Yamaha vê concessão em Valência e justifica veto a teste de Lorenzo com Ducati: “É esporte, mas não é caridade”

Diretor da Yamaha, Lin Jarvis justificou o veto da casa de Iwata à participação de Jorge Lorenzo em um teste privado programado pela Ducati para o fim de novembro como uma medida comercial. Dirigente avaliou que a fábrica de Iwata faz uma concessão ao permitir que o #99 teste em Valência, já que o contrato em vigor só expira em 31 de dezembro

A decisão da Yamaha de não liberar Jorge Lorenzo para participar de um teste privado da Ducati no fim de novembro foi a grande polêmica do fim de semana no Japão. Na sexta-feira (14), Lin Jarvis, chefe do time de Iwata, concedeu uma coletiva de imprensa confirmando o veto e justificando a opção da Yamaha.
 
Na quinta-feira, Lorenzo tinha declarado que esperava ser liberado para participar do teste coletivo de Valência, mas não escondeu a decepção com a barreira imposta por sua atual equipe a este segundo teste programado para Jerez de la Frontera.
 
Desde o ano passado, quando as regras foram flexibilizadas, os times retomaram testes privados no fim de novembro, antes de o bloqueio das fábricas entrar em vigor em 1 de dezembro. Assim, todas as marcas voltam à pista no fim do mês, seja em Jerez como a Ducati ou em Sepang como a Yamaha.
Lin Jarvis justificou veto da Yamaha a teste da Ducati com Lorenzo (Foto: Yamaha)

Atualmente, mesmo que todos os contratos de pilotos sejam válidos até o fim de dezembro, é uma prática comum dos times liberar os competidores para suas novas equipes e um veto não é visto desde que a Honda impediu Valentino Rossi de testar com a Yamaha no fim de 2003.

 

Entretanto, Jarvis entende que a posição da Yamaha de só permitir que Lorenzo teste a Desmosedici em 2016 em Valência é “razoável, correta e suficiente”.

 

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“Em relação ao teste de Jerez, acho que é melhor nos concentrarmos primeiro no teste de Valência, pois, por contrato, nenhum piloto da Yamaha tem o direito automático de testar por nenhuma outra fábrica — ou fazer qualquer coisa por outra fábrica — enquanto têm contrato com a Yamaha”, disse Jarvis. “Então os nossos contratos de pilotos vão sempre até 31 de dezembro e é assim com o contrato de Jorge. A razão para eles irem até 31 de dezembro é que isso não é só um esporte, é também um negócio”, defendeu.
 
“Para nós, para a Yamaha, nós gastamos muito dinheiro com os contratos de nossos pilotos e queremos um retorno do nosso investimento. Claro, você nunca sabe qual será o resultado de nenhuma temporada, mas a última coisa que você quer é que seu direito de usar seu piloto termine depois da última corrida”, explicou. “E isso não é só a Yamaha, na nossa rede global, mas todos os nossos patrocinadores e parceiros. Eles também se comprometeram a apoiar nosso time, com nossos pilotos, para poder usar a imagem e os benefícios dessa associação até o fim do ano”, seguiu.
 
“Então o que fizemos com o teste de Valência foi, no espírito da cooperação entre as fábricas e de um chamado — eu li de todas as formas em todos os tipos de declarações nos últimos dias — ‘acordo de cavalheiros’, deixar Jorge disponível para fazer dois dias de testes em Valência”, falou Lin. “Nós achamos que isso é razoável, que é correto e que é o bastante”, defendeu.
 
A posição da Yamaha foi bastante questionada pela imprensa nos últimos dias, especialmente pelo fato de que Maverick Viñales foi liberado pela Suzuki para testar não só em Valência, mas também em Sepang no fim de novembro.
 
Ao ser confrontado com este fato — e também com a permissão da Ducati para que Andrea Iannone teste pela Suzuki —, Jarvis respondeu: “Você conhece o contrato de Viñales? Você sabe se a Suzuki o está deixando livre especialmente para fazer o teste?”.
Jorge Lorenzo vai deixar a Yamaha no fim de 2016 (Foto: Yamaha)
“Eu também sei um pouquinho sobre o que acontece com contratos, e cada contrato é negociado baseado em certas condições”, citou. “Nossos contratos são negociados com a condição de que um piloto não está livre para fazer nenhuma outra atividade até o termino do acordo. Acho que alguns outros contratos de pilotos talvez sejam negociados para que o piloto esteja livre para fazer outras coisas. Assim, acho que cada contrato é diferente, cada contrato precisa ser entendido e respeitado”, observou.
 
“No caso de Jorge, e seria o mesmo com Valentino e etc., nós gastamos muito dinheiro com nossos contratos de pilotos. É um investimento muito, muito significativo para a Yamaha”, sublinhou. “É bem difícil explicar por qual razão você deixaria um piloto que ainda está pagando testar por vários dias para um de seus principais competidores”, apontou.
 
