Incidente entre Márquez e Rossi no ano passado faz MotoGP reformular estrutura de comissários

Para evitar críticas no futuro e afastar polêmica, a Dorna, a empresa que promove e organiza o Mundial de Motovelocidade, decidiu deixar o corpo de sanção e vai promover uma reformulação da estrutura dos comissários de prova. A iniciativa vem na esteira do polêmico acidente entre Valentino Rossi e Marc Márquez na Malásia

Depois do controverso fim de temporada em 2015, a MotoGP considera agora uma reformulação de sua estrutura de Comissários de provas para os próximos anos. A ideia é evitar críticas e trabalhar com a maior transparência possível. Quem garante é Carmelo Ezpeleta, diretor-executivo da Dorna, a empresa que promove e organiza o Mundial de Motovelocidade. 
 
A decisão de punir Valentino Rossi no choque com Marc Márquez em Sepang acabou tendo enorme influência na luta pelo título e ganhou grande repercussão na mídia pelo mundo. Enquanto o multicampeão atacou o espanhol, afirmando que o jovem ajudava o compatriota Jorge Lorenzo na briga pelo campeonato, a promotora do Mundial também ficou na berlinda e foi acusada, na voz do bicampeão Phil Read, de se comportar como uma máfia espanhola ao colocar a culpa em Rossi pelo incidente na prova malaia.
 
Por isso, Ezpeleta agora decidiu que não fará mais parte do corpo de sanção, uma vez que a Comissão de Grandes Prêmios aprove a proposta para uma nova estrutura. A iniciativa é uma forma de afastar as críticas no futuro.
 
"Nós tomamos uma série de medidas que vão se tornar públicas quando forem aprovadas pela Comissão de Grandes Prêmios", revelou o espanhol em entrevista ao jornal 'Marca'.

"Houve pessoas que nos acusaram de ter agido com base em nossos próprios interesses. Eles disseram que tudo foi decidido dessa forma porque era benéfico para a Dorna, de um ponto de vista midiático", completou.

A Dorna não vai mais fazer parte do corpo de sanção da MotoGP (Foto: MotoGP)
"Mas isso tem uma solução fácil: não vamos mais fazer parte do corpo de sanção. É um trabalho que parece tornar a nossa vida ainda mais complicada, e isso é algo que não precisamos. Portanto, a Dorna não vai mais fazer parte do corpo de sanção", assegurou o dirigente.
 
Ezpeleta também contou que tentou aliviar a tensão entre Rossi, Márquez e Lorenzo, mesmo achando que esse não era seu trabalho. "Eu conversei com eles. Depois que os ânimos esfriarem, eles precisam entender que já são adultos e que precisam pensar antes de fazer as coisas. Eu estive com Márquez na Áustria e depois com Valentino em Barcelona. A maioria de nós sabe o que aconteceu, mas não vale a pena continuar com isso", explicou.
 
O espanhol ainda afirmou que se sentiu orgulhoso com a forma como a Dorna lidou com toda a situação. E que os acionistas também aprovaram as decisões que foram tomadas.
 
"Eles acreditam que conseguimos lidar bem com tudo que passou e eu concordo. Em uma situação como essa, você nunca pode achar que fez tudo bem feito, mas nós tentamos fazer o máximo, ou seja, parar o fogo. O acordo que fizemos em Valência foi bom, e os pilotos também aceitaram", acrescentou.
 
Durante a prova malaia, a penúltima do campeonato de 2015, Rossi cansou da agressividade de Márquez na disputa pela terceira posição e decidiu forçá-lo para fora da pista, mas o lance acabou resultando em um contato que terminou com #93 no chão. Valentino foi punido pela direção de prova e, como consequência, teve de largar em último na final de Valência, quando perdeu o título para Lorenzo, então vice-líder, por uma diferença de cinco pontos.
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