Prévia: palco de batalha épica, Barcelona vive expectativa de duelo Rossi x Lorenzo

Palco de um embate histórico entre Valentino Rossi e Jorge Lorenzo em 2009, o circuito da Catalunha volta a viver neste fim de semana a expectativa de um confronto entre a dupla da Yamaha. #46 e #99 estão separados por seis pontos na classificação do Mundial

A cobertura completa do GP da Catalunha no GRANDE PRÊMIO

Não poderia haver um circuito melhor para receber a MotoGP neste ponto da temporada. Depois de uma sequência de três vitórias consecutivas, Jorge Lorenzo recortou boa parte da vantagem de Valentino Rossi na liderança do Mundial e agora tem apenas seis pontos de atraso para o companheiro de Yamaha
 
Com Lorenzo no auge da forma e Rossi constantemente no pódio, os dois seguem para Montmeló como fortes candidatos ao triunfo, remetendo os torcedores ao já distante ano de 2009, quando a dupla do time dos diapasões protagonizou um dos melhores duelos da história do Mundial de Motovelocidade. 
Valentino Rossi vai precisar de uma melhor posição de largada para bater Jorge Lorenzo (Foto: Yamaha)
Naquela temporada, Rossi chegou a Barcelona na terceira colocação do Mundial, nove pontos atrás de Casey Stoner, o líder. Lorenzo vinha em segundo, com quatro pontos a menos que o então titular da Ducati. À época, Jorge ainda era aquele novato rápido — e arrogante —, disposto a tudo para tomar o #1 de Rossi. 
 
Valentino chegou em Montmeló logo após perder uma invencibilidade em Mugello que sustentava desde 2001 e sabendo que precisava frear os avanços do espanhol se quisesse lutar pelo título. Lorenzo, por sua vez, corria em casa e estava disposto a marcar território em um terreno até então dominado por Rossi. 
 
No dia da corrida, Lorenzo tinha um ritmo mais forte, mas Valentino encontrou um caminho para acompanhar o passo e se manter vivo na briga. Nas voltas finais, a dupla iniciou uma disputa de freada, mas era o espanhol que vinha à frente no último giro.
 
Partindo para o tudo ou nada, o #46 'inventou' um ponto de ultrapassagem na última curva da pista catalã, passando por dentro, em um espaço mínimo, para receber a bandeirada com 0s095 de vantagem. Na casa de Lorenzo, o italiano foi ovacionado pela torcida, que gritava em coro: ‘Rossi! Rossi! Rossi!’.
 
Mais do que um final de arrepiar para uma prova que entrou para a história da MotoGP, o GP da Catalunha de 2009 foi um ponto de virada para aquela temporada, já que serviu para que Rossi mostrasse a Lorenzo que não entregaria a coroa de mão beijada.
 
Com o triunfo em Barcelona, Rossi empatou com Lorenzo e Stoner em 106 pontos e assumiu a liderança do Mundial. Aquela prova, aliás, também foi um marco na relação de Casey com a Ducati, já que o piloto teve uma pausa forçada na carreira para tratar um problema de saúde — depois diagnosticado como intolerância à lactose.
 
Embora hoje a situação na tabela seja diferente, Rossi, mais uma vez, precisa de um ponto de virada, de algo que controle a confiança de Lorenzo. Mas, como toda boa história, tem sempre uma coisa que se repete. Desta vez, um fator extrapista.
 
Em 2009, Lorenzo apareceu em Montmeló com um capacete especial, uma homenagem ao Barcelona, que tinha acabado de conquistar o título da Liga dos Campeões em cima do Manchester United. No último sábado, o mesmo clube catalão conquistou mais uma vez a ‘Orelhuda’, agora jogando contra a Juventus.
Suzuki vai ter um novo motor em Montmeló (Foto: Suzuki)
Além das memórias daquele dia vitorioso na Catalunha, Rossi conta com outros números a seu favor. Apesar dos anos difíceis na Ducati e da fase de recomeço na Yamaha, o italiano segue como o piloto que mais vezes venceu no traçado catalão, tendo subido ao topo do pódio em nove oportunidades — uma vez nas 125cc, duas nas 250cc, uma nas 500cc e cinco na MotoGP. Com quatro triunfos — um nas 250cc e três na MotoGP —, Lorenzo vem na sequência, à frente de Max Biaggi — dono de quatro vitórias nas 250cc.
 
