Guimarães deixa monopostos de vez, abre ciclo e alcança nova meta ao seguir no automobilismo na Stock Car

No fim de 2014, Felipe Guimarães consolidou seu retorno ao automobilismo tupiniquim e fez sua estreia no Campeonato Brasileiro de Turismo. Quase um ano depois, o goiano radicado em Brasília alcança seu novo objetivo depois que deixou para trás o sonho da F1. Ele faz, neste fim de semana, sua estreia como piloto da Stock Car. E só quer olhar para a frente

Felipe Guimarães despontou no começo da década como uma das grandes promessas do automobilismo brasileiro. O jovem goiano nascido em Anápolis participou com bom destaque na F3 Sul-Americana, chegou à A1 GP, foi aos Estados Unidos para correr na Indy Lights e regressou à Europa para correr na GP3. Sem patrocínio, voltou ao Brasil e tornou-se o último campeão da F3 Sul-Americana, em 2013. Entretanto, o raquítico grid de uma categoria que raramente alinhava mais de dez carros por corrida acabou por atrapalhar sua evolução na carreira. Tanto que buscou correr, no mesmo ano, também na F3 Inglesa, que já vinha em decadência, mas ainda assim conseguiu trilhar o caminho das vitórias.

E quando assumiu o desafio de encarar a fortíssima F3 Europeia, em 2014, Felipe nem de longe contava com a melhor equipe e, depois de disputar seis rodadas triplas, acabou por encerrar seu contrato com a Double R ainda no meio da temporada e regressou ao Brasil para construir uma nova história de olho em um novo objetivo. Quase um ano depois de fazer sua estreia no Campeonato Brasileiro de Turismo pela mesma Hitech pela qual foi campeão sul-americano de F3, Guimarães alcança sua nova meta e vai alinhar o seu #66 no grid da Stock Car neste fim de semana, no Autódromo Internacional Curitiba.

Em 2013, Guimarães conquistava o título da F3 Sul-Americana. Hoje, começa sua carreira na Stock Car (Foto: Bruno Terena/Vicar)

Na etapa paranaense, Guimarães vai correr apenas na Stock Car. Nas provas em Tarumã e em Interlagos, ao fim do ano, o piloto vai cumprir seu compromisso com a equipe W2 Racing no Brasileiro de Turismo, na qual ocupa o oitavo lugar na classificação, e vai conciliar a categoria de acesso com a Stock Car pela Boettger.

Em entrevista ao GRANDE PRÊMIO, o piloto de 24 anos se mostrou bastante feliz por estar na categoria tão almejada depois de deixar para trás o sonho de triunfar nos monopostos. “Meu objetivo não é mais a F1, a Indy… minha meta agora é aqui na Stock Car. Acho que persegui esse sonho até onde deu, até onde as circunstâncias me permitiram”, disse o piloto, que ressaltou algumas chaves que fizeram mudar os rumos da sua trajetória.

“Patrocínio foi um dos fatores. Eu tinha de estar na Europa o tempo inteiro, e a idade também foi uma questão. Eu já tinha passado um pouquinho. Não que eu esteja velho, mas passou um pouco a idade, principalmente pelo histórico dos pilotos que estão subindo. Então, por isso eu decidi correr aqui no Brasil”, disse.

Humilde, Felipe não traça como objetivo para o fim de semana a busca por resultados. Se eles vierem, melhor ainda para uma estreia, mas se trata muito mais de ganhar a maior quilometragem possível com o carro cheio de manha como é o da Stock Car.

Depois de quase um ano de transição no turismo, Felipe chega ao objetivo: correr na Stock Car (Foto: Divulgação)

“Andei pela primeira vez no carro no shakedown hoje pela manhã. Gostei bastante, achei que ficaria mais impressionado com a velocidade. Mas acho que até me adaptei bem rápido. Neste fim de semana, eu estou mais com a intenção de aprender, tirar o máximo do carro, tirar o máximo de informação. Não estou pensando em resultados ou coisa assim, mas sim em aprender. E desenvolver a minha performance aqui. É claro que se os resultados vierem serão muito bem-vindos”, destacou.

Guimarães ressaltou que ainda vive um processo de transição dos monopostos para o ambiente dos carros fechados e, nisso, a disputa do Brasileiro de Turismo tem sido fundamental.

“O meu objetivo para este ano era fazer o Brasileiro de Turismo e adquirir experiência, especialmente porque sempre andei em monopostos, e isso é bem diferente. E eu me destaquei no Brasileiro de Turismo e agora a meta é ir mesmo para a Stock Car. E nada melhor do que fazer essas três últimas etapas para começar mais preparado no ano que vem se tudo der certo”, afirmou Felipe, já sonhando em abrir 2016 de forma definitiva no grid da principal categoria do Brasil.

Felipe Guimarães guiou o #66 nesta sexta-feira e destacou rápida adaptação (Foto: Divulgação)

“Acho que o Brasileiro de Turismo foi essencial, adquiri experiência. Pude acumular bagagem de corrida e tudo mais. Aqui é diferente do monopostos, que você anda muito no limite. Aqui você precisa encontrar o limite do carro. Então, foi muito bom ter feito o Brasileiro de Turismo. E, sim, acho que estou pronto para encarar a Stock Car. Existe uma diferença de potência, o carro é mais no chão e freia mais. Além disso, é aqui onde estão os melhores pilotos”, vibrou Guimarães, satisfeito por estar na elite do automobilismo nacional.

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