com uma pequena mudança no que diz respeito à investigação de eventuais incidentes — a partir de agora, o piloto não mais precisa ser ouvido pela direção de prova antes de imposição de uma pena pequena (multa de €1 mil e perda de até três posições no grid).
Além da já tradicional briga entre Honda e KTM, a disputa pelo Mundial de Construtores novamente contará com a Mahindra, mas em uma condição um pouquinho diferente do ano passado. Depois de operar sua própria estrutura em 2014, a marca indiana optou por juntar forças com a Aspar, que vai colocar Francesco Bagnaia, Juanfran Guevara e Jorge Martín a bordo da MGP 30.
A disputa entre as fábricas também contará com a Husqvarna, que deixou a Ajo para se juntar à LaGlisse, equipe campeã com Maverick Viñales em 2013. Desta vez, o time agora gerenciado por Gelete Nieto será representado por Isaac Viñales e María Herrera.
No total, serão 12 pilotos equipados com a NSF250RW da marca da asa dourada, 11 com a austríaca RC250GP, dois com Husqvarna e outros nove de Mahindra, totalizando 34 inscritos.
Outra novidade para 2015 é a estreia da equipe RBA, de Aleix Espargaró. O time do piloto da Suzuki na MotoGP será representado pelo argentino Gabriel Rodrigo, pelo finlandês Niklas Ajo e pela espanhola Ana Carrasco.
Mais mulheres

Ana Carrasco e María Herrera serão as duas únicas mulheres no grid da Moto3 (Foto: Repsol)
A temporada 2015 também verá a Moto3 indo na contramão da concorrência e tirando as mulheres do papel de coadjuvantes. Começando no GP do Catar, Ana Carrasco e María Herrera chegam para marcar o único grid com presença feminina no Mundial de Motovelocidade.
Carrasco não é nenhuma novata no certame. A jovem de 18 anos chegou ao Mundial em 2013, vestindo as cores da LaGlisse, mas precisou abandonar o campeonato na reta final de 2014 após ficar sem dinheiro para manter seu posto na RW.
Para este ano, Ana, que tem como melhor resultado no campeonato um oitavo posto no GP da Comunidade Valenciana de 2013, volta à Moto3 pelas mãos de Aleix Espargaró, que estreia sua própria equipe, a RBA, nesta temporada.
Nos testes de inverno, a espanhola sofreu uma queda no piso molhado de Jerez e fraturou a clavícula. Ainda não se sabe, entretanto, se Ana conseguirá alinhar no grid de Losail, já que a companheira de Rodrigo e Ajo não vai precisar de cirurgia.
Herrera, por outro lado, chega ao certame em uma condição melhor. Amparada pela gigante Repsol, María vai correr pela LaGlisse, que agora conta com o apoio de fábrica da Husqvarna.
Além de ter um suporte financeiro de peso, Herrera também tem um bom histórico no motociclismo. A jovem de 16 anos foi a primeira mulher a conquistar uma vitória no CEV (Campeonato Espanhol de Velocidade) — na etapa de Aragão em 2013 —, e chegou, inclusive, a brigar pelo título até a etapa final.
María também tem como mentor Álvaro Bautista, que é presença constante nos treinos da jovem e está sempre por perto para aconselhar a pupila. Além do piloto da Aprilia na MotoGP, Herrera também cresceu dentro da estrutura da Monlau, a escola que formou Marc Márquez.
O novo menino prodígio
Um dos 11 estreantes do ano, Fabio Quartararo chega ao Mundial cercado de boas expectativas. Bicampeão do CEV (Campeonato Espanhol de Velocidade), o principal campeonato de base da atualidade, o piloto da Estrella Galicia 0,0 já tem status de estrela e é frequentemente comparado a Marc Márquez.
Estreando no certame aos 15 anos — por conta de um benefício regulamentar ao campeão do CEV —, Fabio ditou o ritmo na pré-temporada, registrando o melhor tempo tanto em Valência como em Jerez de la Frontera.

Aspar vai ser o time de fábrica da Mahindra em 2015 (Foto: Aspar)
Apesar de ter ditado o ritmo nessa fase de treinos, Fabio rodou em circuitos que já conhecia, mas terá pela frente pistas completamente inéditas, como Losail, Sepang, Termas de Río Hondo e muitas outras.
Às vésperas do debute, Fabio conversou com o GRANDE PRÊMIO sobre suas expectativas para a temporada, não descartou lutar pelo título em 2015, mas afastou qualquer comparação com Márquez.
GRANDE PRÊMIO: Qual a sua meta para esta temporada? Você acredita que será possível brigar pelo título em seu ano de estreia?
FABIO QUARTARARO: Minha meta é me divertir e aprender todas as pistas, mas nós vamos tentar lutar com os outros pilotos. Se pudermos brigar pelo titulo, vamos lutar para vencer. Vamos ver.
GP: Você chega ao Mundial depois de vencer o CEV duas vezes. Qual a diferença entre esses dois campeonatos?
FQ: A maior diferença é o nível, porque no Mundial quase todos os pilotos têm realmente um bom nível. Outra diferença é lutar com todos os pilotos, pois em lugares como Brno e Mugello, são quase 15 pilotos lutando pela primeira posição.
GP: Você mostrou uma ótima performance nos testes da pré-temporada. Você esperava ter um ritmo tão bom?
FQ: Não, porque Jerez é um circuito difícil. No ano passado eu tive uma queda muito forte lá e é difícil voltar naquele circuito, mas com a minha nova moto, meus novos mecânicos, é mais fácil ter um bom acerto, ter um ritmo realmente bom e uma volta realmente boa.
GP: A pré-temporada foi toda feita em circuitos que você já conhecia — Valência e Jerez de la Frontera. Como você está se preparando para correr nas pistas em que você nunca esteve?
FQ: Eu estou jogando muito videogame, vendo bastante as corridas do passado, de 2014, e isso é muito bom para um piloto que não conhece a pista.
GP: Você mudou alguma coisa na sua preparação física para esta nova aventura?
FQ: Não, é quase a mesma coisa do ano passado, mas apenas com mais intensidade. Mas agora eu estou realmente bem para o Catar, em uma boa condição.
GP: Tem alguma diferença entre a moto que você usou no ano passado e esta de 2015?
FQ: Não, é quase a mesma coisa, apenas um pouco mais de potência, mas é uma boa de pilotar.
GP: Com a partida de Álex Márquez, Álex Rins e Jack Miller, a Moto3 perdeu alguns de seus protagonistas. Neste ponto da temporada, é possível apontar quem serão os pilotos que vão brigar pelo título?

Fabio Quartararo vai estrear no Mundial aos 15 anos (Foto: Repsol)
FQ: Acho que no Mundial nós temos muitos bons pilotos, como Éfren Vázquez, Danny Kent, a Ajo tem pilotos bons, de um forte nível, e acho que assim teremos um bom campeonato.
GP: Você nem ao menos estreou no Mundial e as pessoas já estão te comparando com Marc Márquez. Como é ser comparado com alguém que impressionou tanto quanto o Marc?
FQ: Acho que é uma super motivação para mim, é muito empolgante, mas não podemos comparar Marc Márquez e eu, porque Márquez é quatro vezes campeão mundial e eu sou apenas campeão espanhol. Não podemos comparar. Ele é o melhor piloto do momento e eu preciso fazer muitas temporadas para me comparar com ele. Mas é uma super motivação, porque quando você é comparado com o melhor piloto do mundo, é um grande incentivo para atacar.
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