A Yamaha, que hoje aparece como a melhor moto do grid, é também a marca mais vitoriosa no circuito de Barcelona, somando sete triunfos, contra quatro da Honda e dois da Ducati.
 
Se nada disso for o suficiente, Rossi também poderá recorrer ao histórico de Lorenzo, que, pela quinta vez na carreira, venceu três provas seguidas. Entretanto, o espanhol nunca conseguiu aumentar esse número para quatro. 
 
 Muito embora o foco esteja na dupla da Yamaha, não se pode descartar Marc Márquez. É verdade que o espanhol não vive seu melhor momento, mas o bicampeão da MotoGP tem certo talento para surpreender.
 
A RC213V, claro, também não está no auge de sua forma, mas não dá para dizer que é uma moto ruim. O motor da Honda é um tantinho temperamental, mas se tem alguém que pode domar o touro japonês, esse alguém é o #93.
 
Do lado da Ducati, a fábrica de Borgo Panigale segue sendo uma presença constante no pódio da MotoGP e, se ainda não está pronta para voltar a vencer, certamente vai ter um papel chave na disputa pelo título.
 
Falando nisso, Dani Pedrosa também deve ajudar a colocar pimenta nessa mistura. Depois de pôr a sequência da carreira em risco por conta da síndrome compartimental, o espanhol recorreu a uma cirurgia e vem se sentindo mais forte a cada corrida. Muito em breve, o #26 deve voltar a ser uma ameaça na pronta.
 
A prova da Catalunha também deve trazer novidades nos boxes da Suzuki, já que o time de Aleix Espargaró e Maverick Viñales terá um novo motor nesse fim de semana — as fábricas estreantes ou com jejum de vitórias não estão sujeitas ao congelamento dos motores. 
 
De volta ao Mundial, a Suzuki não vem fazendo feio e, com um pouco mais potência, poderá brigar pelas posições imediatamente após o pódio. O time chefiado por Davide Brivio tem dois pilotos para lá de talentosos.
 
Em suma, o GP da Catalunha tem tudo para ser tão brilhante quanto o trio de ataque do Barcelona.
 
Moto2
 
Johann Zarco chega a Barcelona ainda como líder do Mundial, mas agora com Tito Rabat na segunda colocação, com 31 pontos de atraso. Tom Lüthi vem na sequência, com Sam Lowes e Jonas Folger fechando o top-5.
Johann Zarco é o único piloto que pontuou em todas as corridas de 2015 (Foto: Ajo)
Com bom ritmo desde o início do ano, Zarco aparece como favorito, até por ser o único a ter pontuado em todas as etapas disputadas até aqui. Entretanto, o piloto da Ajo, que poss um único pódio na pista catalã — o terceiro lugar do ano passado —, pode esperar por um Rabat mais forte. Depois de encerrar o jejum de vitórias, o dono do #1 deve aparecer bastante mais forte em sua prova de casa.
 
 Bem equipado com a moto da Speed Up, Lowes é também um candidato, com Lüthi correndo por fora após uma boa sequência nas últimas etapas.
 
Moto3
 
Embora seja uma categoria marcada por intensas disputas, a Moto3 também chega a Barcelona com um favorito claro: Danny Kent. Os 46 pontos de vantagem do britânico na liderança do Mundial representam a maior diferença na classe menor após os seis primeiros GPs do ano desde que Haruchika Aoki teve 52 pontos de vantagem para Stefano Perugini em 1995.
Danny Kent nunca venceu em Barcelona (Foto: Kiefer)
Assim como os demais pilotos do grid, Kent não tem vitória em Montmeló no currículo. Bem ao contrário, aliás. O titular da Kiefer tem como melhor resultado no circuito um 11º posto conquistado em 2011.
 
A esquadra espanhola, no entanto, deve aparecer bem forte neste fim de semana. Os pilotos com passaporte espanhol vencerem o GP da Catalunha nos últimos cinco anos.
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