Na contramão da concorrência, Moto3 tira mulheres do papel de coadjuvantes e abre 2015 com duas titulares

Enquanto a F1 mantém suas mulheres no papel de pilotos de teste e desenvolvimento, o Mundial de Moto3 abre a temporada 2015 colocando duas espanholas na linha de frente. Ana Carrasco e María Herrera serão as únicas garotas em um grid de 34 pilotos

Apesar de todas as conquistas femininas ao longo da história, o acesso das mulheres ao esporte a motor segue sendo bastante restrito. São poucas as mulheres que conseguem espaço nas principais categorias, seja no motociclismo, seja no automobilismo.
 
Na temporada 2015 do Mundial de Motovelocidade, entretanto, a categoria Moto3 terá duas garotas: as espanholas Ana Carrasco e María Herrera.
Valentino Rossi recebeu María Herrera para parabenizar a espanhola pelo desempenho no CEV (Foto: Repsol)
Carrasco não é nenhuma novata no certame. A jovem de 17 anos chegou ao Mundial em 2013, vestindo as cores da LaGlisse, equipe que foi campeã com Maverick Viñales. 
 
Sem dinheiro para manter a vaga no time campeão, Carrasco se transferiu para a RW, mas perdeu o lugar já na reta final do Mundial de 2014 também por conta de problemas financeiros, embora a organização do campeonato contribuísse com recursos financeiros.
 
Para este ano, Ana, que tem como melhor resultado no campeonato um oitavo posto no GP da Comunidade Valenciana de 2013, volta ao certame pelas mãos de Aleix Espargaró. O piloto da Suzuki na MotoGP estreia sua própria equipe, a RBA, nesta temporada.
 
Herrera, por outro lado, chega ao certame em uma condição melhor. Amparada pela gigante Repsol, María vai estrear pela LaGlisse, equipe que conta com o apoio de fábrica da Husqvarna.
Ana Carrasco inovou e arrumou um 'grid boy' no ano passado (Foto: RW)
Além de ter um apoio financeiro de peso, Herrera também tem um bom histórico no motociclismo. A jovem de 16 anos foi a primeira mulher a conquistar uma vitória no CEV (Campeonato Espanhol de Velocidade), um dos campeonatos de base mais fortes da atualidade — na etapa de Aragão em 2013 —, e chegou, inclusive, a brigar pelo título do certame até a etapa final.
 
María também tem um mentor importante na carreira. Amigo da família, Álvaro Bautista é presença constante nos treinos da jovem e está sempre por perto para aconselhar a jovem pupila. Além do piloto da Aprilia na MotoGP, Herrera também cresceu dentro da estrutura da Monlau, a escola que formou Marc Márquez.
 
Com tal currículo, María abre 2015 como uma das atrações da Moto3 e feliz por ser uma das duas únicas mulheres nas pistas do campeonato do mundo. 
 
“Estou muito feliz, porque nós somos poucas mulheres e encontrar um patrocinador para competir no Mundial me deixa muito feliz”, disse María. “Foi nisso que eu trabalhei nos últimos anos”, seguiu.
 
Antes de estrear como titular da LaGlisse, Herrera teve a chance de disputar quatro provas do Mundial como wild-card, sempre defendendo as cores da Estrella Galicia 0,0, a mesma equipe que defendia no CEV.
Aos poucos, as mulheres estão ganhando espaço em um mundo dominado pelos homens (Foto: Repsol)

“Honestamente, foi uma bela experiência”, resumiu. “Tem um nível muito alto, então você precisa focar no seu trabalho e não olhar para o lado, mas o resto está um passo à frente e você precisa aprender com eles”, ponderou.

 
Chegando ao Mundial, María sabe que tem muito para aprender, especialmente por não conhecer a maioria das pistas do campeonato.
 
“Minha meta é aprender e ir com calma nos circuitos que são novos para mim. No geral, o que eu quero é aprender bastante nessa nova fase”, sublinhou. 
 
Indagada sobre qual o seu desejo para a temporada 2015, Herrera afirmou que não tem nada para pedir, apenas motivos para agradecer.
 
“Acho que competir no Mundial já é um sonho que se torna realidade e eu tenho de agradecer à Repsol pelo apoio”, completou. 
 
Ao contrário de categorias como Trial e Motocross, onde existem campeonatos mundiais específicos para mulheres, o mundo da motovelocidade não faz essa mesma divisão, o que agrada as duas espanholas.
 
“Eu gosto assim, pois tem mais competitividade e aprendemos com eles, porque são muito rápidos”, disse María. “Eu gosto assim”, reforçou.
 
A titular da RBA acompanhou a opinião de Herrera e destacou que a criação de um campeonato feminino tiraria a graça do esporte. “O que eu mais gosto é competir contra homens e tentar vencê-los”, falou Ana. “Um campeonato feminino seria mais fácil e tiraria toda a graça”, avaliou.
Ana Carrasco e María Herrera serão as duas únicas mulheres no grid da Moto3 (Foto: Repsol)
Diretor-executivo da Dorna, a promotora do Mundial de Motovelocidade, Carmelo Ezpeleta descarta a criação de um campeonato só para mulheres e acredita que já ficou provado que as meninas têm condições de competir em condições de igualdade.
 
Questionado pela REVISTA WARM UP se existe espaço para as mulheres na motovelocidade, Ezpeleta respondeu com um taxativo “sim”. “Acho que este esporte é para meninas que estão fisicamente bem preparadas, como Ana Carrasco, María Herrera. Elas estão indo muito bem”. 
 
“O problema é que há menos mulheres, então há menos mulheres para serem bem sucedidas, mas por que não?”, questionou.  “Este esporte aceita homens e mulheres”, garantiu Ezpeleta.

As mulheres no esporte a motor
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