Perto de iniciar segundo ano na MotoGP, CRT enche grid, mas segue longe do ritmo dos protótipos

No segundo ano das CRT na MotoGP, motos chassis artesanais e motores derivados de produção cumprem meta de encher o grid, mas seguem longe do ritmo dos protótipos

A temporada 2013 vai marcar o segundo ano das motos CRT no Mundial de Motovelocidade. Com chassis artesanais e motores derivados de produção, as motos cumprem a meta de encher o grid da MotoGP, mas seguem muito distantes do ritmo dos protótipos de Honda, Yamaha e Ducati. 

 
Por um lado, é verdade que as CRT foram um acerto. Sem essas motos, a MotoGP contaria com apenas 12 pilotos, um grid muito magro para uma categoria com a importância da MotoGP. Mas é preciso lembrar que estas motos são, em média, 2s mais lentas que o melhor equipamento de fábrica, o que desequilibra as coisas.
Atual campeão, Espargaró terá companheiro de Aspar como principal rival na luta pelo bi (Foto: Aspar)
Além do equipamento, a diferença de qualidade entre os pilotos também pesa nessa equação. Por razões óbvias, os melhores pilotos estão com os protótipos de fábrica, deixando as CRT nas mãos de competidores com um potencial menor. 
 
Aleix Espargaró, Randy De Puniet e Colin Edwards podem ser colocados como os melhores na lista de pilotos CRT, mas pouco podem fazer frente à força das máquinas de fábrica. 
 
Atual campeão entre as CRT, Espargaró surge como favorito ao título desta subcategoria em 2013. De novo com equipamento ART, o espanhol mira repetir seu trinfo, mas, outra vez, terá de enfrentar De Puniet, que o bateu em dois dos três testes da pré-temporada.
 
Um dos pilotos mais experientes do grid, Edwards terá poucas oportunidades para demonstrar a bagagem que acumulou em seus 11 anos de Mundial. Alinhando com uma FTR Kawasaki, o norte-americano não surge como uma ameaça nem mesmo para seus pares, aparecendo sempre nas últimas posições da tabela de tempos. 
 
Para 2013, dois pilotos foram rebaixados, perdendo seus protótipos e passando a alinhar CRT. Ambos vindo de Ducati satélites, Karel Abraham passa a contar com uma ART, e Héctor Barberá terá uma FTR. Companheiro de Barberá na Avintia, Hiroshi Aoyama volta ao Mundial após uma temporada afastado.
 
Além das caras já conhecidas, a temporada de 2013 verá as estreias de Lucas Pesek, Bryan Staring e Michael Laverty. Pesek é uma figura conhecida do Mundial de Motovelocidade, já que acumula certa experiência correndo nas 125cc, 250cc e na Moto2, mas sua última participação no campeonato promovido pela Dorna foi em 2010. Staring e Laverty, por outro lado, não contam com tanta experiência, com Bryan tendo disputado uma única prova no Mundial, a etapa da Austrália das 125cc em 2004. 
Alocação de pneus será diferente para CRT em 2013  (Foto: Ioda)
No que diz respeito ao regulamento, existem duas grandes novidades para a temporada. Após a decisão de estabelecer uma centralina única para a classe rainha do Mundial a partir de 2014, Magnetti Marelli decidiu disponibilizar a ECU para os times interessados já neste ano, medida que contou com o apoio de Ioda, Avintia e Forward. 
 
Além disso, a partir de agora a Bridgestone disponibilizará opções diferentes de pneus traseiros para as equipes de fábrica e as CRT, que ficarão sempre com compostos mais macios. Após avaliar as opções feitas no ano passado, a fábrica notou que raramente os pilotos optavam pelos compostos duros e decidiu por esta separação. 
 
Se os protótipos tiverem compostos médios e duros a disposição durante o fim de semana, as CRT terão macios e médios, sempre um nível abaixo daquilo que for alocado para Honda, Yamaha e Ducati. 
 
A última mudança diz respeito ao fim de uma concessão feita às CRT no ano passado. A partir de agora essas motos terão de usar discos de freio de 320 mm, como determina o regulamento do Mundial. 
 
Perto do fim?
 
Temendo que as CRT passassem a ser a regra na MotoGP, as fábricas começaram a se movimentar em busca de alternativas mais baratas para encher o grid da categoria. Com este objetivo, a Honda apresentou a proposta de vender por até € 1 milhão (cerca de RS 2,6 milhões) uma versão de produção da RC213V. 
 
A Yamaha, por sua vez, pretende fornecer motores para a categoria, também com a meta de ajudar na competitividade. Embora a casa de Iwata ainda não tenha definido detalhes do projeto, os nipônicos avaliam que esses motores para leasing terão configurações similares àqueles usados pela satélite Tech3. 
Projetos de Honda e Yamaha podem acabar com as motos CRT (Foto: Aspar)
A fábrica fundada por Soichiro Honda pretende disponibilizar essa versão de produção da RCV já para o teste coletivo de Valência. A Yamaha ainda finaliza as negociações com a Dorna, mas o acordo deve ser anunciado em breve.
 
Se efetivamente saírem do papel, esses dois projetos devem enterrar de vez as CRT, já que forneceriam equipamento competitivo com um custo mais acessível. 
 
É válido lembrar que a Suzuki também vêm planejando seu retorno à MotoGP e, segundo a empresa espanhola que organiza o Mundial, terá de se aliar com uma das equipes já existentes, o que diminuiria o número de motos menos competitivas no grid.

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