Prévia: Líder, Rossi tem bola do jogo na Malásia, mas precisa de sua melhor jogada

11 pontos à frente de Jorge Lorenzo na classificação da MotoGP, Valentino Rossi tem em Sepang sua primeira chance de conquistar o título de 2015. Tendo de somar 15 pontos à sua vantagem, o #46 não deve fechar a conta na Malásia, mas precisa receber a bandeirada à frente do espanhol para chegar em Valência e fazer a festa

A cobertura completa do GP da Malásia no GRANDE PRÊMIO

Todo mundo esperava que o GP da Austrália fosse um ponto decisivo na temporada 2015, mas a impecável prova de Phillip Island — que registrou o top-12 mais apertado da história da MotoGP, com a primeira dúzia de pilotos separada por 22s840 — serviu apenas para aumentar o suspense. 
 
Segundo colocado no traçado de Victoria, Jorge Lorenzo conseguiu cortar sete pontos da vantagem de Valentino Rossi, que agora tem apenas 11 pontos de margem na liderança do Mundial. Ainda assim, o #46 terá em Sepang sua primeira chance de fechar o título de 2015, mas no que está mais para um exercício de matemática do que para uma prova de motovelocidade.
Valentino Rossi tem sua primeira chance de fechar o título na Malásia (Foto: Yamaha)
Restando apenas duas etapas para o fim da temporada — Malásia e Valência —, Rossi precisa ampliar para 26 pontos sua vantagem em relação ao companheiro de equipe. Na prática, se vencer, Valentino precisaria ver Jorge fora do top-5, o que não aconteceu em nenhuma das provas que o espanhol completou este ano. 
 
Assim, o mais provável é que o título seja definido na Comunidade Valenciana — salvo uma queda ou um problema mecânico com o espanhol —, mas a 25ª edição do GP da Malásia tem todo potencial para ser decisivo. Afinal, se Rossi conseguir terminar na frente de Lorenzo, é praticamente ‘game over’ para o bicampeão da classe rainha.
 
 E os números estão ao lado do italiano. Na disputa entre os construtores, a Yamaha é a marca mais vitoriosa em Sepang na era da MotoGP, com cinco triunfos. A Honda, por sua vez, venceu quatro vezes, incluindo os últimos três anos. A Ducati tem três vitórias na pista malaia.
 
No que diz respeito à disputa entre os pilotos, aí é que Rossi leva vantagem. O italiano soma seis triunfos no traçado malaio — um nas 500cc e cinco na MotoGP. Casey Stoner e Dani Pedrosa têm quatro vitórias cada. Lorenzo, por outro lado, não fica fora do pódio de Sepang há quatro anos, mas venceu lá pela última vez em 2006, ainda nas 250cc.
 
Além disso, Valentino tem grandes memórias de Sepang. Foi no traçado malaio que o piloto da Yamaha conquistou os títulos de 2003, 2005 e 2009. Lorenzo também foi campeão em terras malaias em 2010, quando Rossi subiu ao topo do pódio para faturar seu 46º triunfo com as cores de Iwata. A pista de Selangor é uma das quatro do atual calendário onde o #99 nunca venceu, junto com Austin, Sachsenring e Termas de Río Hondo.
 
Mas não são só conquistas que marcam a história de Rossi com a Malásia. Em 1996, o piloto de Tavullia estreou no Mundial de Motovelocidade em Shah Alam, o primeiro circuito malaio a receber o campeonato. Anos mais tarde, em 2003, foi no país que Rossi assinou seu primeiro contrato com a Yamaha, selando sua partida da Honda. 
Jorge Lorenzo precisa da vitória para seguir na luta pelo título (Foto: Yamaha)
No ano seguinte, Valentino deixou o pit-lane malaio às 10h46 de 24 de janeiro para guiar pela primeira vez a YZR-M1, torcendo para a moto não ser “uma filha da puta”. Sete anos mais tarde, foi em Sepang que o piloto conseguiu a última vitória de sua primeira passagem pela equipe dos três diapasões.
 
Rossi conhece Sepang bem o suficiente para vencer, mas não é só Lorenzo que estará pronto para a batalha. Marc Márquez perdeu há muito tempo suas chances de título, mas quer fechar o ano com o maior número de triunfos possível. 
 
Andrea Iannone foi muitíssimo bem em Phillip Island — a melhor atuação de sua carreira —, mas é sempre difícil dizer o quão bem a Ducati vai render. O italiano, entretanto, andou bem em Sepang na pré-temporada, então sempre vale ficar de olho aberto.
 
Quaisquer que sejam os rivais, Rossi não pode terminar o GP da Malásia atrás de Lorenzo, porque isso significaria chegar em Valência em uma condição um tanto pior. O italiano sabe o que é perder um título no circuito Ricardo Tormo e não deve querer repetir a experiência, mas, mais do que isso, ele também sabe que um empate em pontos não lhe ajuda, já que Lorenzo levaria a taça pelo critério de desempate — número de vitórias. E Jorge desembarcou em Kuala Lumpur com um único objetivo: vencer.
 
O italiano tem a bola do jogo na Malásia e precisa lançar mão de sua melhor jogada.
 
Moto2
 
 Com o título definido em favor de Johann Zarco, resta muito pouco em jogo na divisão intermediária. Álex Rins ainda briga com Tito Rabat pelo vice-campeonato, mas com o piloto da Marc VDS fora de combate por conta da fratura que sofreu no braço esquerdo, o titular da Pons tem a vida um tanto mais confortável.
 
Zarco, por outro lado, ainda pode igualar ou superar o recorde de pódios em uma única temporada da classe intermediária do Mundial de Motovelocidade. O piloto da Ajo esteve no top-3 em 13 oportunidades neste ano, uma a menos que Marc Márquez e Rabat em 2012 e 2014, respectivamente. 
 
Moto3
 
A definição do título da Moto3 virou uma novela. Danny Kent já teve a bola do jogo duas vezes, mas não conseguiu fechar a conta em nenhuma delas. O mais recente match-point foi em Phillip Island, mas uma queda acabou com os planos do piloto da Kiefer.
Danny Kent é o protagonista da novela do título da Moto3 (Foto: Kiefer)
Ainda nos primeiros giros da corrida, o #52 foi tocado por Francesco Bagnaia e despencou para a 16ª colocação. O britânico logo escalou o pelotão, mas viu a prova terminar com dez giros para o fim, quando Niccolò Antonelli o derrubou. Enea Bastianini foi junto no bolo e perdeu qualquer chance de brigar pelo título.
 
Agora, Kent segue para a Malásia com 40 pontos de vantagem para Miguel Oliveira e com a vida bastante facilitada. Danny precisa apenas terminar no top-5 para se tornar campeão sem nem ao menos depender do resultado do português. 
 
Entretanto, a julgar pela grande fase de Miguel e pelos resultados recentes do piloto da Kiefer, melhor não dar o título por vencido. 

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