“Então estamos dispostos a jogar o jogo e estamos dispostos a fazer o que achamos que é normal: permitir que os pilotos tenham a exceção de escapar de seus contratos por dois dias em Valência. Mas, para nós, mais do que isso — é meio como se você oferecer a mão a alguém e te pedirem o braço”, comparou. “Nós achamos que dois dias já é uma boa concessão. Nós estamos confortáveis com isso. Nós discutimos isso com os executivos da Yamaha e esta é a decisão da nossa companhia”, resumiu.
 

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Pressionado sobre o ‘cavalheirismo’ de vetar um segundo teste, Jarvis foi enfático: “Acho que cavalheiros respeitam contratos. E se você puder me mostrar uma ocasião em que não fizemos isso, então pode questionar se somos ou não cavalheiros”.
 
Questionado sobre como a Yamaha se sentiu quando foi impedida de contar com Valentino Rossi ao fim da temporada 2003, quando a Honda impediu o #46 de testar com sua nova equipe até a virada do ano, Lin retrucou: “Naquela época, nós simplesmente aceitamos a decisão deles, porque eles tinham um contrato com Valentino Rossi”.
 
“Ele tinha passado vários anos com eles, venceu vários campeonatos com eles. Eles decidiram não deixá-lo testar com a Yamaha, pois não queriam dar a ele nenhuma vantagem competitiva”, recordou. “Mas ele não testou. Ele não foi liberado para testar em Valência. Nosso primeiro teste com ele foi em janeiro, em Sepang. Nós simplesmente aceitamos isso. Obviamente, a vinda de Valentino para a Yamaha foi uma grande vitória, então, por uma vitória tão grande, tudo bem começar em janeiro”, ponderou.
 
“Nós começamos em janeiro e fomos bem sucedidos no primeiro ano”, frisou. “Acho que, neste caso, você não pode comparar a situação de Valentino com a Honda com a posição de Jorge com a Yamaha. Nós estamos permitindo que ele faça os dois dias do teste de Valência. Nós achamos isso razoável”, avaliou.
 
Lorenzo, aliás, não é o único piloto contratado pela Yamaha que está de mudança em 2017. Assim, Pol Espargaró também deve participar de um único teste com a KTM até a virada do ano.
 
“A condição de Pol, talvez, seja um pouco diferente. Jorge é tricampeão pela Yamaha, uma estrela, altamente competitivo. A Ducati é altamente competitiva e, por isso, a situação dele — ele será um dos nossos principais rivais no próximo ano. Isso é um fato. Então nós também respeitamos isso. Pol não é um multicampeão da MotoGP e a KTM é uma novata, mas nós vamos aplicar a mesma política. Nós achamos que se aplicamos essa política a um piloto, somos obrigados a aplicar ao outro”, justificou.

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Questionado se a decisão de vetar um segundo teste de Lorenzo com a Ducati ainda em 2016 vai afetar o ambiente dentro do time, Jarvis avaliou: “Não realmente. Jorge talvez — me passaram as palavras dele na coletiva de imprensa — gostaria de ter a oportunidade de testar. Pois a missão dele é atingir a velocidade o mais rápido possível, para ser o mais rápido possível com a Ducati no próximo ano”.
 
“Mas no próximo ano ele será um dos nossos principais competidores. Então os desejos dele são diferentes dos nossos. Nosso desejo no próximo ano é tentar vencer a primeira corrida, e tenho certeza que a missão da Ducati é a mesma. Nós todos sabemos que a Ducati é muito forte no Catar, nós sabemos que Jorge é muito, muito forte no Catar”, comentou. “Então ele será uma séria ameaça na primeira corrida da próxima temporada”, previu.
 
“É esporte, mas não é caridade. Isso é um negócio. Nossos pilotos estão recebendo uma grande quantidade de dinheiro para terem uma performance de nível máximo para colocar nossa marca na frente”, falou Jarvis. “E é o mesmo para a Ducati. Ouvi que Gigi Dall’Igna falou sobre esportividade, mas acho que a missão da Ducati não tem só a ver com esportividade, eles querem ser competitivos. Eles fizeram um investimento enorme com Lorenzo e eles querem ser os mais rápidos e ajustar a moto o máximo possível durante o inverno para tentar vencer as primeiras corridas”, continuou.
 
“É direito deles fazer isso, mas não é nossa missão ajudar a Ducati ou tentar ajudar Jorge no futuro”, disparou. 
 
Além disso, Jarvis rebateu os rumores de que o veto da Yamaha é uma espécie de punição ao piloto de Palma de Maiorca.
 
“Nós temos uma boa relação com Jorge. Obviamente, mudou ligeiramente, isso é normal uma vez que alguém decide sair. Mas não tem animosidade. Eu li todos os tipos de teorias em fóruns da internet e em sites sobre possíveis problemas nos bastidores com a Yamaha, isso não é verdade”, assegurou. “Você pode criar a teoria que quiser, mas não há animosidade entre Lorenzo e nós. Ele entende que somos uma companhia profissional e um time profissional. Nós entendemos que ele quer sair e encontrar a velocidade o mais cedo possível. E ele entende que temos um contrato. É isso”, sublinhou.
 

