Prévia: na terra do pinguim, Rossi precisa ser tubarão para ‘dar lição’ em Lorenzo

Com 18 pontos de vantagem para Jorge Lorenzo na classificação do Mundial, Valentino Rossi tem uma missão importante na Austrália: repetir suas boas atuações em Phillip Island e colocar mais uma pedra na trilha do décimo título mundial

A cobertura completa do GP da Austrália no GRANDE PRÊMIO

O Mundial de MotoGP de 2015 é, oficialmente, uma briga de dois homens. Quarto colocado no GP do Japão, Marc Márquez deu adeus a suas chances de título, deixando os holofotes nas três etapas restantes da temporada apenas para Valentino Rossi e Jorge Lorenzo.
 
Em boa forma desde o início do ano, Rossi deixou Motegi ainda mais líder, já que levou para 18 pontos sua vantagem em relação ao companheiro de Yamaha. Com 75 pontos ainda em disputa, o italiano tem uma boa margem, mas o título está longe de ser definido, muito embora o espanhol não dependa mais apenas de seus próprios resultados — se o #99 vencer em Austrália, Malásia e Valência, o #46 ainda fica com o título se for segundo em todas essas etapas.
Valentino Rossi precisa incorporar o tubarão para defender sua liderança no Mundial (Foto: Yamaha)
Essa matemática, entretanto, não deve acontecer. Embora a Honda tenha tido um ano um pouco mais difícil do que nas últimas temporadas, não seria sensato descartar o time da asa dourada e, menos ainda, esperar que Rossi assista ao domínio do rival sem fazer nada.
 
Aos 36 anos e em sua 20ª temporada no Mundial, Rossi sabe que não faz sentido lançar mão da calculadora e já avisou que trabalha com uma única meta em Phillip Island: ficar na frente de Lorenzo.
 
“É muito difícil que de agora até o fim da temporada nós sejamos sempre primeiro e segundo, porque as duas Honda são muito fortes e nessas três corridas nós vamos ter condições completamente diferentes e três tipos de pista muito diferentes”, ponderou o italiano logo após o GP do Japão. “Nunca faço esse tipo de conta, pois, em 99% das vezes, isso não acontece, então precisamos nos concentrar em Phillip Island e tentar chegar na frente de Jorge. Esta é a meta, mais do que fazer cálculos chegando atrás”, avisou.
 
 E olhando para o histórico de Rossi, não é difícil apostar nas chances do italiano. O italiano de Tavullia é o piloto com mais vitórias no traçado de Victoria, somando oito triunfos ao longo da carreira — dois nas 250cc, um nas 500cc e cinco na MotoGP. Com seis triunfos na classe rainha, Casey Stoner é o segundo mais bem sucedido na pista litorânea. Lorenzo, por sua vez, tem três triunfos no circuito australiano, dois deles ainda nas 250cc.
 
Ainda assim, do grid atual da MotoGP, Rossi e Lorenzo são os dois únicos com vitórias em Phillip Island. Junto com Motegi, o traçado de 4.448 km é um dos únicos dois onde Márquez nunca venceu.
 
Em termos de construtores, a Honda é a mais bem sucedida por lá na era da MotoGP, acumulando cinco vitórias. Ducati e Yamaha têm quatro vitórias cada, com a casa de Iwata tendo ficado com o topo do pódio nos últimos dois anos.
 
Ano passado, aliás, Rossi chegou ao triunfo depois de vencer um duelo com Lorenzo pela segunda colocação. Márquez caiu pouco depois, entregando a vitória nas mãos de Valentino.
Dani Pedrosa e Marc Márquez terão papéis fundamentais na disputa do título(Foto: Honda)
No último fim de semana, o clima na Yamaha deu uma leve esquentada, já que Rossi não gostou nada de ver Lorenzo creditando seu atraso na classificação ao azar.
 
A história do esporte a motor mostra que velocidade não é o único requisito para um campeão. E preciso também estar preparado para qualquer condição que apareça, o que não foi o caso de Lorenzo até aqui. Rossi, por outro lado, pontuou em todas as etapas do ano, um feito que divide apenas com Bradley Smith.
 
O confronto de Rossi e Lorenzo não é apenas um duelo de gerações e estilos de pilotagem, mas também uma disputa entre a inteligência e a experiência do italiano, com a velocidade pura do espanhol. 
 
Na terra dos pinguins, Rossi precisa deixar o peixinho de lado, vestir a fantasia do tubarão e mostrar, mais uma vez, que Lorenzo vai precisar de mais do que velocidade para lhe tirar a décima coroa.
 
Moto2
 
A Moto2 chega à Austrália com seu campeão definido. Impecável ao longo do ano, Johann Zarco faturou o título no Japão, ainda na sexta-feira, depois de Tito Rabat ser vetado pelos médicos por conta de uma fratura no braço.
 
 Apesar de o campeão já ter sido definido, a disputa segue, já que Álex Rins ainda ameaça o segundo posto de Rabat na classificação. O piloto Marc VDS vai se submeter a uma nova avaliação médica no fim de semana, mas a presença dele na prova não é garantida.
 
Moto3
 
A sempre disputada Moto3 conseguiu mais um recorde no último fim de semana, quando o top-6 fechou o GP do Japão separado por 0s242.
Danny Kent tem nova chance de conquistar o título neste fim de semana (Foto: Kiefer)
E, falando em disputa, Danny Kent terá mais uma chance de conquistar o título. Desta vez, aliás, o britânico está em uma condição melhor, já que, independente do resultado de Enea Bastianini, fica com o título se vencer ou for segundo em Phillip Island.
 
Além disso, o britânico ainda tem outras seis possibilidades de conquistar o Mundial na Austrália, mas, para isso, vai depender dos resultados de Bastianini e também de Miguel Oliveira para se tornar o primeiro britânico a vencer no Mundial de Motovelocidade desde Barry Sheene em 1977.

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