Pramac é seduzida, deixa Ducati após 20 anos e vira satélite da Yamaha a partir de 2025
A Pramac optou por aceitar a vantajosa proposta da Yamaha e vai trocar o equipamento Ducati por duas YZR-M1 a partir de 2025
Vai mudar tudo na Pramac em 2025. Depois de 20 anos, a equipe de Paolo Campinoti optou por deixar a Ducati e aceitou a oferta da Yamaha para correr com a YZR-M1 a partir da próxima temporada da MotoGP. O anúncio foi feito pela Yamaha Motor Company nesta sexta-feira (28).
A marca dos três diapasões não confirmou a duração exata do acordo, mas falou em “multianual”. Além disso, a Yamaha destacou que a Pramac seguirá sendo uma equipe de propriedade independente, com sede em Rugby, na Inglaterra, mas usando motos oficiais, as mesmas do time de fábrica.
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A decisão se arrastou por meses. Já há algum tempo, circula na imprensa a informação de que a Yamaha fez uma vantajosa proposta financeira para voltar a contar com uma estrutura privada, mas a Pramac tinha dito que esperaria o máximo possível para tomar uma decisão.
A Ducati, por sua vez, tinha a esperança de manter a aliada, que era tratada como prioritária entre as equipes. Com o rompimento, a Pramac abre mão de um acordo de dois anos para ter duas Desmosedici GP25, as motos do próximo ano da casa de Bolonha.
Nos últimos dias, aliás, o poderio da Ducati sofreu um forte abalo, já que três dos oito talentos deste ano foram perdidos: Jorge Martín e Marco Bezzecchi fecharam com a Aprilia, e Enea Bastianini assinou com a KTM para defender a Tech3. Agora, a saída da Pramac representa uma redução de 8 para 6 motos no grid do próximo ano.

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A Pramac entrou na MotoGP em 2002, primeiro como patrocinadora da Honda. Em 2005, a marca uniu forças com a equipe D’Antin, que já usava equipamento Ducati. Ao longo dos anos, a relação teve altos e baixos, mas, em 2020, a parceria se fortaleceu, com o time recebendo equipamentos de ponta e pilotos contratados direto pela fábrica italiana.
A relação foi abalada, porém, pelo incomodo de Campinoti com o interesse crescente da Ducati na VR46. A equipe de Valentino Rossi, que já teve uma moto do ano para Luca Marini, tem negociado melhores equipamentos com Bolonha, o que incomodou o aliado de primeira hora, abrindo a porta para uma aproximação da Yamaha.
Nos últimos meses, a própria Pramac insistiu que não fazia sentido trocar de construtor, dado os bons resultados. Ano passado, por exemplo, Martín foi vice-campeão, enquanto a equipe faturou o título do Mundial de Equipes. Em 2024, o espanhol lidera o Mundial de Pilotos.
O GP da Itália, contudo, marcou um novo ponto de virada. Marc Márquez descartou publicamente a possibilidade de correr pela Pramac, o que acabou mudando o futuro da equipe de fábrica. O #93, então, foi o escolhido para formar par com Francesco Bagnaia, o que empurrou Martín para a Aprilia.
Sem um astro, a Pramac se inclinou ainda mais para a Yamaha e aproveitou a passagem por Assen para definir o futuro.
Diretor da Yamaha, Lin Jarvis destacou que o acordo representa um novo passo na busca da Yamaha de recuperar a competitividade da YZR-M1 e confirmou que a equipe terá as mesmas motos do time de fábrica, uma mudança de postura em relação ao que a marca japonesa fez anteriormente na MotoGP.
“São momentos agitados para a Yamaha, dentro e fora da pista”, disse Lin Jarvis, diretor da Yamaha. “A Yamaha Motor Co., LTd (YMC) e a Yamaha Motor Racing (YMR) não fizeram segredo de que estão colocando esforço máximo no desenvolvimento da moto. Agora, entramos na próxima fase, uma que estávamos ansiando por muito tempo: a chegada de uma segunda equipe Yamaha”, seguiu.
“A nova parceria com a Prima Pramac Racing vai ter um formato diferente do que fizemos no passado. Ao invés de uma equipe satélite, com este novo acordo, a Yamaha deposita confiança na Pramac Racing, e vai dar a eles motos de fábrica, na mesma especificação utilizada pela Monster Energy Yamaha Yamaha MotoGP Team”, anunciou. “O objetivo é acelerar o desenvolvimento da moto, que segue sendo a prioridade máxima da YMC e a YMR na nossa busca por voltarmos ao caminho das vitórias, assim como ter quatro pilotos competitivos em duas equipes de ponta na MotoGP”, frisou.
