De Mogi Guaçu a Barreirinhas e etapa Maratona no início: o roteiro do Sertões 2020

Com homenagem a Renê Melo e Paulo Gonçalves, campeões do Sertões que morreram neste ano, o maior rali das Américas vai desbravar os confins do Brasil ao longo de 4.629 km de percurso total, sendo pouco mais de 2 mil km de trecho cronometrado, as chamadas especiais

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Depois de tantos meses de trabalho para fazer acontecer uma competição de dimensões tão amplas pelo Brasil em meio a um ano impactado diretamente pela pandemia do novo coronavírus, o Sertões deu a largada para a 28ª edição da sua história na última sexta-feira (30) com o prólogo realizado na estrutura do autódromo Velocitta, em Mogi Guaçu. Desta vez, com um formato diferente, em que as cidades vão ser reveladas aos competidores, imprensa e equipes de apoio somente na véspera da chegada, a caravana do maior rali das Américas acelera com a missão de se manter em bolhas para assegurar o distanciamento social, tão fundamental nos tempos em que é preciso se cuidar e cuidar do semelhante para evitar a propagação e o contágio da Covid-19.

A partir deste sábado, pilotos e navegadores iniciam a jornada em Mogi Guaçu e que terá destino final exatamente uma semana depois, em Barreirinhas, cidade localizada nos paradisíacos Lençóis Maranhenses. Ao todo, vão ser sete especiais, sendo que o domingo vai ser reservado para que a caravana do Sertões faça um longo deslocamento para chegar até Brasília, onde a competição vai ser retomada na manhã de segunda-feira.

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JOAQUIM MONTEIRO; SERTÕES;
Joaquim Monteiro é o CEO do Sertões (Foto: Mídias Sertões)

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Dentre as complexidades desta edição, cujo roteiro foi novamente projetado pelo diretor de provas Du Sachs, os pilotos vão encarar a temida etapa Maratona logo na segunda-feira. Nesta modalidade de especial, os competidores não podem contar com ajuda externa das equipes, de modo que toda a manutenção do veículo deve ser feita exclusivamente por pilotos e navegadores.

As duas etapas Maratona de 2020 trazem no nome homenagens a competidores que fizeram história no Sertões. A primeira parte, na segunda-feira, levará o nome de Renê Melo, que morreu em maio neste ano, vítima de câncer. Em 2001 e 2002, o piloto venceu ao lado do irmão, Marcus, o Sertões na disputa dos carros na classe Production. A etapa de terça-feira leva o nome de Paulo Gonçalves, piloto português que triunfou no rali em 2013. ‘Speedy’ Gonçalves perdeu a vida em janeiro deste ano durante disputa do Dakar, na Arábia Saudita.

Outro ponto que chama a atenção no roteiro está reservado para a sétima e derradeira especial. Isso porque serão nada menos que 300 km de especial em meio a um percurso total de 532 km, o que vai exigir atenção dos competidores até a zona de meta na chegada a Barreirinhas.

E por conta da mudança de data, com o Sertões sendo realizado pela primeira vez nesta época do ano, a chuva tende a ser uma protagonista ao longo da prova. Desde sexta-feira, em Mogi Guaçu, a prova tende a ter piso molhado, o que deve tornar o rali ainda mais desafiador para quem encarar as trilhas nos próximos dias.

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SERTÕES; CRISTIAN BAUMGART; BECO ANDREOTTI; PRÓLOGO;
Cristian Baumgart e Beco Andreotti abriram na frente o Sertões 2020 nos carros (Foto: Vinícius Branca/Sertões)

A descrição de cada uma das etapas é fornecida pela Honda Racing. Quanto às distâncias, 4.629 km de percurso total e 2.024 km de trecho cronometrado, estas são apontadas pela organização do Sertões e estão sujeitas a alterações.

Etapa 1: Velocitta até ponto do deslocamento para Bolha 1
31 de outubro, sábado
Deslocamento inicial: 260 km
Trecho cronometrado: 205 km
Deslocamento final: 120 km
Total: 585 km

O rali começa atravessando uma região montanhosa e em estrada de piçarras. Logo no km 30, há a perspectiva de uma subida de serra, com lajes de pedra e abismos de todos os lados, onde a navegação vai ser fundamental. Já a partir do km 100, os pilotos e navegadores vão se deparar com estradas vicinais bastante estreitas dentro de pequenas fazendas. Já o trecho final, de 20 km, tende a ser o mais rápido da especial.

