Coluna Power Stage: De volta à primeira paixão

Dois anos depois, muito mais maduro em todos os sentidos, terei o privilégio de voltar ao Sertões para a cobertura da histórica 20ª edição. É o retorno à minha primeira paixão como jornalista de automobilismo

Quando recebi o honroso convite do chefe Victor Martins para escrever uma coluna sobre rali no Grande Prêmio, a minha ideia inicial era abordar, principalmente, o WRC. A temporada 2012 tem sido marcada pelo incrível domínio de Sébastien Loeb, que parece como o vinho, quanto mais velho, melhor. Depois de mais uma vitória no último fim de semana, na Finlândia, o francês, de 38 anos, está cada vez mais próximo do épico eneacampeonato. Está nadando de braçada, é o melhor de todos os tempos, é o cara, é o fodão. É isso.

Qualquer adjetivo é pouco para definir um mito como Loeb. Exaltar seu desempenho acachapante nesta temporada é sempre válido, mas é meio ‘chover no molhado’. Esperemos pelo inevitável nono título para destacar mais um feito incrível no automobilismo, pois.

Com o WRC praticamente definido, preferi reservar o espaço na coluna Power Stage desta quinta-feira para abordar o retorno à minha primeira paixão desde que entrei nesta gloriosa casa: o Rali dos Sertões, que vai iniciar, na próxima semana, sua histórica 20ª edição. É um retorno que significa muito para este humilde escriba, devo dizer. Há dois anos começava minha jornada como profissional de imprensa, quando fui apresentado ao mundo do rali. Primeiro fiz a cobertura do Sertões Series lá em Avaré, em maio, até como forma de me preparar para o grande desafio que estava por vir.

E esse desafio chegou quase três meses depois, em agosto de 2010, quando, a convite da Dunas Race, organizadora do Rali dos Sertões, embarquei para a belíssima Goiânia para representar o Grande Prêmio na cobertura da 18ª edição da prova. Foram quase 5 mil km entre a capital de Goiás e Fortaleza, passando por Minas Gerais, Distrito Federal, Tocantins, Maranhão, Piauí e parte do Ceará.

É chegada a hora do desafio: dentro de alguns dias terá início o histórico 20º Rali dos Sertões (Foto: Facebook)

Desde Goiânia passei a ter uma dimensão real do que representa o Sertões, tanto para os pilotos, equipes de apoio e para o público que acompanhava a grande movimentação que antecedia o Super Prime, evento realizado em uma arena e que oficialmente abriu a competição.

Dali por diante, foram dez dias desbravando os sertões do Brasil. Tive a oportunidade de fazer várias entrevistas com o lendário Marc Coma, conheci craques gringos como David Casteu e Rafal Sonik, mas entrevistei grandes pilotos daqui, como Marcos Cassol e Riamburgo Ximenes. Vi a despedida de Zé Hélio Rodrigues do Rali dos Sertões ao mesmo tempo em que Felipe Zanol despontava como seu sucessor. Vi o retorno triunfal de Guilherme Spinelli ao Brasil após vencer grandes pilotos como Paulo Nobre, o Palmeirinha, e Klever Kolberg. Vi quatro competições em uma só — carros, motos, caminhões e quadriciclos. Vi uma prova formada apenas por vencedores, afinal, já era mesmo uma vitória para todos estarem ali.

Mas claro, um rali da dimensão do Sertões está muito além da esfera esportiva. Passei por muitos lugares que estão vivos em minha memória até hoje. Pude conhecer um pouco da realidade do povo sertanejo e suas muitas histórias de luta e superação. Estava diante de um Brasil até então desconhecido, belo e, ao mesmo tempo, cheio de contrastes. Pude ver o quanto um evento como o Rali dos Sertões é capaz de movimentar a economia das cidades que recebem as especiais da competição. Parece que todo mundo espera há tempos pela prova, a atmosfera é incrível, tudo é muito marcante.

