“Não é solução perfeita”: pilotos avaliam uso de colete de resfriamento no GP de Singapura

George Russell, Max Verstappen e Oscar Piastri avaliaram o colete de resfriamento disponível aos pilotos para o GP de Singapura e revelaram se vão utilizar o dispositivo na corrida deste domingo (5)

Com o alerta da Federação Internacional de Automobilismo (FIA) para as altas temperaturas do fim de semana do GP de Singapura, 18ª etapa da temporada 2025 da Fórmula 1, os pilotos receberam autorização para usar coletes especiais de resfriamento. Antes vistos com desconfiança, os equipamentos começam a ganhar espaço no grid. Porém, ainda não são uma unanimidade.

Em entrevista coletiva após a classificação, realizada neste sábado (4), o top-3 do grid de largada em Marina Bay avaliou o uso dos coletes para a corrida deste domingo (5) e revelou se irá utilizar o dispositivo. O mais contrário à novidade é Max Verstappen, que se classificou em segundo e disse que simplesmente não gostou do equipamento.

Para o neerlandês da Red Bull, o cockpit dos carros de F1 não são adequados para esse tipo de dispositivo, que requer muitos tubos conectados ao colete, além de um compartimento com gelo seco.

“Não usei o colete, e não pretendo usar, porque acho que isso precisa ser uma escolha do piloto. Claro, a FIA sempre vai justificar pela segurança, mas então podemos falar de várias outras coisas que poderiam ser melhoradas em termos de segurança — incluindo entradas do pit-lane em certos lugares. Acho que isso tem um pouco mais de prioridade do que um colete dentro do carro”, analisou.

Max Verstappen rejeitou uso do colete de resfriamento (Foto: AFP)

“Não gosto dos tubos em volta do corpo, nem das tiras que passam perto de você com os cintos. Aí podem dizer que é um design ruim, mas discordo. Isso só precisa ser uma opção para os pilotos escolherem. Alguns gostam, outros não, e tudo bem. Deve ser uma preferência pessoal. Sei que neste ano podemos escolher, mas provavelmente no próximo não vão querer permitir, e acho que isso não está certo”, seguiu Verstappen.

“O problema é que em carros de GT ou outros tipos, como protótipos, há mais espaço para colocar essas coisas, ou pelo menos para acomodar os cabos. No nosso cockpit é tudo tão estreito que não há espaço suficiente, e isso também é um problema. Além disso, onde vai colocar gelo seco? Os carros não são realmente projetados para ter esse tipo de espaço extra. Depois de 15 ou 20 voltas ele já acabou. Aí você fica com água quente ou um chá”, concluiu.

George Russell, o pole-position do GP de Singapura, foi no caminho oposto. Apesar de reconhecer que não é a solução perfeita para o calor extremo, revelou que vai usar o colete e que tem utilizado o equipamento ao longo deste ano. Ao colocar tudo na balança, sente que o saldo é positivo e, por isso, escolhe vestir a peça mais uma vez neste domingo.

“Sim, vou usar. Já usei em algumas corridas este ano. Ainda não é a solução perfeita. E o fato é que não tem como testar, só dá pra fazer isso em ambiente de corrida. No Bahrein, fiquei satisfeito com ele. Usei também na Arábia Saudita e aprovei. Mas, claro, aqui está muito mais quente, então o gelo seco vai derreter mais rápido”, reconheceu Russell.

Nico Hülkenberg utilizando colete de resfriamento em Singapura (Foto: Sauber)

“Para ser justo, a equipe fez uma grande melhoria no próprio sistema de refrigeração do carro. Identificamos grandes problemas de ar quente entrando no cockpit, ultrapassando facilmente os 60°C em algumas corridas. Só de mover algumas caixas elétricas e linhas hidráulicas que passam a 120°C perto dos pés, já fez muita diferença no calor. Mas, como disse, vou testar. Amanhã te dou uma resposta”, finalizou.

Por fim, Oscar Piastri ficou no muro e disse que ainda não sabe se vai vestir o colete na corrida. O principal receio é com relação a uma possível falha do equipamento, que pode deixar o calor mais intenso no cockpit do que se estivesse sem a peça. Mesmo assim, aprovou a iniciativa e se manteve aberto à possibilidade de usar o dispositivo em Singapura.

“Ainda não sei se vou usar. Usei ontem. Acho que o problema do colete é que ele é ótimo quando funciona, mas se falhar, é ainda pior do que não tê-lo. E, como George disse, não há testes de verdade para avaliar. Há os testes de inverno, mas acho que essa questão não existe quando está fazendo 10°C. Então, sim, ainda não sei se vou usar. Acho que a iniciativa é boa, mas, como Max disse, ter a escolha de usar ou não é importante, porque há prós e contras”, explicou Piastri.

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