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Stock Car revela que cogitou abolir rodada dupla em 2019 por “menos estratégias e mais disputas diretas”

As rodadas duplas da Stock Car podem ser boas para estratégias de pista, mas muitas vezes não são bem compreendidas pelo público - e, mais ainda, por aqueles que começam a assistir a categoria e que, pela confusão, podem acabar 'largando'. Por isso, a promotora do campeonato pensou em abolir tal sistema - mas a “democratização” da exposição das marcas acabou vencendo o argumento

Grande Prêmio / FELIPE NORONHA, de São Paulo
A Stock Car tem, por etapa, dois pódios: o primeiro, da corrida que abre o final de semana, tem os pilotos festejando pouco, sem jogar champagne um nos outros, pois precisam voltar ao carro logo em seguida; e o segundo, da corrida 2, mais festivo, já que a etapa se encerrou, mas com menos pontos a serem celebrados.

Esse contraponto quase foi encerrado para a temporada 2019 da categoria, revelou Carlos Col, diretor da Vicar, a empresa que promove a Stock Car. Mas acabou sendo voto vencido por uma razão; a "democratização" da visibilidade dos patrocinadores.

A questão é: na atualidade, o maior campeonato do automobilismo nacional vê pilotos brigando mais por duas quartas colocações, por exemplo, do que por uma vitória - mais difícil de ser alcançada, mas que vale o mesmo número de pontos de quem chega duas vezes em quarto. Como combater isso, fazer com que as corridas sejam menos "estratégicas", e mais de "briga corpo a corpo"?

Col revelou que tem buscado esse ponto, mas que a chance de equipes menores conseguirem que seus patrocinadores apareçam mais, principalmente por causa da inversão de grid (na qual o 10° da corrida 1 larga na pole da seguinte) ainda dá a voz final.
Stock Car na etapa de Goiânia (Foto: Duda Bairros/Vicar)
"Concordo, concordo (que seja um pouco confuso o sistema). Tem alguns lados a serem considerados, já tive essa discussão internamente com as equipes. Sou adepto de que a competição tenha o entendimento o mais fácil possível. Você não pode gostar de uma competição se você não estiver entendendo ela, ou se você tiver dificuldade em entendê-la", disse o dirigente.

"Então quanto mais direta e objetiva seja a competição para o entendimento, eu entendo que seja melhor. E o que o público quer ver é o 'ombro a ombro'. Não é quem fez a melhor estratégia, não é quem economizou pneu, não é quem economizou combustível. É o embate", seguiu.
Carlos Col, promotor da Stock Car (Foto: Stock Car)
Para ele, se é melhor para o público que seja uma corrida só, para as equipes isso inviabilizaria a participação de 29 carros no grid, como é no momento, já que os últimos não teriam justificativa que atraísse marcas.

"Eu não gostei, fiquei preocupado (quando se criou a rodada dupla). Mas tem um outro lado a história: o das equipes. E todos precisam estar bem. Não há vencedor se não tiver o último. Você tem que ganhar de alguém. Mas quantos alguém? Um, dois? Cinco? Isso desvaloriza a vitória. O 30° precisa estar viável economicamente. O preço de tudo para o 30° é o mesmo."

"E tem a exposição da marca. Você tem que vender o patrocínio do mesmo jeito daquele que está vencendo, você tem que justificar. O sistema de duas corridas e inversão de grid democratizou um pouco mais a visibilidade. Deu chances para quem estava 'morto comercialmente' ressuscitar. Entusiasmar o patrocinador", explicou Col.
Grid invertido da corrida 2 em Goiânia (Foto: Duda Bairros/Vicar)
Segundo ele, foi discutido internamente o retorno das corridas únicas: "Refletimos muito. Na virada para esse ano foi discutida a hipótese de acabar com esse modelo e voltar com corridas únicas. Mas podemos buscar um balanceamento disso. Questionei janelas longas de pit-stop, porque você nunca sabe quem está em cada posição. Até ela fechar você não restabelece a ordem de verdade da pista. E a parte do público que está assistindo e não entende de automobilismo? Ele não tem a capacidade de entender as estratégias."

"Qual a solução mágica? Ainda não descobrimos. Mas estou de acordo que prefiro assistir uma corrida direta, objetiva, sem estratégias, sem golpes de última hora, e que ela seja competitiva a ponto de todo o tempo termos o pessoal se apertando", finalizou.

Em 2019, são três etapas programadas para serem realizadas com corridas únicas: além da abertura, no Velopark, quando o evento comemorou sua corrida 500, a Corrida do Milhão e a final, ambas em Interlagos, não terão o sistema de duas provas. 

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