Oliveira diz que Stock Car “falhou na tarefa mais básica” e admite: “Temi pelo pior”
João Paulo de Oliveira afirmou que não havia sinalização na pista após a rodada de Bruno Baptista e disse que o automobilismo brasileiro merece mais do que “improviso e descaso”
Dois dias depois de uma atualização do estado de saúde, João Paulo de Oliveira utilizou o perfil nas redes sociais para dar sua visão sobre o acidente que sofreu durante o TL1 da Stock Car, em Brasília. O #7 temeu que algo pior pudesse acontecer com ele ou com Bruno Baptista e afirmou que a segurança da categoria falhou na tarefa mais básica, que é proteger os pilotos.
Bruno e João Paulo bateram nos instantes finais. Os treinos livres da Stock Car não são transmitidos e, por isso, há poucos detalhes sobre o acidente. Porém, de acordo com Maurício Ferreira, chefe da Full Time — equipe de JP —, o #7 acertou em “T” o carro #44 da RCM. Imagens onboard divulgadas mais tarde confirmaram o relato do dirigente.
Baptista passou por uma cirurgia na mão esquerda e confirmou lesões na coluna e na costela. Oliveira, por sua vez, sofreu uma fissura na bacia e um trincado na coluna. Quando atualizou seu estado de saúde por meio de um vídeo no perfil da equipe Full Time, o #7 disse que tinha muito a falar sobre o acidente, mas o faria no momento adequado.
Alguns dias após o susto, Oliveira refletiu sobre o que aconteceu e percebeu alguns erros no que diz respeito à segurança da Stock Car — não apenas em relação aos carros, como foi questionado por alguns pilotos, mas também quanto às sinalizações na pista logo após a rodada de Baptista.
“Precisei de alguns dias para refletir. O impacto foi muito forte. Diferente de qualquer acidente que já tive, desta vez temi pelo pior. Foi uma pancada seca, sem tempo de reação, na saída de uma curva de alta velocidade. 13s. Esse foi o intervalo entre o carro do Bruno parar atravessado na pista e o momento em que o atingi”, lembrou. “No automobilismo, 13s é muito. Havia tempo para acionar bandeiras amarelas no último setor, para substituir a amarela por vermelha ou até mesmo emitir um alerta via rádio para os pilotos que estavam na pista no momento. Nada foi feito! A segurança falhou na tarefa mais básica: proteger os pilotos”, comentou Oliveira.
“Na imagem onboard, é possível ver um fiscal atrás do guard-rail, olhando para o carro parado, sem levantar a bandeira. Não havia preparo. Não haviam câmeras. Não havia comunicação. Não havia protocolo. Não havia segurança. No dia seguinte ao acidente, surgiram “medidas urgentes”: foram impostos limites de pista, câmeras de monitoramento, posto de sinalização extra no último setor. Exatamente o que muitos pilotos, inclusive eu, vínhamos solicitando e que até então parecia impossível. Era necessário um acidente grave para que tivéssemos melhoras, infelizmente”, lamentou Oliveira.
Apesar dos inúmeros pontos negativos, JP espera que o acidente de Brasília sirva para trazer melhoria na segurança dos pilotos que competem no automobilismo brasileiro.
“Apesar de tudo, espero que este acidente sirva como mais um aprendizado. Que protocolos mudem, que responsabilidades sejam assumidas e que a vida dos pilotos seja tratada com respeito. O automobilismo brasileiro merece muito mais do que improviso e descaso”, finalizou Oliveira.
A Stock Car retoma as atividades entre 12 e 14 de dezembro com a etapa final em Interlagos. O GRANDE PRÊMIO faz a cobertura completa da temporada 2025.
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