Márquez se põe juvenil. E Quartararo sai fortalecido de dia dourado da Yamaha

Marc Márquez se empenhou em uma briga desnecessária com Fabio Quartararo e acabou pagando um preço alto com uma forte queda neste sábado (2). Com o #93 largando no meio do pelotão, a Yamaha ganhou uma chance extra para encerrar a seca de vitórias

Se o mundo ainda precisava de evidências, agora não restam mais dúvidas: Marc Márquez já sente a pressão da ameaça de Fabio Quartararo na MotoGP. Em um fim de semana ilustre do duo da SIC ― com o #20 no comando dos treinos 1 e 2 e da classificação e Franco Morbidelli ditando o ritmo dos treinos 3 e 4 ―, o #93 adotou uma estratégia à la Moto3 na definição do grid neste sábado (2) e acabou pagando um preço pela tática juvenil.
 
Com exceção do TL2, onde ficou a mais 1s6 do líder, Márquez tomou uma média de 0s344 dos pilotos da SIC neste fim de semana. Assim, o espanhol sabia que não tinha ritmo para cravar a pole. Ao menos não sozinho.
 
Sendo assim, Marc usou uma técnica muito comum na classe de entrada do Mundial de Motovelocidade ― uma que, aliás, o hexacampeão já usou outras vezes em 2019: colou no piloto mais rápido e tentou usar o vácuo para alavancar seu tempo de volta. 
O top-3 da MotoGP na Malásia (Foto: SIC)
Depois da tradicional parada nos boxes em meados do Q2, Márquez esperou Quartararo para entrar na pista. O francês tentou se livrar de todas as formas, mas não conseguiu espantar Marc. Já nos minutos finais da sessão, porém, o #93 pagou o preço por um pneu frio e caiu feio na mudança de direção entre as curvas 1 e 2.
 
Enquanto Márquez voltava aos boxes de carona, Fabio cravou 1min58s303 para conquistar sua quinta pole na temporada, 0s103 melhor que Maverick Viñales, o segundo colocado. 0s129 mais lento que o companheiro de equipe, Franco Morbidelli vai sair em terceiro.
 
Visivelmente extasiado com a pole, Quartararo celebrou animadamente em cima da moto, também pela pressão de correr na casa da SIC.
 
“Não sei nem como não arranquei a viseira. Me empolguei um pouco demais”, disse Quartararo. “É, sem dúvida, uma das poles mais especiais. É o GP de casa da equipe, nos pressionaram um pouco para que conseguíssemos e o fizemos”, seguiu.
 
Apesar de ter se mostrado irritado com a postura de Márquez ainda na pista, Fabio evitou falar do assunto e focou apenas em sua atuação. 
 

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“Eu troquei o pneu rápido, pois queria sair sozinho, mas quando saí dos boxes, Marc estava logo ali, então foi difícil, mas conseguimos fazer essa volta tão boa”, comentou. “Não imaginava, mas depois de uma semana tão difícil após a queda na Austrália, estou contente com o que fizemos”, ressaltou.
 
O #20 ainda lida com as consequências do tombo que levou em Phillip Island, mas acredita que as dores não serão uma barreira para a corrida.
 
“Fisicamente, sinto dor ao andar, não tanto na moto, mas dói quando desço [da M1]”, relatou. “Não vai ser um problema. Vamos tomar algo para dor para a corrida”, avisou.
 
Questionado sobre os rivais para a corrida, Quartararo previu um GP divertido. 
 
“Franco está muito forte, Viñales também, as Yamaha em geral”, apontou. “Marc e [Andrea] Dovi estão ali. Tenho certeza que será uma corrida divertida”, garantiu.
 
“Estamos prontos. Temos duas opções de pneus: médios e duros. Vai depender da temperatura”, contou.
 
Mesmo com a boa performance exibida até aqui, Quartararo contou que seu objetivo é o pódio. 
 
