Russell e Antonelli vivem 2025 de contrastes na Mercedes à sombra eterna de Verstappen
Difícil imaginar local mais inseguro para um piloto do que a Mercedes, que simplesmente não vai desistir de um dia ter Max Verstappen enquanto ele quiser correr na Fórmula 1. E essa pressão não tão indireta bateu de formas distintas em George Russell — que nunca soube o que é viver sem ser à sombra de alguém — e Andrea Kimi Antonelli
Difícil imaginar algum piloto rejeitando a chance de estar em uma equipe de Fórmula 1, mas não é exagero nenhum afirmar que a Mercedes é, disparada, a escuderia com o assento menos confiável para qualquer um que não seja Max Verstappen. E isso sem que ele ainda esteja por lá! É por isso que não deve ser nada fácil estar na pele de George Russell e Andrea Kimi Antonelli, que possuem razões de sobra para justificarem a permanência, por mais que isso teime em não significar absolutamente nada perante a obsessão de Toto Wolff em um dia ter o tetracampeão em seu line-up.
A eterna sombra de Verstappen, de certa forma, também ajuda a criar uma pressão não tão indireta que é sentida de maneira distinta pela dupla titular. E por incrível que pareça, é justamente Russell, claramente o mais ameaçado, que tem lidado muito melhor com todo o cenário nebuloso que se formou nas garagens da Red Bull desde o início de 2024.
Se Wolff não desiste de Max, cabe a Russell mostrar semana após semana que demiti-lo será das maiores injustiças da história recente da F1. Claro que ninguém seria louco de fechar a porta para Verstappen só porque o atual piloto tem correspondido, mas para o #63, desempenhar muito bem o atual trabalho é uma questão de sobrevivência.
Desde que chegou à Mercedes, Russell esteve sob alguma sombra — o primeiro, no caso, Lewis Hamilton, o cara que não apenas ostentava sete títulos no currículo como ainda virou espécie de sinônimo do time de Brackley. Mas quis o destino que os alemães errassem completamente a mão no primeiro ano do efeito-solo, em 2022, e entregassem à dupla um carro muito ruim, sem a menor perspectiva de melhora. E a limonada de Russell, quem diria, foi bem menos azeda que a do maior vencedor da história da Fórmula 1.

Com Hamilton desmotivado e louco para meter o pé, Russell naturalmente roubou a cena, só que nunca chegou a ser, de fato, o protagonista na Mercedes. Nem mesmo quando a primeira tentativa de ter Verstappen foi frustrada, o #63 assumiu tal papel, e tudo porque Antonelli tomou conta dos holofotes ao ser anunciado como o escolhido para substituir Lewis este ano.
O pupilo, aliás, viu-se com enorme responsabilidade, e antes fosse ‘apenas’ por herdar a cadeira de Hamilton. Apontado por muitos como maior talento surgido nas categorias de base nos últimos anos, nem sequer teve o mesmo estágio de Russell, na Williams, antes da estreia na Mercedes. O salto da FRECA direto para a F2 reforçou ainda mais o status de pequeno gênio que ainda não se confirmou.
Claro que a estreia em si, na Austrália, foi muito impressionante. Debaixo de muita água, saiu de 16º para quarto, deixando muita gente boquiaberta. Ainda teve a pole da corrida sprint em Miami, momento em que foi possível ler um belo “eu não disse?” na mente de um sorridente Wolff, mas meio que parou por aí, e tudo porque a perna europeia fez Kimi entrar num espiral de problemas, de abandonos a performances terríveis. Na Bélgica, não conseguiu segurar as lágrimas após cair no Q1. “Não tenho confiança com carro”, assumiu.
Automaticamente, a sombra de Verstappen cresceu para cima do rapaz de 18 anos. Se vem de Russell os resultados — e aqui leia-se não apenas os pódios oportunistas em Austrália, China, Bahrein, Miami e Hungria, mas a vitória contundente no Canadá —, por que seria ele o eliminado no confronto direto contra Max pela vaga na Mercedes? E mais: seria mesmo Antonelli esse fenômeno cantado por Wolff? Vale destacar que a queda de rendimento veio justamente nos locais onde se imaginou que ele fosse ter vantagem: os circuitos permanentes, também comuns às categorias de base.
Claro que os problemas da Mercedes vão muito além e eximem tanto Russell quanto Kimi de culpa. Se o começo do ano mostrou uma equipe que finalmente parecia entender o ousado projeto nascido lá em 2022, da Emília-Romanha para cá, a peculiaridade nada agradável de só conseguir performar em pistas frias bateu sem dó no escaldante verão europeu. E para complicar ainda mais, nem quando São Pedro resolveu ajudar, na Inglaterra e na Bélgica, trouxe para o W16 algum refresco.
Mas isso de nada adiantaria, na verdade. Ainda que fosse a Mercedes no lugar da McLaren, com Russell e Antonelli brigando pelo título em disputa solitária, nem mesmo isso afastaria a sombra de Verstappen da vida dos dois. E vai ser assim até o dia em que finalmente Wolff conseguir a tão sonhada assinatura de Max em um contrato certamente muito bem amarrado. O que resta é aceitar e fazer o possível para também ter vaga cativa em qualquer lugar que seja do grid.
A Fórmula 1 volta às pistas após o recesso de verão, entre os dias 29 e 31 de agosto, para o GP dos Países Baixos, em Zandvoort.
▶️ Inscreva-se nos dois canais do GRANDE PRÊMIO no YouTube: GP | GP2
▶️ LEIA TAMBÉM: Hamilton vira pôster de desânimo em caixa de cigarro, e Ferrari devolve com fracasso na F1
🏁 O GRANDE PRÊMIO agora está no Comunidades WhatsApp. Clique aqui para participar e receber as notícias da Fórmula 1 direto no seu celular!
Acesse as versões em espanhol e português-PT do GRANDE PRÊMIO, além dos parceiros Nosso Palestra e Teleguiado.
📩 NEWSLETTER GP
Assine e receba notícias exclusivas e bastidores das pistas diretamente no seu e-mail!