Lições com Barrichello, alegrias e decepções: Di Mauro explica ano de estreia na Stock Car

Gaetano di Mauro viveu um intenso ano de estreia na Stock Car. Da alegria por uma classificação surpreendente na primeira corrida da temporada ao quarto lugar em Campo Grande, seu melhor resultado, e a tristeza por praticamente não correr na etapa derradeira, o piloto da Academia Shell Racing ressaltou o aprendizado dentro da pista e, fora, as lições assimiladas com os experientes companheiros de equipe Rubens Barrichello e Nelsinho Piquet

Por meio da Academia Shell Racing, Gaetano di Mauro abriu 2019 com a tão sonhada chance de disputar sua primeira temporada completa como piloto da Stock Car. Exímio kartista e multicampeão brasileiro da modalidade, o jovem paulistano brilhou nas categorias de base desde que migrou para o turismo tão logo ingressou no projeto que mais revela pilotos no esporte a motor nacional, em 2017. Depois de muitas vitórias e os vice-campeonatos do antigo Brasileiro de Turismo (hoje Stock Light) e da Porsche Carrera Cup 3.8, era chegada a hora do grande passo da sua carreira: fazer parte do grid da principal categoria do automobilismo do Brasil e estar ao lado de alguns dos maiores pilotos do país.
 
Em 2019, Di Mauro assinou com a Full Time para defender a Shell Helix Ultra, tendo como companheiro de equipe Galid Osman, um dos novos integrantes da Academia Shell Racing nesta temporada. Além de Osman, o novato contou ao seu lado com Nelsinho Piquet e Rubens Barrichello como colegas na equipe chefiada por Maurício Ferreira e com sede em Vinhedo, interior de São Paulo. 
 
Com apenas 21 anos, Gaetano iniciou sua trajetória na prova que abriu o campeonato. Uma corrida histórica, a 500 da Stock Car. Foram 21 corridas, entre abril e dezembro. Di Mauro viveu grandes momentos, como a entrada no Q3 logo na sua primeira corrida no ano, no Velopark, e a jornada muito forte em Campo Grande, onde largou em quinto e chegou em quarto, obtendo seu melhor resultado na categoria. 
Gaetano di Mauro foi um dos destaques da classificação da etapa inaugural do ano, no Velopark (Foto: José Mário Dias/Shell)
Por outro lado, Gaetano também viveu dissabores, sendo o maior deles o ocorrido no último fim de semana da Grande Final, em Interlagos, onde praticamente não correu. Mesmo assim, graças aos resultados obtidos ao longo de 2019 — quatro top-10 —, Di Mauro fechou seu campeonato de estreia na Stock Car como Estreante do Ano. Um grande impulso já visando 2020.
 
No fim das contas, 2019 foi de muitos ensinamentos ao paulista, que completou 22 anos em 1º de julho deste ano. 
 
“O ano de 2019 foi de muito aprendizado. A Stock Car é uma categoria muito competitiva, onde você tem de compreender muito bem o contexto de todo o fim de semana para poder andar na frente. Começando pelas estratégias, pelos treinos, que são poucos… Então você tem de aproveitar ao máximo o pouco tempo que tem de pista. Com certeza, foi um ano de muito aprendizado e que me preparou para 2020”, explicou o piloto da Shell Helix Ultra ao GRANDE PRÊMIO.
 
Gaetano não tem dúvidas em elencar as maiores lembranças vividas neste ano de debute na Stock Car. “O melhor momento, além da minha quarta colocação em Campo Grande, foi na primeira corrida, onde consegui passar para o Q3 em uma condição de pista em que só eu, do meu grupo, passei. Com certeza, vai ficar guardado na minha história: um primeiro contato naquela pista, na chuva, foi emocionante para mim”, contou.
Gaetano di Mauro acumulou muito aprendizado em seu ano de estreia na Stock Car (Foto: José Mário Dias/Shell Racing)
A última corrida de uma temporada é sempre uma oportunidade valorizada pelos pilotos, que buscam sempre fechar o campeonato em boa forma. Gaetano, no entanto, sequer teve tal oportunidade por conta de problemas tanto na classificação como também na largada. Di Mauro lastimou o duro revés sofrido em Interlagos no último domingo porque mostrou ter performance para buscar um grande resultado.
 
“O momento mais complicado do ano foi nesta última corrida. Foi um fim de semana em que eu estava muito bem, numa pista em que liderei também treinos da Corrida do Milhão e também não consegui concretizar [na classificação] por conta de óleo na pista. Desta vez, foi um pouco diferente: liderei o último treino antes da classificação”, recordou.
 
“A gente tinha um carro muito rápido, com tudo certo para fechar o ano com o pé direito, mas tive um problema no câmbio e não consegui fazer a classificação. Larguei de último, mas não consegui nem passar da segunda curva da pista. São momentos tristes porque não consegui concretizar nosso potencial no fim de semana. Enfim, não era nosso momento”, recordou Gaetano.
 
Em momentos assim, Gaetano precisou ter muita resiliência, capacidade de dar a volta por cima e seguir em frente. E para um novato em uma categoria tão competitiva e muito difícil em seu primeiro ano, Di Mauro contou com um privilégio e tanto: ter companheiros de equipe cheios de história e experiência como Rubens Barrichello e Nelsinho Piquet.
 
“Alguns dos maiores ensinamentos que tive foi estando ao lado do Nelsinho e do Rubinho, que são pilotos bem experientes, de experiência na F1. Aprendizado no sentido de entender que o automobilismo tem momentos de altos e baixos, e que isso pode mudar a cada momento”, recorda o piloto, que nesta temporada usou o #11 em seu carro.
Gaetano di Mauro lastimou a forma frustrante como terminou a temporada (Foto: José Mário Dias/Shell Racing)
“Eles me ensinaram muito a ter esse foco de livrar esse momento ruim da cabeça e trazer algo bom, aproveitar isso. Com certeza, eles passaram muito por isso na vida. Consegui absorver muito disso com eles”, explicou.
 
Di Mauro também citou a chance de trabalhar com seu primeiro chefe de equipe no seu ano de estreia na Stock Car. “Trabalhar ao lado do Maurício Ferreira foi muito bom para mim. Aprendi muito sobre como funciona um fim de semana de corrida, a gente teve muito foco em dados, na evolução…”.
 
Enquanto já pensa em 2020 e no seu segundo ciclo na categoria pela equipe chefiada pelo preparador Mauro Vogel, que já lapidou talentos como Thiago Camilo e Felipe Fraga, Gaetano reforça o que foi mais importante neste ano tão crucial para sua carreira no automobilismo. “Foi um ano de muito ensinamento e que vou carregar para todos os meus anos em que ficar na Stock Car e na carreira como um todo”, concluiu.

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