Retrospectiva 2019: com Fittipaldi e Petecof vices, brasileiros têm ano sem títulos importantes na base

A temporada de 2019 para os brasileiros que se aventuram pelas categorias de base no mundo não foi das mais fáceis. Sem títulos, os resultados não foram os ideias, mas muitos destacaram os aprendizados obtidos, principalmente, nos casos de estreias em campeonatos

A temporada 2019 dos pilotos brasileiros nas categorias de base do esporte a motor definitivamente não foi das mais fáceis. Vários bons pilotos se viram em situações de adaptação em novos carros, e nenhum título veio. O grande destaque mesmo ficou para Enzo Fittipaldi e Gianluca Petecof, que ficaram com vice-campeonatos na F-Regional Europeia e F4 Italiana respectivamente. Curiosamente, ambos perderam para dois dos nomes mais promissores do automobilismo: Dennis Hauger e Frederik Vesti.

Confira o balanço dos brasileiros:

Caio Collet: Vindo do título da Formula 4 Francesa em 2018, Collet – talvez o nome que mais guarde esperança de volta do Brasil à F1 – disputou a Formula Renault Eurocup em 2019. Ele assumiu ter passado por dificuldades no começo, graças às mudanças técnicas do carro, mas se recuperou durante a temporada. Foram seis pódios, sendo três nas últimas quatro corridas, e a quinta colocação na classificação final – mas o melhor entre os estreantes na categoria. 

Caio Collet é o estreante do ano na F-Renault Eurocup (Foto: Dutch Photo Agency)
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João Vieira: outro brasileiro na F-Renault foi João Vieira, mas sem o mesmo sucesso de Collet nesta temporada. Vieira fez o caminho inverso: começou muito bem, com dois pódios nas primeiras seis corridas, inclusive com um segundo lugar em Silverstone, mas caiu muito do meio para o final. Isso culminou em sua saída da JD Motorsport nas duas etapas finais.

Enzo Fittipaldi: a temporada inaugural da F3 Regional Europeia teve domínio do dinamarquês Frederik Vesti, que anotou 13 vitórias. Mas, logo abaixo dele na classificação, ieram dois brasileiros. Pela Prema, Enzo Fittipaldi foi o vice-campeão, com duas vitórias e nove segundos lugares. Membro do programa da Ferrar, ele planeja subir para a F3 em 2020.

Igor Fraga: já o outro brasileiro na F3 Regional Europeia foi o terceiro colocado na categoria: Igor Fraga. Piloto de eSports da McLaren, ele fez bonito com a DR Formula, principalmente no final do campeonato. Suas quatro vitórias vieram da quarta etapa em diante, dentre as oito disputadas. Ele levou uma prova no Red Bull Ring, outra em Imola, e duas em Monza, na etapa final, quando também obteve três poles. 

Enzo Fittipaldi e Igor Fraga na F3 Regional Europeia

Felipe Drugovich: campeão da Euroformula e da F3 Espanhola em 2018, Felipe Drugovich não teve o ano de estreia dos sonhos na F3 em 2019. Foi apenas 16°, com só oito pontos e um sexto lugar como melhor resultado. Por ter ficado à frente na tabela de seus dois companheiros de equipe, porém, o brasileiro analisou como um "ano de aprendizado" a difícil temporada.

Pedro Piquet: o outro brasileiro na F3 foi Pedro Piquet, e este teve desempenho melhor, com a subida para a F2 (pela Charouz) como consequência. Piquet foi quinto colocado na F3, com uma vitória em Spa-Francorchamps e outros dois pódios. Também foi o melhor – disparado – da Trident no campeonato, com seus companheiros em 12° e 25°.

Pedro Piquet (Foto: Zak Mauger/GP3)

Gianluca Petecof: o piloto de 16 anos fez jornada dupla em 2019: na F4 Italiana e na F4 Alemã. Teve desempenho melhor na primera, com o vice-campeonato. Nessa disputa direta, ele bateu por sete pontos o estoaniano Paul Aron – já que o título ficou com uma das revelações do ano, o norueguês Dennis Hauger, que fez 136 pontos a mais que o brasileiro. Foram quatro vitórias na temporada. Já na Alemanha, um ano mais difícil: apenas o quinto lugar, com triunfo apenas na abertura da temporada.

Christian Hahn: o jovem disputou a Euroformula e ficou no top-10 em 12 das 14 provas que terminou, o suficiente para terminar a competição no exato 10° lugar. Seus melhores resultado foram três quartos lugares – duas vezes em Barcelona e uma vez na Hungria.

Guilherme Samaia: na mesma Euroformula, Samaia chegou a ir ao pódio logo na primeira etapa, em Paul Ricard, e entregou bons resultados até a etapa seguinte, também na França. Fora do top-10 em Hockenehin e em Spa, acabou deixando o campeonato após sua metade.

Guilherme Samaia (Foto: Marcus Cicarello)

Gui Peixoto: foram três os brasileiros na F4 Americana, e Gui Peixoto esteve na DEForce Racing. Terminou em sexto o campeonato, com uma pole e dois pódios, todos em Mid-Ohio. Foram 14 top-10 (só não esteve lá em uma dentre todas as corridas que terminou) e foi o segundo melhor estreante do ano.

Arthur Leist: o segundo dos 'brazucas' por lá foi Arthur Leist, e ele ficou exatamente uma posição acima de Peixoto na tabela. Foram duas poles e duas vitórias (tudo em Pittsburgh e Virginia). Foi a segunda temporada de Leist na categoria, e ele ainda conseguiu um segundo lugar em Atlanta, além de um terceiro também na Virginia.

Kiko Porto: o melhor entre todos, porém, foi Kiko Porto. Ele foi vice-campeão, ficando atrás apenas do australiano Joshua Car. Foram três vitórias no ano (Atlanta, Pittsburgh e Mid-Ohio), além de outros cinco pódios. Foi um dos três pilotos a subir em todos os pódios de uma rodada tripla, em Atlanta – Car e José Blanco foram os outros que conseguiram tal feito. Foi o primero ano em que Porto disputou todas as etapas da F4 Americana. 

Kiko Porto em ação na F4 (Foto: F4)

Dudu Barrichello: Em seu primeiro ano na USF2000, Barrichello iniciou com desempenhos pouco chamativos pela Miller Vinatieri. Lutando por posições no top-10 na maioria das corridas, seu maior destaque foi um quinto lugar registrado em Indianápolis. Para as etapas de Portland e Laguna Seca, o brasileiro assinou com a DEForce Racing, e lá completou as quatro corridas realizadas entre os 10 primeiros, com destaque para a segunda etapa disputada em Monterey, onde voltou a fechar em quinto. Em 2020, correrá pela Pabst, equipe que teve o vice-campeão Hunter McElrea neste ano.

Bruna Tomaselli: Por sinal, a Pabst foi a equipe de Bruna Tomaselli na USF2000 em 2019. A brasileira esteve constantemente no top-10 das corridas, com destaque para um bom quinto lugar em Mid-Ohio. Em oitavo na classificação final, ganhou o prêmio pelo maior número de ultrapassagens ao longo do ano. Garantiu vaga para correr na W Series em 2020.

Bruna Tomaselli (Foto: Reprodução)

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