Levando em conta a minha inexperiência jornalística na época, acho que consegui passar ao amigo leitor um pouco do que eu vi por lá. Sempre buscando trazer algo diferente, inusitado, marcante, emocionante, além da competição propriamente dita. Dois anos depois, muito mais maduro em todos os sentidos, terei o privilégio de voltar ao Sertões para a cobertura da histórica 20ª edição. É o retorno à minha primeira paixão como jornalista de automobilismo. Depois do primeiro Sertões, passei a acompanhar com muito mais atenção aquele universo diferente do rali, mesmo que de longe, como o WRC, Dakar, Mitsubishi Cup, Rali de Erechim, por exemplo. Valeu muito como aprendizado e também para ampliar meus horizontes.

Além da esfera esportiva, Rali dos Sertões traz histórias de luta e superação do povo sertanejo (Foto: Fernando Silva/Grande Prêmio)

E faltam poucos dias para o retorno. Mal vejo a hora de ir para São Luís para começar a escrever mais uma página nesta minha ainda curta vida jornalística. E mais importante que tudo isso é colocar o amigo leitor dentro do ambiente do Rali dos Sertões, do início, a partir do próximo dia 16, em São Luís, até o fim da prova, em Fortaleza, no dia 29. Vamos à luta. Aguante!

Nas trilhas do mundo

– Definitivamente, Sébastien Loeb e Daniel Elena não têm adversários no WRC. A vitória na Finlândia foi a sexta na temporada. Faltam agora cinco provas para a confirmação da lendária dupla no topo do Mundial de Rali pela nona vez. Paulo Nobre e Edu Paula terminaram em 38º;

– Com Skoda Fabia S2000, Andreas Mikkelsen e Ola Floene venceram o Rali da Romênia, oitava etapa do IRC (Desafio Intercontinental de Rali). A dupla está praticamente com o título assegurado e soma 132 pontos. Jan Kopecky e Pavel Dresler estão bem mais atrás, com 83;

– Novamente o mundo do rali esteve sob a sombra da morte. No dia 22 de julho, na Itália, Valerio Catelani, de 37 anos, e sua navegadora, Daniela Bertoneri, de 24, morreram carbonizados após o Peugeot 207 S2000 da dupla escapar numa curva, cair numa ribanceira e pegar fogo na especial de Brancoli do 47º Rali Coppa Città di Lucca;

– E na última quarta-feira, outra dupla italiana perdeu a vida na disputa de um rali. Francesco Cascone, de 26 anos, e Vittorio Canestaro, de 51, sofreram um acidente a bordo de um Renault Clio no Rali di Santopadre, na região de Frosinone. Com a batida, ambos caíram em uma ribanceira de 3 m de profundidade e não resistiram aos ferimentos;

– Tá certo que o rali, como qualquer outro esporte a motor, é perigoso. Mas quando acontecem quatro mortes em um curto espaço de tempo, existe algo de muito errado.

Nas trilhas do Brasil

– No último fim de semana foi disputada a terceira etapa da temporada 2012 da Copa Peugeot, o Rali do Vale do Paraíba, na região de São José dos Campos. Na categoria 207 Super, Rafael Túlio e Gilvan Jablonski venceram nos dois dias de competição. Faltando duas etapas para o fim do campeonato, a liderança é de Fabio DallAgnol e Gabriel Morales, com 62 pontos, contra 48 do duo vencedor no Vale do Paraíba;

– A Mitsubishi Cup realizou, no último 28 de julho, sua quinta etapa em 2012, entre Mogi Mirim e Mogi Guaçu, interior de São Paulo. E na categoria principal, a L200 Triton RS, melhor para Cristian Baumgart e Beco Andreotti, que somaram 43 pontos. Quem lidera a temporada, no entanto, é o irmão de Cristian, Marcos Baumgart, que ao lado de Kleber Cincea, soma 173 pontos, contra 166 dos vencedores da última etapa.

Rally Food

Mesmo contando com uma dupla de pilotos pra lá de competente, fato é que a Ford não anda lá muito bem das pernas no WRC. Mas não é por falta de boa comida, claro. É só ver o esmero com que o cozinheiro da equipe preparou o rango do pessoal lá na Finlândia. E com direito a uma cerveja Guinness. Vida boa!
 

Pelo menos na cozinha, a Ford WRC está muito bem servida (Foto: Ford WRC/Facebook)

 

 

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