Além disso, o projeto envolve também a Moto2, já que a Yamaha quer uma plataforma para desenvolver pilotos para a classe rainha.
“Além do nosso programa na MotoGP, nossa colaboração inclui um futuro projeto na Moto2, para termos uma plataforma para desenvolver futuros pilotos da MotoGP. É muito cedo para dar detalhes deste programa, já que ele será desenvolvido nos próximos meses”, anunciou. “Gostaria de manifestar meu agradecimento pessoal a Paolo Campinoti, CEO da Pramac, e a Gino Borsoi, chefe da Pramac, pela fé e confiança depositadas na Yamaha. Temos o máximo respeito pela equipe deles e garantimos a eles nosso total comprometimento em fazer esta nova parceria ser altamente bem sucedida por muitos anos”, completou.
Em entrevista ao site italiano GPOne, Campinoti explicou que trata-se de um acordo de sete anos: os dois últimos do atual regulamento e os primeiros cinco da próxima regulamentação.
“O que eu gostaria de deixar claro logo de cara é que não é uma questão de dinheiro, como dizem. De fato, em curto prazo, vou perder, pois não vou receber a variável que tenho dos patrocinadores. Obviamente, não acho que vamos conquistar os mesmos resultados com que estamos acostumados”, afirmou Campinoti. “É um contrato de sete anos. Esses dois e cinco com a nova moto. A Yamaha me convenceu com este projeto. É uma construtora gloriosa, que vence muito, e que conquistou o último título há só três anos, com [Fabio] Quartararo. Eles estão trabalhando muito, inclusive na Itália, com [Luca] Marmorini e Max Bartolini. Não será imediato, mas eles vão votar e vencer, pois sempre fizeram isso”, assegurou.
O dirigente avaliou, ainda, que o conceito de equipe satélite não existe mais na MotoGP e deixou claro o descontentamento também com Jorge Martín.
“Este conceito não existe mais. Veja a KTM. Em 2025, eles terão quatro motos oficiais, os mesmos patrocinadores, a mesma cor. Como Pit Beirer disse, o primeiro na classificação será o líder. Então a Pramac será uma extensão da equipe de fábrica, com exatamente a mesma moto de Quartararo”, apontou. “Nesse sentido, não entendi Jorge Martín. O que estava faltando para ele? Ele venceu corridas, lidera o campeonato e, ano passado, perdeu na última corrida, em Valência”, lembrou.
Campinoti reconheceu, porém, que o projeto com a Yamaha não seria levado adiante se Marc Márquez tivesse concordado em se juntar à equipe.
“Sim, é verdade. Se Márquez tivesse dito sim, eu o teria recebido, também com entusiasmo. Como poderia ser de outra maneira? Mas a escolha que a Ducati fez agora, é como contratar Cristiano Ronaldo. A Pramac, por outro lado, nasceu com a meta de apoiar o crescimento de jovens. Fizemos isso com [Andrea] Iannone, [Jack] Miller, [Danilo] Petrucci, [Francesco] Bagnaia e Martín. Não nascemos para ganhar o título, mesmo que tenhamos chegado muito perto, e estejamos tentando mais uma vez neste ano. Vamos continuar com a nossa missão com jovens com a Yamaha”, anunciou.
Por fim, Campinoti assumiu que a decisão foi tomada com um pouco de amargor, já que não entendeu a celebração nos boxes da Ducati na última volta do GP da Itália, quando os boxes da fábrica de Borgo Panigale celebraram uma ultrapassagem de Enea Bastianini em cima de Martín na última curva.
“Eu me segurei por muito tempo, por causa da minha amizade pessoal e profunda com Gigi Dall’Igna. Precisei de tempo para metabolizar. Mas tomei minha decisão quando vi que Bastianini ultrapassar Martín, em Mugello, gerou um entusiasmo incrível na garagem da Ducati. Eu entendo [Davide] Tardozzi [chefe da Ducati], mas também estavam lá Claudio Domenicali [diretor-executivo da Ducati], [Francesco] Milicia [vice-presidente mundial de vendas e pós vendas], todo mundo em resumo. Mas por qual motivo? Martín não é um dos pilotos deles?”, completou.
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