KTM nega rumor de socorro financeiro da Red Bull e reitera envolvimento intacto na MotoGP
Em meio a boatos de que Mark Mateschitz poderia ajudar financeiramente a KTM a sair da crise, o grupo Pierer Mobility negou qualquer conversa por um socorro do herdeiro da Red Bull. Apesar da grave crise, a companhia garante que o envolvimento com a MotoGP segue intacto
A KTM negou rumores de um socorro financeiro da Red Bull para ajudá-la a atravessar uma grave crise. De acordo com o grupo Pierer Mobility, dono da marca austríaca, não existe nenhuma conversa a respeito de uma eventual injeção de capital por parte de Mark Mateschitz.
A companhia de Mattighofen atravessa uma grave crise e tenta levantar pelo menos € 100 milhões (cerca de R$ 605,3 milhões) para se manter em 2025. Em meados de outubro, a marca austríaca anunciou que quatro dos seis diretores foram removidos do conselho do grupo em meio a uma perspectiva financeira ruim que, segundo a empresa, se deve à recessão na Alemanha e ao alto custo de vida nos Estados Unidos.
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Os problemas financeiros do grupo não são novidade, já que as ações sofreram alta desvalorização, caindo de cerca de ₣ 94 (aproximadamente R$ 615,40) em 2022 para ₣ 9,66 (cerca de R$ 62,84) no fechamento do pregão de sexta-feira. Além de vendas fracas, o grupo Pierer contraiu dividas elevadas com a compra de marcas como GasGas, Husqvarna e uma fatia de 51% da MV Agusta.
Para tentar atravessar a crise, o grupo tem cortado inúmeros empregos, mas, até o fim do ano, entre 280 e 300 funcionários devem ser dispensados na Alta Áustria. A companhia vai passar a atuar em um único turno, também pausando a produção entre janeiro e fevereiro.

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Além de promover cortes e enxugar custos, o grupo Pierer tem negociado com bancos para tentar superar a crise.
Neste cenário, o jornal austríaco Salzburger Nachrichten noticiou que Mark Mateschitz, coproprietário da Red Bull, poderia ajudar a KTM financeiramente. A publicação indicou que a gestão das duas companhias já tinha se reunido para negociar.
Herdeiro de Dietrich, cofundador da Red Bull, Mark e Stefan Pierer têm negócios juntos e, recentemente, adquiriram por meio de um consórcio 50,1% da Rosenbauer, uma empresa austríaca que fornece equipamentos para o corpo de bombeiros.
O grupo Pierer Mobility, porém, emitiu uma nota negando os rumores de um socorro financeiro vindo da Red Bull.
“Em resposta às reportagens de jornal, o Pierer Mobility deixa claro que não existem discussões para que Mark Mateschitz se una ao Pierer Mobility e a KTM”, disse o grupo.
A dificuldade financeira afetou as atividades esportivas. No Mundial de Motovelocidade, a retirada da Husqvarna deixou a equipe IntactGP sem nenhum apoio financeiro da marca em Moto3 e Moto2. No Rali Dakar, onde dominou por anos, a KTM reduziu a presença a apenas três pilotos oficiais.
A crise, aliás, resultou em uma nova estratégia de promover apenas a marca KTM. Por isso, a GasGas vai desaparecer da MotoGP em 2025, com a satélite Tech3 voltando a ter KTM na nomenclatura das RC16.
Chefe da divisão esportiva da KTM, Pit Beirer garante que a crise do grupo não ameaça o envolvimento da marca com a MotoGP.
“Vamos ficar em todas as categorias que estamos”, garantiu Beirer ao jornal Salzburger Nachrichten. “O que quer que a gente faça, fazemos 100%. Mas o foco agora é inteiramente laranja [na KTM]. Em algumas categorias, estamos atualmente representados com um esforço triplo. Nosso programa júnior, que começa com a Rookies Cup, também não está em risco. Nossos parceiros a patrocinadores estão nos apoiando nessa fase difícil”, explicou.
De acordo com Beirer, o envolvimento com a MotoGP é intocável por conta do objetivo da KTM em se tornar uma candidata regular a vitórias e títulos.
“Ao longo dos últimos 20 anos, o esporte a motor e o sucesso da companhia estão diretamente ligados”, avaliou Beirer. “Somos a melhor ferramenta de marketing da companhia. A companhia teve um crescimento linear por 20 anos. Vencemos corridas e aí vendemos motocicletas. Esse é o segredo do sucesso”, avaliou.
“Estamos ‘Prontos para Correr’ [a tradução do slogan ‘Ready to Race’] e não nos envolvemos no esporte a motor como um fim em si mesmo. Agora estamos em uma fase muito difícil e nós, como departamento de esporte a motor, faremos nossa parte para estabilizar a companhia”, garantiu. “Somos parte da família e temos de permanecer juntos agora. Também aprendemos a lutar no esporte. Damos a companhia tudo que temos e vamos superar isso juntos”, completou.
A KTM não vence um GP na MotoGP desde o GP da Tailândia de 2022, ainda com Miguel Oliveira. No total, a marca tem cinco vitórias no currículo e outros dois triunfos em corrida sprint.
No próximo ano, a equipe oficial será defendida por Brad Binder e Pedro Acosta, enquanto a Tech3 vai contar com Maverick Viñales e Enea Bastianini.
A MotoGP volta a acelerar entre 5 e 7 de fevereiro de 2025 para os primeiros testes de pré-temporada, em Sepang, na Malásia. O GRANDE PRÊMIO faz a cobertura completa do evento, assim como das outras classes do Mundial de Motovelocidade durante todo o ano.
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