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“Se coloquem no lugar da Yamaha. O que você faria se ainda estivesse pagando um piloto por sete semanas? Você permitiria que seu piloto passasse todo seu tempo pilotando tentando melhorar a performance do seu rival se você ainda estivesse pagando o contrato? Tente explicar isso aos seus acionistas, seus patrocinadores ou aos seus colegas. É assim que é”, observou.
 
“Achamos que Valência é a norma da indústria e nós achamos isso aceitável. Mas nada mais”, reforçou.
 
O dirigente afirmou, ainda, que é inviável que os contratos dos pilotos cheguem ao fim com a última corrida da temporada.
 
“Nós nunca vamos assinar um contrato que faça isso. E a razão é que, como eu disse, é um esporte profissional com muita coisa em jogo. Se você assina um contrato onde o piloto possa sair no fim da última corrida, como exemplo, o que acontece se Jorge for campeão no domingo em Valência?”, perguntou. “Quando você assina um contrato — e Jorge assinou dois anos atrás —, claro, esperamos que ele se torne campeão, como esperamos que Valentino se torne campeão. Você não pode pensar em assinar um contrato onde se o cara sai, todos os seus direitos de usá-lo, de explorar a imagem dele, terminem no dia seguinte. Isso é loucura”, resumiu.
 
Embora seja difícil rebater as alegações de Jarvis, muitos apontam o contraste na posição das fábricas, já que Viñales e Iannone, por exemplo, foram liberados por Suzuki e Ducati, respectivamente.
 
“Respeito cada fábrica, cada piloto e a forma como eles fazem seus contratos. Não tenho nada a dizer a respeito disso. Mas acredito que todos sejam diferentes e acho que cada país tem uma atitude diferente na forma como fazem seus negócios, comandam seus times e seus contratos”, ponderou. “A Yamaha sempre foi, e é, muito correta com seus contraltos com as pessoas em geral. Nós evitamos polêmicas. Se outros escolhem fazer coisas diferentes, que seja. Acho que o caso de cada um desses pilotos é bem diferente”, opinou.
 
“O fato é que até agora Valentino fez dois dias de testes [quando trocou a Yamaha pela Ducati], Ben Spies fez dois dias de testes [quando foi da Yamaha para a Ducati]. Nós aceitamos isso e acho razoável”, sublinhou. “De novo eu pergunto, se você continua a pagar um piloto até o fim do ano, você deveria permitir a esse piloto múltiplos dias de testes para tentar te vencer no próximo ano?”, indagou. 
 
Ao ouvir respostas como ‘se todos fazem’ e ‘se ele tivesse conquistado três títulos para mim’, Jarvis voltou a explicar o ponto de vista da Yamaha e ressaltou que o limite da marca dos três diapasões é o teste de Valência.
 
“Respeito essa opinião… A Yamaha não é uma equipe pequena. Isso é muito importante. Nós somos uma grande empresa multinacional com interesses ao redor do mundo. Nós precisamos proteger nossos interesses e investimentos. É o mesmo para os nossos patrocinadores. Já é um assunto delicado permitir que pilote em Valência, mas nós podemos defender e aceitar isso, porque é a norma da indústria. Mas, para nós, é aí que está o limite”, insistiu. “O teste de Valência se tornou parte das atividades de fim de temporada. De certa forma, é um show, porque está na TV. Eu, pessoalmente, não apoio o conceito do teste de Valência, pois é muito confuso que um piloto deixe de ser completamente da Yamaha para no próximo dia aparecer na imprensa com um macacão sem marca em uma moto sem marca, guiando por nossos rivais”, disse.
 
“De qualquer forma, o esporte é organizado assim e nós respeitamos isso”, minimizou. “Nós não estamos negando qualquer oportunidade de teste para Jorge e a Ducati. É só que ele vai ter de usar um de seus cinco dias [de testes privados] no ano que vem”, apontou.
 
“Você tem os testes oficiais e os testes privados. Você tem direito de fazer cinco testes privados [dias por piloto], qualquer lugar que queira fora do período de veto aos testes de inverno. Então se Jorge não testar a Ducati em novembro, então vai usar esses dias de testes privados em fevereiro. É só um atraso”, considerou. “Jorge disse na coletiva de imprensa: ‘Eu gostaria de fazer isso e acho que a Yamaha poderia ter feito isso, mas eu respeito qualquer que seja a decisão da Yamaha, porque sou um piloto de fábrica da Yamaha’”, lembrou.
 
“Acho, honestamente, que nós tivemos nove bons anos juntos, vencemos três títulos mundiais, temos uma relação muito forte e, quem sabe, talvez em dois anos ele queira voltar. Acho que Jorge gostaria de terminar com a Yamaha — e nós gostaríamos de encerrar com ele — da melhor maneira possível e vamos colocar todos os esforços para fazer isso”, assegurou. “Então espero que esse assunto não se estenda e seja maior do que é. No fim das contas, é uma decisão de negócios racional e, considerando a concessão que estamos fazendo, acho que a Yamaha está sendo razoável”, concluiu.

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