Martín avança por título mesmo afoito na Tailândia. E Bagnaia mostra abatimento
Nervoso como não se mostrava já há algum tempo, Jorge Martín superou sustos na corrida sprint deste sábado (26) para ampliar a vantagem em relação a Francesco Bagnaia na classificação da MotoGP. E o italiano — e o entorno dele — sentiram o impacto
A corrida sprint do GP da Tailândia pode marcar um ponto de virada na temporada 2024 da MotoGP. Com um segundo lugar na disputa deste sábado (26), o piloto da Pramac ampliou para 22 pontos a margem em relação a Francesco Bagnaia na classificação do Mundial de Pilotos e abriu a possibilidade de assegurar o título com apenas segundos lugares daqui para frente.
Em Buriram, foi Bagnaia quem deu o primeiro golpe, assegurando uma pole-position que o colocou no topo do ranking entre os pilotos da Ducati. Na prova curta, Pecco fez o dever de casa na hora da largada e saiu bem para sustentar a posição, mas, nervoso como há muito não se via, o #89 partiu para cima afoito, indo e empurrando o rival para fora da linha.
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Assim, Enea Bastianini passou e tomou a ponta, com Marc Márquez também aproveitando para avançar. Ansioso, Jorge voltou de imediato para a pista e quase atingiu a roda traseira da Gresini #93. Para evitar o contato, Martín caiu para a quinta colocação, mas logo se pôs a recuperar posições.
Bastianini tratou de ser inalcançável, mas Pecco não conseguiu um ritmo parecido. O #1 até passou e resistiu à pressão de Márquez, mas não conseguiu conter Martín, que passou de forma agressiva, inclusive escapando da pista, o que rendeu uma advertência por parte do painel de comissários. O espanhol até chegou a dar uma segunda escapadela, mas não foi punido por ter perdido mais tempo do que ganhou naquele ponto da pista.

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Ao cruzar a linha de chegada em Chang em segundo, logo à frente de Bagnaia, Martín ampliou os horizontes na briga pelo título, mas segue sendo cedo para dizer que o campeonato está definido. Afinal, restam 99 pontos em disputa.
Ao serviço de streaming espanhol DAZN, Martín deixou claro que não quer “pensar em matemática”.
“Não quero pensar em matemática. Amanhã será uma corrida muito difícil. Teremos um desafio pela frente, que é acabar o mais para frente possível, tirar o nosso máximo. No fim, pensar em números não vai me acrescentar nada, só subtrair. Peço, por favor, para que não me perguntem mais de matemática pelo menos nas próximas duas semanas. Eu foco em mim. Obviamente, é importante. Não sou bobo. É preciso correr levando Pecco em conta”, ponderou.
“Hoje, talvez um quinto lugar fosse suficiente, mas com Pecco em segundo, não. Então tinha que ir atrás dele. Amanhã será mais ou menos o mesmo. Pecco vai melhorar amanhã, ele dá um passo gigante do sábado para o domingo, e nós temos de encontrar algo, pois hoje ficamos a 0s3, amanhã estará na briga. Estou focado em mim, em ver onde posso melhorar”, frisou. “Têm muitas ameaças: Pecco, Marc, Enea… No final, tento encarar como se fossem desafios e o desafio é ficar à frente de todos”, acrescentou.
Martín classificou a sprint tailandesa como a corrida “mais difícil da temporada”, mas avaliou que correu que se fosse mais uma disputa qualquer.
“Foi a corrida mais difícil da temporada. Já intuía que rodaríamos rápido, mas o ritmo que tive rodando atrás dos outros pilotos, algo que normalmente não me sai bem, com tanta temperatura, mostra que pilotei como se fosse qualquer outra corrida”, defendeu Jorge.
O titular da Pramac comentou, ainda, a ultrapassagem decisiva que fez em cima de Bagnaia e considerou que pegou o rival de surpresa.
“Foi uma ultrapassagem cirúrgica. É muito difícil ultrapassar Pecco, mas notei que naquele momento ele não acelerava como das outras vezes e me enfiei. Não era onde ele estava esperando”, garantiu.
Mas se a animação de Martín foi notória, o desanimo de Bagnaia também. Ainda nos arredores do pódio, o italiano se mostrou pouco animado, mas a expressão da esposa Domizia Castagnini foi a que mais entregou que o abatimento é também do entorno. Afinal, agora Pecco não depende mais só de si. A ele, não basta só vencer. Ele precisa que Martín erre ou seja superado por mais pilotos. E esse é um obstáculo extra na luta pelo tricampeonato da MotoGP.

“Não me senti bem com a dianteira. O ritmo era parecido com os pilotos da frente, mas faltou algo para alcançá-los”, disse Pecco em entrevista à emissora italiana Sky. “É uma pena, era uma boa oportunidade para recuperar pontos, mas perdemos alguns. São só dois, mas, no momento, não podemos perder. Martín me passou no ponto onde eu estava com mais dificuldades, mas é tudo possível de solucionar para a corrida de domingo”, encerrou.
A largada da corrida sprint da MotoGP do GP da Tailândia, em Buriram, está marcada para às 5h (de Brasília). O GRANDE PRÊMIO faz a cobertura completa do evento, assim como das outras classes do Mundial de Motovelocidade durante todo o ano.
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