Na Garagem: Doohan supera má largada, bate Beattie na Argentina e fatura bi das 500cc
Há 30 anos, Mick Doohan se converteu no primeiro piloto da Honda a assegurar títulos seguidos na classe rainha do Mundial de Motovelocidade ao renovar a conquista das 500cc com uma vitória no GP da Argentina
HÁ 30 ANOS, MICK DOOHAN ESCREVIA O NOME NA HISTÓRIA. Com uma vitória no GP da Argentina, o australiano não apenas se tornou um bicampeão das 500cc, mas foi também o primeiro piloto da Honda a assegurar títulos consecutivos na classe rainha do Mundial de Motovelocidade.
Campeão vigente, o australiano de Brisbane chegou ao autódromo Oscar y Juan Gálvez para a penúltima etapa da temporada 1995 com 26 pontos de vantagem para o conterrâneo Daryl Beattie, o segundo colocado. O então #1 precisava manter a diferença em pelo menos 25 pontos para assegurar a taça com uma corrida de antecedência ― já que tinha vantagem no critério de desempate: o número de vitórias.
Mick começou a temporada 1995 defendendo o título com unhas e dentes. O australiano venceu as etapas de Austrália e Malásia e foi segundo no GP do Japão. O piloto da Honda fechou as três primeiras corridas do ano com 70 pontos, cinco a mais do que Beattie.
Na sequência, porém, o azar chegou. Doohan abandonou o GP da Espanha após uma queda, mesmo desfecho do GP da Alemanha que veio na sequência, quando caiu enquanto liderava a disputa. Assim, Mick saiu Nürburgring com 29 pontos de atraso para Beattie, que havia tomado a liderança da classificação.

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Na Itália, Doohan estancou a sangria e venceu, mas o segundo lugar de Daryl limitou os ganhos do piloto da Honda. Na Holanda, contudo, o jogo virou mais uma vez. Beattie caiu durante os treinos em Assen e, lesionado, ficou fora da corrida. Assim, Mick venceu e retomou a liderança do campeonato, abrindo apenas um ponto de frente.
Na França, Doohan ampliou a margem, já que venceu e viu o rival fechar a prova na terceira colocação. Mick colocou a NSR500 no topo do pódio mais uma vez na Grã-Bretanha e, mesmo derrotado por Luca Cadalora no GP da República Tcheca, ampliou ainda mais a liderança, já que fechou a disputa em Brno à frente do rival pela taça.
A antepenúltima etapa da temporada aconteceu no Rio de Janeiro, com mais uma vitória de Cadalora. Doohan, porém, ficou em segundo Jacarepaguá, com Daryl fora do pódio. Assim, o #1 chegou aos 210 pontos e, com 50 ainda em jogo, garantiu o match-point na Argentina.
Em Buenos Aires, Beattie começou com o pé direito e colocou a Suzuki na ponta no primeiro treino livre. Doohan devolveu e comandou o TL2. Na classificação, foi Cadalora quem levou a pole, à frente de Doohan, Beattie e Neil Hodgson, que formavam a primeira fila.
Em um dia de sol e pista seca, Beattie largou muito bem e tomou a ponta, com Doohan começando no contrapé e despencando para oitavo. Aos poucos, porém, Mick começou a avançar. Na segunda volta, o australiano vinha em sexto. No giro seguinte, o piloto da Honda aparecia em quinto. Na passagem seguinte, o líder do campeonato já estava no top-3.
A vice-liderança da corrida chegou na volta 6, quando Doohan passou a pressionar Beattie pela ponta. Único capaz de impedir o bicampeonato de Mick, Daryl não conseguiu escapar e, pouco a pouco, foi vendo a aproximação do conterrâneo.
Na abertura da décima volta, Doohan repetiu o que fez com dos dois rivais anteriores: colou na reta e mergulhou primeiro na curva 1. Uma vez na ponta, o #1 passou a abrir vantagem deixando Beattie para se preocupar com a pressão de Cadalora e Álex Crivillè, que não acompanharam o ritmo por muito tempo.
Daryl ainda tentou forçar o ritmo e cortar a margem, mas Doohan recebeu a bandeirada com 2s293 de vantagem e assegurou o título ao chegar aos 235 pontos, 31 a mais do que o #4 da Suzuki.
“Foi muito, muito, muito bom vencer este campeonato”, disse Doohan ainda encharcado de champanhe após a festa do pódio. “Todos os envolvidos foram ótimos, toda a equipe Honda, a minha namorada, todos tiveram um papel importante. Sem eles, isso não teria sido possível. Tenho de dizer um obrigado espacial para a Celina, minha namorada, por ter me aguentado nas últimas semanas. Foi bem difícil viver comigo”, seguiu.
“Hoje foi muito, muito bom. A máquina, a Repsol Benetton Honda funcionou realmente bem e os pneus Michelin… Estávamos um pouco céticos sobre qual escolher, mas, no fim, acho que fizemos a escolha certa, pois, depois da largada que fizemos, consegui recuperar, pegar o Beattie e ir para a vitória”, completou.
Doohan fechou a temporada 1995 com uma quarta colocação no GP da Europa, na Catalunha, e completou o ano com 248 pontos, 33 a mais do que Beattie.
A fase vitoriosa de Doohan, contudo, se estendeu por mais três anos. O australiano faturou o pentacampeonato em 1998, mas encerrou a carreira no ano seguinte após um grave acidente no GP da Espanha, em Jerez, onde sofreu múltiplas lesões.
No total, ‘Mighty Mick’ faturou 54 vitórias, 95 pódios e 58 poles nos 137 GPs que disputou na carreira nas 500cc.
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