Aston Martin reconhece “ano frustrante”, mas se vende como “equipe diferente agora”
Andy Cowell, chefe da Aston Martin, defendeu a evolução gradual e não quer a equipe pulando etapas. Ele confessou que a temporada 2025 é frustrante, mas a mentalidade e o método de trabalho do time estão completamente diferentes
Desde que a Racing Point virou Aston Martin, a promessa era de que brigaria por títulos e vitórias. Porém, até agora, não passou nem perto de acontecer. Andy Cowell, chefe da equipe, defende a evolução gradual e sem pular nenhuma etapa. Ele também admitiu que a temporada atual é decepcionante, mas que o time está completamente diferente em relação ao dia em que chegou.
Com passagem como diretor de engenharia na divisão de motores da Mercedes de 2008 a 2020, tendo conquistado vários campeonatos ao longo do caminho, Cowell sabe o que é necessário para vencer na Fórmula 1. Entretanto, ele acredita que o time de Silverstone tenha de tomar abordagens distintas.
Por um lado, é necessário ser um pouco ousado e ter ideias inovadoras (como fez a Mercedes ao dividir o turbo para se adequar às regras atuais) para poder ficar um passo à frente de todos os outros. No entanto, por outro lado, é preciso ter disciplina total na engenharia e firmeza para garantir que o que for entregue na pista seja adequado.
“Adoro o caos e a inovação na primeira fase”, disse o chefe da Aston Martin em entrevista ao portal The Race. “Mas então, para provar isso, é preciso ter um pensamento lógico baseado na experiência passada. É baseado no equipamento disponível para comprovar e definir os limites para aprovação e reprovação, que são claros e numéricos. Então, é só executar esse plano de forma robótica. Então, é quase uma mudança de personalidade; do criativo caótico para o meticuloso e disciplinado, e é tentar nos sintonizar nesse tipo de pensamento”, seguiu.

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“Identificamos alguns aspectos que tornaram o carro deste ano mais rápido, aperfeiçoando alguns detalhes do projeto e da montagem que foram alterados no ano passado para agilizar o processo. Para fazer atualizações mais rápidas, simplificamos o design, mas isso custou desempenho”, explicou.
“Acho que já fui citado dizendo ‘não quero que as pessoas economizem nos detalhes’, e isso é o mais importante. Quero que façamos as coisas de forma mais completa do que nunca, mais rápido do que nunca. Algumas pessoas dizem que isso é impossível. Bem, sim, é possível”, ressaltou.
“Temos de planejar minuto a minuto. Todos temos de aceitar que precisamos dormir, mas há gente suficiente aqui para que possamos fazer isso como uma corrida de revezamento. Só precisamos de muito planejamento e trabalho em equipe, e é nisso que realmente estamos tentando nos concentrar”, apontou.
Desde que chegou à Aston Martin, em outubro do ano passado, Cowell tem aplicado diversas mudanças na fábrica e na operação da equipe. Porém, em termos de resultados na pista, não é possível ver o efeito do trabalho dele.

“Acho que é um ano tão frustrante que estamos fazendo esse trabalho e desenvolvendo um carro para 2026, mas o GP da Austrália do próximo ano parece estar a um sistema solar de distância. Isso é especialmente verdadeiro quando você está correndo com o carro de 2025 que foi desenvolvido de maneira diferente, além do fato de que não estamos investindo nenhum recurso aerodinâmico nele. Então, você corre com o que tem”, admitiu.
Apesar de admitir que passa por um ano frustrante, Andy garante que o ambiente dentro do time está diferente. “É uma equipe diferente. Temos mais pessoas, compreendemos melhor os equipamentos que temos e o conjunto de ferramentas que utilizamos. Temos uma mentalidade mais rigorosa, tanto em termos de responsabilidades, para deixar claro quem faz o quê, quanto em termos de métodos de engenharia para realizar um experimento e tentar obter uma resposta clara, e isso está no centro de qualquer ciclo de inovação de desenvolvimento”, destacou.
“É saber exatamente quem faz o quê, quem é responsável por encontrar o desempenho na asa dianteira, quem é responsável pela asa traseira, pelo meio, quem é responsável por tudo, desde os assentos até os pedais e tudo mais. Você não quer que seja um exército de pessoas responsáveis por cada parte. Você quer que seja focado e claro, e então você quer que os métodos sejam realmente precisos”, apontou.
O começo de temporada da Aston Martin foi complicado. Ambos os carros frequentavam as últimas posições e era comum vê-los eliminados ainda no Q1. “É doloroso ter uma rodada tripla sem pontos e assim por diante. Mas não adianta entrar em pânico. Somos movidos por um computador químico, e os produtos químicos neste computador, quando agitados, têm um desempenho inferior”, avaliou.

“Portanto, é preciso manter a calma. É necessário analisar as áreas para melhorar o processo, aperfeiçoar os dados, melhorar a troca de informações e garantir que tenha um plano bem elaborado. Situações complexas podem ser gerenciadas de maneira excelente se você tiver pensado com antecedência no que deseja fazer”, encerrou o chefe da Aston Martin.
A Fórmula 1 volta às pistas apenas após o recesso de verão, entre os dias 29 e 31 de agosto, para o GP dos Países Baixos, em Zandvoort.
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