“Não é a vez que me sinto mais forte para vencer, isso aconteceu em Silverstone, mas aqui temos um ritmo muito bom e o objetivo é brigar pelo pódio”, concluiu.
 
Segundo no grid, Viñales valorizou a primeira fila, ainda por ter terminado a classificação tão perto de Quartararo.
O momento do acidente (Foto: Reprodução)
“Isso é o mais importante. Nós sabemos que estar na primeira fila é sempre bom para nós, então vamos continuar trabalhando”, disse Viñales. “Acho que fizemos um bom trabalho hoje. No TL3, nós nos sentimos muito bem e aí na classificação demos nosso melhor”, seguiu. 
 
“Nós ficamos em segundo por 0s1, então estou muito feliz. Como sempre, vamos seguir trabalhando muito duro para melhorar mais amanhã”, garantiu.
 
Dono de um bom ritmo, Maverick não titubeou ao dizer que planeja tomar a ponta na largada e escapar da concorrência.
 
“Vou tentar forçar desde o início. Vou tentar tomar a liderança na primeira curva e aí vou forçar ao máximo”, avisou. “Como eu disse, não temos nada a perder, temos tudo a ganhar, então vamos tentar forçar, forçar, forçar e aí vamos ver”, seguiu.
 
Fechando o top-3 de Yamaha, Morbidelli fez uma avaliação positiva do sábado em Sepang e torceu para que o fim de semana termine da mesma maneira.
 
“Foi uma boa classificação para mim. Foi um bom sábado, no geral”, comentou. “Me sinto bem na moto, me sinto bem no geral e espero fazer uma boa corrida amanhã. O ritmo foi decente, agora temos de checar como será o clima amanhã e teremos de tentar fazer uma boa corrida, independente do clima. Tomara que esse fim de semana termine de uma maneira positiva para nós”, torceu.
 
Questionado sobre o tipo de corrida que espera em Sepang, Morbidelli respondeu: “De acordo com o ritmo, muitos pilotos podem lutar pela vitória. Não existe uma grande diferença entre os pilotos, então vamos ver. Acho que será uma corrida de grupo até determinado ponto e aí, quem tiver mais potencial, vai escapar no final”.
 
Examinado pelos médicos, Márquez escapou de fraturas, mas não escondeu a irritação com o resultado da classificação.
 
“Estou mais irritado por largar em 11º do que pela queda”, falou Márquez. “O objetivo é terminar entre os cinco primeiros e, se possível, no pódio, mas a vitória será muito difícil. Viñales e Quartararo têm um ritmo retumbante”, exaltou.
 
Ainda, Marc reconheceu que exagerou tentando acompanhar Fabio, o que acabou por resultar na queda.
 
“Acho que o acidente foi porque forcei demais. Fabio mudou de direção, eu tentei segui-lo e saí voando. Eu podia ter caído sozinho”, comentou. “Tudo é consequência da mudança de acerto. E um dos pontos fracos deste acerto é que não tenho muito contato com a roda traseira”, indicou.
 
Marc justificou, também, a estratégia de seguir Quartararo durante o treino.
 
“Em alguns circuitos, sou eu que estou mais forte e os outros me seguem. Aqui, rodando sozinho, eu tinha menos ritmo e, seguindo alguém, baixava mais os tempos”, assumiu.
 
“Eu estava esperando outro piloto, porque não é fácil seguir Fabio. Eu consegui segui-lo por uma volta e, ao sair dos boxes, voltamos a coincidir. Tinha muito trafego, não só Quartararo e eu”, ressaltou. “A primeira fila eu via como perdida, mas eu estava tentando a segunda”, contou.
 
Questionado sobre os efeitos do tombo, Márquez disse: “Os joelhos que estão piores. Vamos ver como estarão amanhã, pois está inchando”.
 

O GP da Malásia de MotoGP está marcado para o domingo, às 4h (de Brasília). Acompanhe aqui a cobertura do GRANDE PRÊMIO.

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