Equipes admitem preocupação com limite de peso “ambicioso” dos carros da F1 2026

Além de mudanças na aerodinâmica e nos motores, os carros da F1 2026 ficarão mais leves que os antecessores. As equipes acreditam que o limite de peso imposto pela FIA é ambicioso demais para o início do regulamento e que a maioria ficará acima

A temporada 2026 da Fórmula 1 marca o início de uma nova era na categoria, por conta da grande mudança no regulamento. Uma das principais alterações será a diminuição do peso dos carros, que já causa preocupação para as equipes. James Vowles, chefe da Williams, e Andrew Shovlin, diretor de engenharia de pista da Mercedes, acreditam que a maioria dos times ficarão acima do peso e que o limite é ambicioso demais.

Além de mudanças robustas na aerodinâmica dos carros, incluindo o fim do efeito-solo e a substituição do DRS pelo Manual Override Mode (Modo de Ultrapassagem Manual, em tradução livre), por exemplo, os motores do próximo ano terão a parte elétrica ampliada, passando a representar até 50% da força total — frente aos 20% dos antigos — e combustível 100% sustentável. A redução de peso também será um fator fundamental para o desempenho na temporada 2026.

O peso mínimo dos carros para o novo regulamento foi definido em 768 kg, 32 kg abaixo do limite de 800 kg para 2025. Apesar da bateria ficar maior, as dimensões reduzidas dos carros e os pneus mais estreitos devem ajudar a reduzir um pouco o peso total. A partir de 2026, a distância entre eixos máxima foi reduzida em 200 mm para 3.400 mm e a largura foi reduzida de 2.000 mm para 1.900 mm.

A redução de peso é um dos principais objetivos da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), depois de ter aumentado mais de 200 kg nas últimas duas décadas. Por outro lado, as equipes agora enfrentam desafios em várias frentes, já que também têm de lidar com uma nova aerodinâmica, o design da unidade de potência e a implantação do motor. Aliás, os dirigentes dos times acreditam que o limite de 768 kg é ambicioso demais para ser alcançado em tão pouco tempo — a pré-temporada já começa no fim do mês em Barcelona.

Carros da F1 2026 serão mais leves (Foto: F1)

“Seria bom saber onde os outros estão, mas acho que a maioria estará acima do peso. Essa é a simples realidade por trás disso. É uma meta muito ambiciosa, mas é viável. É um número que acredito que estará em um patamar razoável de cinco a dez meses após o início do regulamento, então estou tranquilo em relação a isso”, afirmou Vowles ao portal Motorsport.

O diretor de engenharia de pista da Mercedes seguiu a mesma linha de raciocínio do chefe da Williams.  “O peso é um grande desafio. O limite não foi definido pela soma dos componentes, foi simplesmente imposto. É muito mais barato remover peso antes da fabricação das peças do que depois que os carros são construídos e os estoques já estão em circulação”, salientou.

“Nas regras anteriores, as equipes estavam inicialmente com 10 a 20 kg acima do peso, o que é caro e interfere no desenvolvimento. Nosso objetivo é começar o mais próximo possível do limite”, enfatizou Shovlin.

Em 2022, quando começou a vigorar o efeito-solo, a FIA foi pressionada a aumentar o limite mínimo de peso de 795kg para 798kg, uma vez que as equipes estavam com dificuldades de atingir o valor estabelecido. No entanto, Nikolas Tombazis, diretor de monopostos da entidade, já garantiu anteriormente que não haverá mudanças desta vez. Ele também crê que os bólidos poderão ficar ainda mais leves em regulamentos futuros.

Nikolas Tombazis garantiu que FIA não vai mudar limite de peso (Foto: Planet F1)

“Todos nós gostaríamos que os carros fossem muito mais leves. Algumas das soluções que estão sendo discutidas [em termos de futuros motores] levariam a carros significativamente mais leves, que é o que todos desejam. É uma questão de equilíbrio entre aspectos financeiros, liberdade tecnológica e o quão inovadora a Fórmula 1 é, considerações ambientais e emoção”, ressaltou.

“Podemos caminhar na direção de eliminar alguns dos aspectos dimensionais dos carros, mas é preciso que seja possível voltar a ter um carro que seja mais simples do que é agora”, finalizou o dirigente da FIA.

Fórmula 1 está de férias. Os carros voltam a acelerar de 26 a 30 de janeiro em testes privados em Barcelona. Depois, seguem para o Bahrein para mais duas sessões da pré-temporada: de 11 a 13 de fevereiro e de 18 a 20 de fevereiro. O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades de 2026.

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