“Preciso que acreditem em mim”: Rossi levou 4 dias para convencer Yamaha a mudar moto

O italiano contou que a Yamaha queria que ele modificasse seu estilo para pilotar como Maverick Viñales e Fabio Quartararo. Diretor reconheceu que é difícil convencer os engenheiros japoneses quando outros pilotos são rápidos

Valentino Rossi é uma parte indelével da história da Yamaha, mas nem por isso tem todos seus desejos atendidos. Após quebrar um jejum de pódios de mais de um ano com um terceiro lugar no GP da Andaluzia, o #46 revelou que precisou travar uma batalha interna para poder fazer as mudanças que gostaria na YZR-M1.

Desde o ano passado, o italiano tem sofrido com desgaste excessivo do pneu traseiro. Enquanto Rossi amargava uma longa estiagem, Fabio Quartararo roubou os holofotes de 2019 e, ainda que de forma menos empolgante, Maverick Viñales também colocou um ponto final em um jejum de vitórias da Yamaha.

Assim, o #46 acabou perdendo força dentro da equipe. E também o posto de titular para 2021, quando vai trocar de lugar com Quartararo: o piloto de Nice vai para a equipe de fábrica, enquanto o heptacampeão da MotoGP vestirá as cores da SRT ― o acordo, aliás, ainda não foi oficializado, mas Valentino já fala abertamente da mudança.

Mesmo decidido a seguir na MotoGP em 2021, Rossi questionou o futuro após uma atuação “ruim demais para ser verdade” no GP da Espanha. Insatisfeito com a própria performance, o piloto de 41 anos decidiu fazer mudanças, mas precisou convencer a Yamaha.

Rossi com seu troféu (Foto: Yamaha)

“Mudamos muito o acerto da moto desde sexta-feira”, disse Rossi. “Infelizmente, tivemos de pressionar muito a Yamaha, pois eles não queriam, mas eu me senti muito melhor desde sexta-feira de manhã. Com certeza é muito difícil [para os engenheiros entenderem seus pedidos de mudança], pois têm muitos pilotos fortes que são rápidos”, seguiu.

Rossi contou que as mudanças feitas na M1 permitem que ele “entre nas curvas mais rápido estressando menos os pneus”.

“Neste fim de semana, eu rodei realmente com a minha moto. Não estamos perfeitos, mas é a primeira corrida na qual recuperamos o feeling e o equilíbrio que eu gosto com a moto”, apontou. “Estou muito feliz. Obrigado a David [Muñoz, chefe do time] e toda minha equipe, que fez um ótimo trabalho. Temos de continuar assim, já que a semana passada foi muito frustrante”, ressaltou.

Valentino contou que, após a abertura da temporada, lhe faltava motivação até para encarar a corrida deste fim de semana, mas contou com o suporte dos amigos, da namorada e até dos integrantes da Academia de Pilotos VR46.

“Eu disse que talvez devesse ficar em casa e não voltar a Jerez. Minha motivação era muito baixa, mas depois de sexta-feira, comecei a pensar que podíamos conseguir uma boa corrida, já que algo tinha mudado em mim e na moto”, relatou. “Este é um ótimo resultado, não como uma vitória, mas perto”, avaliou.

“Eu vinha de um fim de semana frustrante. Não foi só uma corrida para mim, foi praticamente um ano todo. Nesses meses, tive dificuldades para mudar. Às vezes, você se vê tendo problemas que não espera. São questões políticas. Eu estava simplesmente guiando uma moto que não era minha. Não foi fácil”, contou.

Questionado sobre os motivos, Rossi respondeu: “Na teoria, fizemos isso para proteger os pneus traseiros mas, de fato, não resolveu o problema e eu fiquei mais lento. Na sexta-feira, nós finalmente conseguimos mudar e eu comecei a me divertir. Sabia que podia ter uma boa corrida. Foi fundamental e agora eu me sinto mais otimista para os próximos GPs”, contou.

Perguntado se estava enviando uma mensagem à Yamaha, Rossi respondeu: “Eles têm de me ajudar, já que estou aqui e vou estar no próximo ano. Preciso que eles acreditem em mim. Sou um piloto que dá informações precisas quando sai da moto, mas tive de lutar quatro dias para fazer o que eu e meu time queríamos com a moto. Se tivéssemos desistido, teria sido outra corrida ruim”.

O filho de Stefania Palma e Graziano Rossi explicou que a Yamaha esperava uma mudança em seu estilo de pilotagem.

“Quer a verdade? Porque Viñales e Quartararo são muito rápidos com essa moto. Eu tenho 41 anos e eles me dizem que tenho de aprender a pilotar a moto como eles. Eu tive de lutar. Quando eles me deixaram fazer as mudanças que eu queria, me senti melhor, encontrei uma moto mais ajustada ao meu estilo”, relatou. “De certa forma, é normal que eles pensem que devo pilotar como Fabio e Maverick. Eles são fortes. Talvez eu não seja o piloto mais rápido na pista no momento, mas posso fazer boas corridas”, defendeu.

Valentino evitou detalhar as mudanças feitas na YZR-M1, mas explicou que agora conta com uma moto muito mais a seu agrado.

“Coisas diferentes. Fomos em direção a outro estilo. O ponto é que, entre 2018 e 2019, os engenheiros estudaram outra maneira de resolver o problema do desgaste do pneu traseiro. No início, correu bem. Consegui dois pódios, mas aí nada mais, pois eu não podia pilotar da maneira como gostaria quando entrava nas curvas. Mas não digo isso como uma desculpa para os meus resultados”, falou.

Apesar da mudança e do resultado positivo, Rossi descartou [esperar] um pedido de desculpas. “Sou um piloto Yamaha de coração e nós temos uma grande história juntos. Só quero pressioná-los um pouco depois de um bom resultado”.

Yamaha admite dificuldade para convencer engenheiros japoneses

Diretor da Yamaha, Lin Jarvis reconheceu que foi difícil convencer os engenheiros de mudar a moto, já que a YZR-M1 está indo bem nas mãos de Quartararo e Viñales e até com Franco Morbidelli.

“Quando você tem outros caras sendo rápidos, em especial com Fabio e Maverick, e também com Frankie, com todas as nossas Yamaha tendo um acerto similar em termos de tipo de moto e chassi, Vale tinha dificuldade para ter aderência, pilotar e fazer funcionar para ele”, disse Jarvis. “Vimos isso na última temporada. Às vezes, Vale não esteve onde está acostumado e realmente queria mudar alguma coisa. Ele ficou realmente desapontado depois do primeiro fim de semana, então, quando viemos para cá, decidimos mudar alguma coisa”, seguiu.

“Ele realmente queria mudar para tentar algo e não tínhamos nada a perder, mas mudar a mente dos engenheiros japoneses, às vezes, não é tão simples, porque temos muitos dados e informações com as quais os outros caras estão sendo rápidos, então por que seguir uma direção diferente?”, explicou. “Mas Valentino, obviamente, tem muita experiência e sabe o que funciona para ele. Ele pressionou, nós aceitamos e fizemos a mudança. Não diria que resolveu todos os problemas dele, mas ele se sente muito mais confortável na moto e sente que é a moto dele outra vez e, assim, pode pilotar melhor. Isso é parte do que os pilotos têm de fazer. Eles precisam pressionar dentro do box tanto quanto pressionam na pista”, encerrou.

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