Miller se desculpa por derrubar Crutchlow, mas não escapa de pito do chefe da LCR: “Ele precisa tentar entender qual o limite”

Jack Miller se desculpou por ter derrubado Cal Crutchlow no GP da Grã-Bretanha e concordou que mereceu uma punição da direção de prova. Piloto britânico evitou atacar o companheiro de equipe, mas o chefe da LCR não escondeu sua irritação com o comportamento do #43

A cobertura completa do GP da Grã-Bretanha no GRANDE PRÊMIO

Jack Miller pediu desculpas a Cal Crutchlow por ter tirado o companheiro de LCR do GP da Grã-Bretanha. Debaixo de chuva, o australiano saiu da 16º colocação na grid para o quinto posto já na terceira volta, mas a corrida acabou na curva 8, quando o novato caiu e levou o colega britânico junto.
 
Após a prova, Jack foi convocado pela direção de prova da MotoGP, que adicionou um ponto de punição ao carnê do #43.
Jack Miller tirou Cal Crutchlow do GP da Grã-Bretanha (Foto: GEPA pictures/David Goldman)
“Conforme passei Pol Espargaró depois que ele me passou de novo na reta, peguei um pouco estranho nos freios”, explicou Jack. “Tive de soltá-los e acioná-los mais uma vez. Nós olhamos os dados, eu não estava mais rápido, é só que Cal estava lá e eu não pude fazer nada”, seguiu.
 
“Tenho de pedir desculpas ao Cal, porque eu não queria fazer isso com ele. Nós estamos aprendendo aos poucos, como fiz quando fui para a Moto3”, ponderou.
 
Ainda, Miller contou que Crutchlow reagiu bem à situação, mas o chefe da LCR, Lucio Cecchinello, ficou mais bravo.
 
“Cal reagiu muito bem ao acidente. Não acho que eu teria se tivesse no lugar dele, e tenho de tirar meu chapéu”, reconheceu. “Lucio não ficou muito feliz. Como você pode imaginar, eles estão todos bem irritados, porque nós estávamos em quarto e quinto, mas a vida segue”, comentou.
 
Por fim, Jack aceitou a punição imposta pela direção de prova, mesmo reconhecendo que foi um incidente de corrida.
 
“Não questionei o ponto de punição de forma nenhuma — é o mínimo que eles poderiam me dar”, falou. “Sim, foi um incidente de corrida, mas não fui punido em Assen [quando tirou Héctor Barberá ainda na primeira volta], e aqui eu precisava disso”, completou.
 
Crutchlow, por sua vez, optou pela elegância ao falar do acidente e se recusou a criticar Miller quando conversou com a imprensa.
 
“Eu não estava bravo, só desapontado”, disse Cal. “Não estava bravo com Jack — foi um incidente de corrida. Já fiz isso antes e tenho certeza de que vou fazer de novo”, afirmou.
 
“Fiquei mais bravo com Aleix [Espargaró] quando ele fez isso comigo do que com Jack, embora sentisse que podia conquistar um bom resultado”, explicou. 
 
Questionado sobre o que sentiu quando Miller o ultrapassou um pouco antes, Cal admitiu que se arrependeu de não ter falado para o piloto de 20 anos segui-lo enquanto eles se adaptavam às condições.
 
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“Ele me passou e eu o ultrapassei de volta, pensando comigo mesmo que, normalmente, as pessoas que batem no assento e dizem ‘me siga’ são verdadeiros palhaços — porque eles têm o mesmo direito que eu a estar lá —, mas eu pensei nisso apenas para dizer a ele para pegar um pouco mais leve. Entretanto, não fiz isso e, na sequência, ele bateu em mim”, relatou.
 
Apesar da insistência dos jornalistas, Crutchlow insistiu em não disparar contra o companheiro de equipe.
 
“No momento em que fui atingido, pensei: ‘Por favor, não seja o Jack’. Não queria que fosse ele — se fosse qualquer outro, poderia ter lutado com ele na brita!”, brincou. “Jack é um cara simpático, não tinha intenção de fazer o que fez e também não queria abandonar a corrida”, continuou.
 
“No entanto, vou te contar a melhor história do dia. Eu tinha apostado com ele o resultado da corrida da Moto2, e ele ganhou porque tinha apostado no [Johann] Zarco e eu no [Álex] Rins. Eram € 100 (cerca de R$ 410), e eu não disse nada — só mandei uma mensagem de texto para ele depois da corrida: ‘Vai se foder, não vou te pagar agora!’. Ele disse que não ousaria me cobrar mesmo”, contou.
 
Falando à publicação britânica ‘Crash.net’, Cecchinello admitiu que ficou “muito desapontado” e disse que Miller precisa aprender com seus erros.
 
“As palavras certas são ‘muito desapontado’”, disse Lucio. “Infelizmente, não foi um dia muito bom, mas as corridas são assim e nós precisamos aceitar. Claro, o máximo que posso fazer agora é continuar a permitir, nesse caso particular, que Jack pense no que fez e faça seu melhor para usar essa experiência pessoal para não repetir erros similares”, seguiu.
 
Perguntado se tinha dito, ainda no grid, para Jack ficar calmo, Cecchinello respondeu de forma irônica: “Três vezes. Três vezes! Quer dizer, eu, o chefe de equipe dele, o pai dele, Alberto Puig. Todos disseram que seria uma corrida longa. ‘Por favor, não faça nenhuma loucura. Você tem tempo. Você deve esperar as primeiras voltas para ter o feedback dos pneus e tentar entender tudo. Aí, eventualmente, você pode forçar na segunda parte da corrida’”, relatou.
 
“Ele estava em quarto quando caiu”, ressaltou, rindo. “Sim, fiquei muito preocupado e, honestamente, quando o vi atrás de Cal, fiquei um pouco nervoso também, porque sabia que algo podia acontecer. E aconteceu”, completou.
 
Em sua temporada de estreia na MotoGP, Miller foi alvo de muitas críticas, o que forçou a Honda a colocar Alberto Puig como mentor do australiano para que o experiente espanhol ajude o novato a se acalmar e, também, a melhorar seu preparo físico.
 
O chefe da LCR agora espera que Miller finalmente aprenda com seus erros.
 
“Realmente espero que sim. Especialmente, nós realmente precisamos que ele entenda que se você diz alguma coisa, isso também vale para ele. Este é um esporte fantástico, mas também muito perigoso. Ele precisa tentar entender qual o limite. O estilo de pilotagem que ele adotou nas primeiras voltas, acho que foi um pouco agressivo demais”, concluiu.

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