F1 mira corridas movimentadas e estuda chance de 2 pit-stops obrigatórios em 2026
Proposta de dois pit-stops obrigatórios será discutida pela Comissão da F1 e tem apoio do Liberty Media e algumas equipes como forma de aumentar o dinamismo das corridas
A Fórmula 1 pode passar por uma mudança importante em seu regulamento esportivo a partir de 2026, junto da introdução do novo conjunto técnico. A Comissão da F1 estuda tornar obrigatória a realização de dois pit-stops por corrida, em uma tentativa de aumentar o dinamismo das provas e reduzir as longas sequências de voltas em ritmo controlado.
Segundo informações da edição italiana do Motorsport.com, a proposta é apoiada por algumas equipes e pelo Liberty Media e será colocada em pauta na próxima reunião da Comissão da F1, que reúne representantes da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), equipes e promotores.
O tema já vinha sendo discutido internamente desde o início do ano, especialmente após o equilíbrio dos compostos da Pirelli ter levado a maioria das equipes a optar por estratégias de uma parada.
Nas últimas etapas, a tática vencedora foi de uma única parada, com exceção de situações específicas — como a bandeira amarela em Zandvoort. A última corrida vencida com uma estratégia de duas paradas sem nenhuma intercorrência foi em Spielberg, na Áustria.

Os engenheiros justificam a preferência pela tática mais conservadora por motivos de segurança, confiabilidade e menor risco estratégico. Os softwares de simulação das equipes apontam que a diferença entre uma parada e duas é pequena, e a opção mais lenta costuma favorecer a gestão de temperatura e desgaste dos pneus, além de reduzir riscos de erros ou congestionamentos no pit-lane.
Entretanto, essa abordagem tem causado corridas mais previsíveis, com longos trechos em ritmo de economia de pneus — cenário que vai contra o objetivo de oferecer um espetáculo mais intenso ao público.
A ideia de impor duas paradas obrigatórias ganhou força após o GP do Catar de 2023, quando a FIA determinou um limite máximo de voltas por jogo de pneus por motivos de segurança. O resultado foi uma corrida mais movimentada, com pilotos podendo atacar constantemente sem a preocupação de poupar os compostos.
Em contrapartida, a medida também foi adotada para o GP de Mônaco deste ano, justamente para tentar melhorar a dinâmica da prova. Porém, não gerou o efeito esperado e foi alvo de muitas críticas dos pilotos. Apesar disso, a categoria decidiu manter a obrigatoriedade para a prova de 2026.

A Comissão da F1 vai analisar diferentes cenários. Um deles prevê a obrigatoriedade de usar os três compostos disponíveis — macio, médio e duro — em todas as corridas, com liberdade apenas para a ordem de utilização. Outra alternativa propõe duas paradas obrigatórias sem restrição de compostos, eliminando inclusive o atual requisito de usar dois tipos diferentes de pneus. Também há a hipótese de definir um limite máximo de quilometragem por jogo, que não poderia ultrapassar 45% da distância total da prova.
O debate promete ser intenso. Há quem defenda que a obrigatoriedade dos três compostos pode acabar padronizando demais as estratégias, enquanto outros acreditam que duas paradas livres, sem limitação de pneus, podem gerar variedade tática e mais ação na pista.
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