“Introspectivo como humano, mas experiente como piloto”: como Di Mauro é visto pelo novo chefe na Stock Car

Gaetano Di Mauro surpreendeu na abertura da Stock Car, ao alcançar o Q3 no treino de classificação ao lado de pilotos muito mais experiente - na carreira e na categoria. Se está 'solto' quando no carro, o jovem ainda sofre quando encara microfones, por exemplo. Mas Maurício Ferreira, chefe da Full Time, parceira da Shell Helix Ultra, explica como seu comandado lida com tais situações

Uma das histórias a serem observadas na temporada 2019 da Stock Car é a de Gaetano Di Mauro: piloto da Academia Shell, o jovem de 21 anos foi ao Q3 no treino de classificação logo na sua primeira corrida como titular, no Velopark, e também fez com que a patrocinadora se esforçasse para conseguir parceria com a Full Time para que ele tivesse espaço no grid.

Se começou honrando tal busca, já é bem visto também pelo chefe da nova equipe. Agora na Shell Helix Ultra, que divide os boxes com a Full Time, Di Mauro é tratado como "pupilo" por Rubens Barrichello, que o apresentou à equipe há cinco anos, e passa por cuidados para que não se deslumbre com os bons resultados, conta Maurício Ferreira.

Galid Osman e Gaetano Di Mauro com Maurício Ferreira (Foto: Divulgação)

"Minha relação com o Gaetano vem de alguns anos", disse Ferreira. "Ele esteve na nossa equipe do Brasileiro de Marcas para aprender um pouco. Foi a pedido do Rubens (Barrichello), um cara que gosta muito dele e que sempre disse que era um garoto de futuro. O Rubens disse ‘dá uma força para ele’. Nós tínhamos uma equipe no Marcas à época, ele fez uma visita, e eu mostrei para ele o que era o carro. E ali criou uma empatia maior, digamos assim."

"Ele fez a Light (Brasileiro de Turismo, foi vice) em 2017, e eu acho que o regulamento prejudicava demais o líder do campeonato, ele correu o ano inteiro com 80kg (de lastro) e ficou difícil ele entregar o resultado do qual ele era merecedor, já no programa Shell", seguiu.

Para ele, essa história do início da relação ajuda a entender o trabalho que se faz com o piloto na atualidade: "Quando você vai criando uma história com a pessoa vai ficando um pouco mais íntima e tende a se soltar um pouco mais. Ele é um cara introvertido, tímido, mas como ser humano – como piloto, parece um cara experiente."

Gaetano di Mauro (Foto: Duda Bairros)

Ele diz isso pois Di Mauro ainda demonstra certa timidez no contato com a imprensa – mas parece mais solto dentro da equipe, mesmo que aos poucos, segundo o dirigente. 

"É um menino que realmente me parece vir preparado acima da média, pela história, experiência, pelo seu talento. Nunca é uma coisa só. O piloto é uma somatória de fatores. A soma dele é de um nível bastante alto, uma média bastante alta. Ele é um piloto muito experiente, mas como ser humano é introspectivo. Mas como temos essa convivência de alguns anos, acho que isso fez bem para ele. Ele se sentiu bem na equipe, na oficina."

Gaetano di Mauro (Foto: Duda Bairros)

O plano, agora, é "deixá-lo cada vez mais solto", mas contar com a ajuda da família para que resultados como a ida ao Q3 no Velopark, ao lado de Rubens Barrichello, Marcos Gomes, Nelsinho Piquet, Thiago Camilo e Daniel Serra, nomes dos mais fortes do país, não deixem Di Mauro deslumbrado.

"Mas é importante que ele mantenha um pouco disso, dessa timidez. Para que ele não fique um cara que acha que sabe mais do que o tempo vai ensiná-lo."

"Isso é um trabalho muito bom e bem feito pela família. Me parece que o pai faz esse trabalho de humildade sempre, de pés no chão sempre. É um conceito nosso e está muito, também, no conceito Shell. Acho que por isso que nos procurou. É uma somatória de coisas que está dando certo. Com os pés no chão ele vai crescer. E, se em algum momento ele se deslumbrar, a gente vai trazê-lo de volta à terra e dizer ‘filho, você não tem experiência ainda’. Então tem tudo para dar certo", finalizou Ferreira.

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