Marcas da MotoGP miram Pacto da Concórdia à la F1 e pressionam Dorna por melhorias
Construtoras se unem para reivindicar maior fatia das receitas e posse dos slots no grid; Dorna resiste, mas negociações devem avançar com aval das equipes satélites
As cinco fabricantes da MotoGP — Aprilia, Ducati, Honda, KTM e Yamaha — decidiram se unir com a Dorna para reivindicar uma participação maior nas receitas comerciais do campeonato e também buscam a posse legal de suas entradas no grid, em um movimento que pode reformular as bases do Mundial de Motovelocidade nos próximos anos.
De acordo com a revista inglesa Autosport, durante o GP da Tchéquia, no último fim de semana, representantes das cinco construtoras se reuniram e assinaram um documento de compromisso, nomeando Lin Jarvis — ex-diretor da Yamaha e atual consultor — como porta-voz para negociar o interesse do grupo. Ele, junto com Massimo Rivola, presidente da Associação dos Fabricantes (MSMA), encontrou-se com Carmelo Ezpeleta, CEO da Dorna, promotora da categoria, para apresentar oficialmente as demandas das marcas.
O objetivo é estabelecer um acordo semelhante ao famoso ‘Pacto de Concórdia’ da Fórmula 1, que regula a distribuição dos lucros entre as equipes com base no desempenho e em critérios comerciais. Na F1, os times recebem aproximadamente 50% dos lucros, e a posição final no campeonato pode significar uma diferença de milhões de euros em premiação.
Na MotoGP, esse tipo de divisão ainda não existe. Atualmente, apenas as equipes satélites recebem um valor fixo — € 2,5 milhões por moto arrendada (R$ 16,3 milhões na cotação atual) —, enquanto as fábricas não contam com participação direta nas receitas comerciais. Além disso, os direitos sobre vagas no grid pertencem à Dorna, que os concede por períodos limitados, geralmente a cada cinco anos. As fabricantes buscam obter essa propriedade, pois isso daria garantia mais sólidas para planejamentos futuros, além de segurança jurídica. As equipes satélites foram consultadas e também apoiaram o projeto.

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Ainda segundo a Autosport, Ezpeleta não recebeu com bons olhos a reivindicação — algo que já era esperado pelas marcas. A mobilização ganhou força após o Liberty Media formalizar a compra dos direitos da MotoGP por € 4,3 bilhões (R$ 28 bilhões).
Apesar do acordo prever a permanência de Ezpeleta no comando do campeonato, muitas equipes e investidores questionam a metodologia utilizada na divisão das receitas e os critérios de valorização das equipes, estimadas atualmente em cerca de € 20 milhões (R$ 130,4 milhões), mesmo sem possuírem os direitos sobre os slots do grid.
Agora, Aprilia, Ducati, Honda, KTM e Yamaha esperam avançar nas negociações a partir do GP da Áustria, em agosto, após as férias de verão na Europa. A expectativa é construir um novo modelo de governança e participação financeira mais justo, especialmente com o novo ciclo contratual se aproximando, já que os acordos atuais expiram em 2026.

A MotoGP agora parte para as férias de verão na Europa a volta a acelerar entre os dias 15 e 17 de agosto com o GP da Áustria, direto de Spielberg, 13ª etapa da temporada 2025. O GRANDE PRÊMIO faz a cobertura completa do evento, assim como das outras classes do Mundial de Motovelocidade durante todo o ano.
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