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É só o primeiro dia, mas o desembarque da MotoGP na Europa já começa a pintar um cenário mais definitivo na classe rainha. Forte em todas as três primeiras corridas da temporada 2018, a Honda correspondeu à expectativa e fechou a sexta-feira (4) na frente no clássico circuito de Jerez, palco do GP da Espanha.
Neste primeiro dia de atividades no recém-batizado Jerez-Ángel Nieto,
Cal Crutchlow foi quem ditou o ritmo dos trabalhos. Com 1min38s614 na segunda sessão da tarde espanhola, o britânico encerrou os treinos livres no território andaluz 0s028 à frente de Dani Pedrosa, o segundo colocado.
Vice-líder do Mundial, Marc Márquez ficou apenas com o quinto tempo, mas muito por conta de uma queda já na parte final do TL2. O #93 dedicou o dia a uma avaliação de pneus e sofreu o acidente enquanto guiava com um composto que já tinha completado mais do que as 25 voltas da corrida.
Cal Crutchlow foi o mais rápido nesta sexta em Jerez (Foto: Divulgação/MotoGP)
A performance da Honda, porém, não chega a surpreender, não só pelo histórico vitorioso no traçado espanhol ― com 20 vitórias em 31 oportunidades ―, mas pela atuação da RC213V nas três primeiras etapas do ano.
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“Estou contente, porque estamos usando a mesma base que em Termas de Río Hondo, nos EUA e no teste que fizemos aqui, e isso é bom e importante, porque são pistas completamente diferentes”, ponderou Márquez. “Era importante ver se aqui poderíamos ter as mesmas sensações que trouxemos de Austin e da Argentina”, ressaltou.
Assim como Márquez, Crutchlow também fez um teste prévio em Jerez, mas entende que o asfalto está bastante diferente de como o encontrou em novembro passado.
“É, a moto parece boa no momento”, resumiu Cal. “A pista está diferente de quando testamos aqui em novembro. Estava frio e com muita, muita aderência na época, agora está bem suja. Parece que consigo fazer os tempos de volta bem, os pneus estão aguentando bem ― o macio e o médio, pelo menos, na traseira ―, que vamos usar amanhã. Mas nós também precisamos tentar o duro, já que acho que será o pneu da corrida. Mas, sim, estamos confiantes o bastante com a moto, está indo bem”, avaliou.
Na esquadra da Honda, quem também se destacou foi Pedrosa, embora o espanhol ainda não esteja 100% fisicamente depois da fratura que sofreu na Argentina.
“Esta manhã, eu comecei um pouco lentamente a testar as condições da minha mão e, a partir dali, fui passo a passo, melhorando ao longo do dia, especialmente na segunda sessão, quando pude forçar um pouco mais. O aspecto positivo é que me senti melhor do que na última corrida, embora ainda não esteja 100% em forma”, comentou o #26. “Tenho mais amplitude de movimento, e isso permite que eu me movimente melhor na moto para poder adotar uma posição melhor nas curvas. Ainda me falta força total, e isso ainda me causa alguma dificuldade e me impede de pilotar exatamente como eu gostaria. De qualquer forma, fizemos um bom TL2 e sabemos onde podemos melhorar mais. Eu espero que possamos fazer isso amanhã”, frisou.
A atuação de Dani, aliás, impressionou Márquez, que acredita que pode ter de enfrentar a resistência do #26 na corrida de domingo. Mas não só dele.
“No momento, o mais rápido é Pedrosa, com a mesma moto que eu. Não estamos como em Austin, embora seja um circuito diferente dos demais”, disse Marc. “Aqui, Dani pode estar inspiradíssimo no domingo ou pode aparecer um [Andrea] Dovizioso, que não vai mal. O objetivo é brigar pelo pódio”, insistiu.
Marc Márquez considerou que Dani Pedrosa pode ser forte em Jerez (Foto: Repsol)
Sexto neste primeiro dia de atividades, Andrea avaliou que a Ducati ainda tem uma boa margem de melhora.
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“O feeling é muito bom com a moto. Com o novo asfalto, é mais divertido pilotar em Jerez. Na minha opinião, temos possibilidades de melhorar nosso ritmo amanhã”, indicou. “De tarde, não pilotei a moto de forma impecável, mas podemos nos aproximar dos pilotos que estão na frente. As Honda parecem estar muito bem no momento, mas, como a cada fim de semana, vamos esperar para entender como as coisas acontecem no domingo e qual o ritmo dos rivais”, ponderou.
Quem não foi nada bem neste primeiro dia em Jerez, por outro lado, foi a Yamaha. Valentino Rossi fechou o dia no nono posto, com Maverick Viñales apenas em 12º no resultado combinado das duas sessões.
“Esta manhã não foi ruim, mas, de tarde, com mais calor, sofremos com os pneus. Com poucas voltas, o pneu começa a derrapar atrás. Vamos sofrer. De qualquer forma, esperamos ir um pouco melhor do que no ano passado”, relatou Rossi.
Ao contrário das rivais, a Yamaha não testou previamente em Jerez após o recapeamento da pista, e Rossi reconhece que isso cobrou um preço. Além disso, o #46 não sentiu uma melhora considerável na aderência da pista.
“Não ter vindo testar aqui nos deixa um pouco em desvantagem, mas também nos dá um pouco mais de margem de melhora. Mas, ao mesmo tempo, nestas condições, tudo fica mais difícil”, insistiu. “É sexta-feira e temos muito trabalho pela frente. Jerez é um circuito em que normalmente se derrapa muito, e nós, nesta condição, sofremos. Os cinco ou seis primeiros são mais rápidos do que nós”, admitiu.
Depois de mostrar animação com a performance em Austin, Maverick sentiu que a Yamaha regrediu neste retoro à Europa.
Valentino Rossi previu um fim de semana de sofrimento para a Yamaha (Foto: Michelin)
“Em Austin, nós melhoramos bastante, mas desde que viemos para cá os problemas recomeçaram. A moto está se movendo muito, então temos de seguir trabalhando e permanecer focados. E temos de forçar ― é a única forma de evoluir”, garantiu. “Vale parece ter os mesmos problemas, nossos tempos de volta são bem similares. Temos de encontrar uma solução que funcione para nós”, pressionou.
Além dos problemas da YZR-M1, Rossi considerou que o ritmo da Honda é mais uma preocupação para a casa de Iwata, especialmente levando em conta que a marca rival parece ter resolvido os problemas que dificultaram sua performance no ano passado.
“Que a Honda vá tão bem aqui é muito preocupante. No ano passado, eles melhoraram muitíssimo na metade da temporada, mas neste inverno fizeram ainda mais”, afirmou o piloto de Tavullia. “Além disso, antes eles estavam um pouco condicionados na hora de colocar o pneu dianteiro mais duro, e isso podia prejudicá-los em algumas circunstâncias. Agora não. Eles podem usar os pneus que querem e todos são rápidos: Márquez, Pedrosa e Crutchlow”, concluiu.
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