Lorenzo admite desobediência, mas defende estratégia de se manter a frente de Dovizioso: “Fiz o melhor pelo time”

Jorge Lorenzo admitiu que ignorou a sugestão da Ducati de abrir caminho para Andrea Dovizioso por considerar que estava ajudando o companheiro de equipe a melhorar seu ritmo. #99 garantiu que teria aberto caminho para o vice campeão de 2017 se algo tivesse acontecido com Marc Márquez

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Jorge Lorenzo está, mais uma vez, no centro de uma polêmica. Depois de todo a controvérsia causada pelas ordens de equipe da Ducati, agora foi a desobediência do #99 que ganhou os holofotes.
 
No GP da Comunidade Valenciana deste domingo (12), Lorenzo foi constantemente orientado pela Ducati a abrir caminho para o companheiro de equipe, mas seguiu forçando o ritmo na frente de Andrea Dovizioso. O piloto de Palma de Maiorca acabou caindo com seis giros para o fim, seguido pelo #4 pouco depois. Terceiro em Valência, Marc Márquez alcançou o tetracampeonato.
 
Ao encontrar com a imprensa no cair da noite valenciana, Lorenzo reconheceu que não seguiu a orientação da Ducati, mas justificou que fez o que fez por entender que estava mais ajudando do que atrapalhando Dovizioso.
Jorge Lorenzo defendeu estratégia de ficar à frete de Dovizioso (Foto: Ducati)

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“Dovizioso não tinha ritmo em todo o fim de semana, ele sofria muito. Foi uma pena que, de todos os circuitos do Mundial, tenha sido neste, porque, se fosse outro, tenho certeza de que teria sido mais rápido”, falou Lorenzo. “Eu, por outro lado, tive ritmo durante todo o fim de semana e estava com um ritmo similar ao de Márquez. Eu estava perto do grupo da frente e sabia que, apesar de ter recebido mensagens da equipe que me sugeriam deixar Dovi passar, sabia que o melhor para todos, para mim, para a Ducati e para Dovizioso, era seguir forçando até o fim, já que ter a minha roda bem na frente o fazia melhorar esse décimo ou dois que lhe faltavam de ritmo”, explicou.
 
“Ao contrário de Sepang, quando eu disse sempre que não vi o ‘mapping’, desta vez eles me mostraram sete ou oito vezes e eu vi em todas. E, apesar disso, eu sabia que o melhor para todos, para a Ducati, para os meus interesses e para Andrea, já que eu sabia a dificuldade que ele tinha, era seguir forçando. O melhor para ele, como ele mesmo disse, era seguir forçando”, defendeu. “Se pouco a pouco tivéssemos alcançado o primeiro grupo, eu teria me colocado de lado e deixado Andrea lutar pela vitória até o final com Márquez para ver se ele ganhava e Márquez cometia um erro. Mas como, até o momento, não estava sendo assim, eu achava que não seguir a sugestão da Ducati era o melhor para a equipe, como foi, e não me equivoquei na minha sensação”, avaliou.
 
Perguntado se teve de se explicar com a Ducati, Lorenzo contou que foi questionado por Gigi Dall’Igna, chefe da Ducati Corse, e também conversou com Andrea.
 
“Gigi me perguntou o motivo de eu ter seguido forçando e eu expliquei que achava que era o melhor. Falei com Dovi também e ele me disse: ‘Não tinha mais forças’. Não sei por que você ficam tentando achar pelo em ovo”, comentou.
 
Em uma coletiva que teve um clima pouco amistoso ― com o espanhol, inclusive, se recusando a responder um jornalista italiano ―, Lorenzo teve de se explicar ais uma vez.
 
“Em Sepang, eu não vi o painel, a mensagem no painel. Aqui eu vi todas as vezes. Mas, mesmo vendo essas sugestões, eu continuei forçando até o fim, pois sabia que era o melhor para mim, o melhor para a Ducati e para Dovi. Como Dovi disse, a minha sensação era correta. Eu o ajudei a melhorar um ou dois décimos no ritmo dele para estar o mais próximo possível do primeiro grupo”, insistiu. “A minha intenção era de que, se chegássemos no primeiro grupo, como chegamos, porque eu me aproximei de [Dani] Pedrosa, se Dovizioso estivesse colado em mim e tivesse a opção de vencer, eu iria para fora da curva e o deixaria passar. Mas, infelizmente, não foi assim. Se tivesse visto Márquez cair, eu teria saído do caminho. Mas ele ficou na moto. Era terceiro ou quarto”, seguiu. 
 
“O que mais eu posso fazer? Eu tentei fazer meu melhor pelo time, por mim e por Dovi, então, é, talvez em algumas curvas, Dovi estivesse próximo e eu o tenha retardado um pouco, mas, de forma geral, em 30 voltas… eu o ajudei a ficar mais perto do primeiro grupo”, concluiu.
 
 
O GRANDE PRÊMIO cobre a decisão in loco em Valência com a repórter Juliana Tesser. Acompanhe aqui todo o noticiário.

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