FIA rebate e defende que colete de resfriamento vai evitar cancelamentos na F1

Nikolas Tombazis, diretor de monopostos da FIA, defendeu o uso do colete de resfriamento e pediu às equipes para que ajudem a entidade a desenvolver um equipamento mais confortável e eficiente para os pilotos

Diretor de monopostos da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), Nikolas Tombazis admitiu que o colete de resfriamento colocado à disposição dos pilotos no GP de Singapura do último domingo (5) ainda carece de aperfeiçoamento, mas rejeitou as críticas que o equipamento recebeu. O dirigente, por outro lado, pediu aos competidores e às equipes para que ajudem no desenvolvimento de novas ideias, já que se trata de um item importante para a segurança.

Vale lembrar que o uso da vestimenta ainda não é uma obrigatoriedade, algo que só deve acontecer em 2026, mas aqueles que abrem mão devem carregar um lastro nos carros. George Russell foi o primeiro a competir com o colete, no GP do Bahrein deste ano, e desde então o tem utilizado sempre que possível, assim como também foi na Arábia Saudita e em Marina Bay. Além do britânico da Mercedes, Andrea Kimi AntonelliOscar PiastriOliver BearmanAlexander AlbonCarlos SainzPierre Gasly e Yuki Tsunoda foram alguns que também tiraram proveito do sistema de resfriamento.

Entretanto, outros nomes mostraram mais ceticismo em relação ao assunto, como foi o caso de Max Verstappen, por exemplo, que criticou bastante o design e alegou desconforto com o uso do equipamento. Desta forma, Tombazis, ao ser confrontado com as críticas de parte do grid, destacou que foram os próprios pilotos que pediram uma solução para os problemas enfrentados no GP do Catar de 2023, quando muitos passaram mal devido ao forte calor.

“Os próprios pilotos foram bastante críticos e exigiram alguma ação. Naquela época, havia alguns artigos científicos, de revistas médicas e coisas do tipo, que indicavam que manter uma temperatura central elevada por longos períodos pode causar problemas duradouros — não apenas desidratação. Como havia um clamor enorme para resolver o assunto, não hesitamos em momento algum. Fomos direto tentar solucioná-lo”, disse em entrevista ao The Race.

Pilotos ainda estão divididos quanto ao uso do colete de resfriamento (Foto: Red Bull Content Pool)

“O tema acabou levando mais tempo do que queríamos, porque a solução de engenharia inicial que estava sendo buscada envolvia um trocador de calor, várias bombas. Era bastante complexo”, apontou. “Mas depois houve alguns experimentos entre meados e o fim de 2024 que seguiram a filosofia atual — que chamamos de sistema de perda total, pois não pode funcionar indefinidamente. Temos esse gelo que vai derretendo aos poucos. Alguns desses testes tiveram sucesso e foi decidido que esse era o melhor sistema, a melhor forma de fazer”, explicou.

Na sequência, o diretor da FIA disse que alguns times mostraram maior disposição em ajudar, ao mesmo tempo em que outros não fizeram esforços. O grego destacou que essa é uma área de interesse comum, já que é importante para proteger a saúde dos pilotos — por isso, de acordo com ele, não deve existir qualquer competitividade em desenvolver um colete que seja melhor do que outro.

“Sentimos que essa não deveria ser uma área em que alguém tenta ser mais esperto ou algo assim. Por isso existe uma diferença de peso para o sistema, para que ninguém tente projetá-lo 0,5 kg mais leve ou algo do tipo”, acrescentou. “Alguns fabricantes de roupas já fizeram mais progressos desde então e tentaram resolver alguns dos problemas, e algumas equipes têm sido um pouco mais proativas para encontrar soluções”, seguiu.

“Não acho que as pessoas devam ficar relaxadas a ponto de dizer: ‘bem, já que não vai ser obrigatório, tanto faz, nunca vou usar’. É fácil, em um lugar como Singapura, onde a temperatura não é tão terrível, dizer: ‘bem, na verdade, estou bem assim’. Mas no Catar, dois anos atrás, foi bem ruim, e não há nenhuma garantia de que não teremos outros eventos como o do Catar — ou até piores”, alertou.

Diretor da FIA tratou os coletes como um item de segurança para os pilotos (Foto: AFP)

“E com os climas extremos que temos, a última coisa que alguém gostaria é de ter que cancelar uma corrida porque está quente demais”, destacou Tombazis, enfatizando que foi contrariado por parte dos pilotos quando classificou o colete como um item de segurança. “Na reunião dos pilotos, mencionei esses outros pontos, e recebi uma reação do tipo: ‘bom, certamente você entende que o Halo é diferente do colete de refrigeração'”, lembrou.

“É claro que ninguém diria que o colete de refrigeração tem o mesmo nível de segurança que o capacete, o Halo ou mesmo o HANS. Mas acho que as pessoas também deveriam perceber que a razão de este ser um esporte relativamente seguro, com carros a 350 km/h, é a soma de várias medidas ao longo do tempo. Podemos ser criticados pelas regras, ou por erros em incidentes específicos de corrida — porque somos humanos, não somos perfeitos e sempre precisamos melhorar. Mas no tópico específico da segurança, acho que é a única coisa — e não estou dizendo isso por minha causa, porque certamente não mereço nenhum crédito — em que a FIA merece aplausos contínuos por seu histórico de segurança”, afirmou.

“Este é apenas um pequeno tijolo em um grande muro. E não quero exagerar, mas acredito que isso, em algum momento nos próximos anos, evitará que uma corrida seja cancelada e permitirá que as pessoas corram normalmente”, enfatizou Nikolas, que, por fim, deixou claro que o objetivo é encontrar uma boa relação entre conforto e segurança.

“Nossa convicção é que podemos ter os dois. Não é uma escolha entre estar confortável ou estar fresco. Com certeza deve ser possível chegar a um ponto em que você esteja confortável e fresco ao mesmo tempo. Esse é o objetivo”, concluiu.

Fórmula 1 retorna entre os dias 17 e 19 de outubro no Circuito das Américas, em Austin, que é sede do GP dos Estados Unidos, a 19ª etapa da temporada 2025.

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