Deslocamento até Bolha 1/DF: 580 km

1º de novembro, domingo
Dia de deslocamento e manutenção

Etapa 2: Bolha 1/DF a Bolha 2/GO – 1ª parte etapa Maratona ‘Renê Melo’
2 de novembro, segunda-feira
Deslocamento inicial: 166 km
Trecho cronometrado: 353 km
Deslocamento final: 0 km
Total: 519 km

O Sertões vai atravessar um divisor de águas logo no começo da edição 2020. O trecho cronometrado de pouco mais de 350 km sem ajuda externa das equipes de apoio em caso de manutenção dos veículos. A expectativa é que o trecho tenha um início rápido, mas vai se tornar mais exigente com uma subida de serra em trial. No alto, os competidores vão seguir pelo topo da serra, permeado por lajes de pedra até a fazenda. Na segunda parte da especial, já na saída da fazenda, as velocidades vão ser maiores, mas o trecho traz a presença de fesh fesh, aquela areia fina como um talco. Haverá ainda uma travessia por um rio até chegar a uma pista de característica travada e estreita. Nos últimos 50 km, a velocidade volta a subir até uma zona de radar, culminando no parque de apoio que marca o fim da especial.

SERTÕES 2020; HELENA SOARES; CLAUDIA GRANDI;
Claudia Grandi e Helena Soares na rampa do prólogo do Sertões (Foto: Vinícius Ferraz/Shez)


Etapa 3: Bolha 2/GO a Bolha 3/GO – 2ª parte etapa Maratona ‘Paulo Gonçalves’
3 de novembro, terça-feira
Deslocamento inicial – 0 km
Trecho cronometrado: 200 km
Deslocamento final: 169 km
Total: 369 km

A expectativa é que a terceira especial do Sertões 2020 seja bastante completa, com trechos de velocidades baixas, médias e altas. Novamente, há a previsão de um trecho de subida íngreme em serra, com muitas pedras, depressões, pontos sem visão, sinuosos e com abismos dos dois lados. Depois de muito sobe e desce, na metade da especial, começa o trecho de descida, com mais fesh fesh. Haverá duas passagens por rios e mais uma descida íngreme no fim em trecho de piso de pedras e cascalhos no último dia completo em Goiás.

SERTÕES; PRÓLOGO; TUNICO MACIEL;
Tunico Maciel em ação no prólogo desta sexta-feira no Velocitta (Foto: Vinícius Branca/Sertões)

Etapa 4: Bolha 3/GO a Bolha 4/TO
4 de novembro, quarta-feira
Deslocamento inicial: 26 km
Trecho cronometrado: 329 km
Deslocamento final: 286 km
Total: 641 km

A expectativa é que o dia comece ao estilo das etapas do Mundial de Rali, com trechos muito rápidos. Mas a especial traz a tendência de ficar mais lenta com trechos de mata-burros, pedras e pontes, com medição de velocidade por radar. Segundo a prévia, o maior desafio vai ser no trecho de 60 km de muita areia, quando a navegação vai ser decisiva. Depois do abastecimento, os competidores vão ter de lidar com um trecho típico de cerrado antes de completar a especial com curvas de alta e piso formado por piçarra.

Etapa 5: Bolha 4/TO a Bolha 5/MA
5 de novembro, quinta-feira
Deslocamento inicial: 103 km
Trecho cronometrado: 337 km
Deslocamento final: 172 km
Total: 612 km

A quinta-feira vai marcar o regresso do Sertões ao seu coração: o Jalapão. A especial vai ser de altas velocidades em um trecho de areia, mas vai ficar mais lenta por conta de um terreno arenoso mais pesado até metade do trajeto, quando chega enfim ao Jalapão. A especial termina novamente em terreno de piçarra e, de novo, com altas velocidades.

SERTÕES 2020; NELSINHO PIQUET;
Nelsinho Piquet é uma das atrações do Sertões 2020 (Foto: Cadu Rolim/Shez)


Etapa 6: Bolha 5/MA a Bolha 6/MA
6 de novembro, sexta-feira
Deslocamento inicial: 126 km
Trecho cronometrado: 300 km
Deslocamento final: 365 km
Total: 791 km

O Sertões vai chegar na sexta-feira ao seu dia mais longo e, por que não dizer, decisivo. Na passagem pelo Maranhão, há previsão de passagens por estradas de médias velocidades, mas os trechos vão ser mais estreitos e complicados com o desenrolar da especial. O trecho cronometrado também vai contar com setores de muita velocidade antes de ser concluído em terreno arenoso.


Etapa 7: Bolha 6 a Barreirinhas (MA)
7 de novembro, sábado
Deslocamento inicial: 222 km
Trecho cronometrado: 300 km
Deslocamento final: 10 km
Total: 532 km

Apesar de ser o dia final de Sertões, pilotos e navegadores não vão ter moleza. Isso porque o sábado antes da chegada a Barreirinhas vai ser formado por muita areia, o que vai novamente exigir muito da navegação. O começo da especial será até um pouco travado, em piçarras, mas vai ficando arenoso ao passo em que o percurso passa por pequenos riachos, com a tendência de estar seco no dia da especial. Depois do abastecimento, previsto para metade da etapa, aí é que as dificuldades serão críticas por conta da areia e da navegação. Com muitos waypoints a serem cobertos, qualquer erro pode colocar tudo a perder.

SERTÕES 2020; MARCELO CAIANO
Marcelo Caiano, a voz do Sertões (Foto: Vinícius Ferraz)



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