Cassidy faz mágica, Jaguar definha: quem sai do eP da Cidade do México em alta e em baixa

eP da Cidade do México apontou tendências para restante da temporada 2025/26. Do sonho vivido por Nick Cassidy e Citroën ao calvário da Jaguar, confira quem se destacou positiva e negativamente no Autódromo Hermanos Rodríguez

O eP da Cidade do México, disputado no último sábado (10), foi mais uma demonstração de como a Fórmula E segue sendo um terreno fértil para reviravoltas, leituras estratégicas refinadas e performances individuais decisivas. E o que vimos no Autódromo Hermanos Rodríguez foi a categoria elétrica no melhor estado.

Em meio ao caos característico da categoria, alguns pilotos conseguiram extrair resultados excepcionais, enquanto outros deixaram a capital mexicana com a sensação de que havia mais potencial do que o resultado refletiu.

Nomes como Nick Cassidy, Oliver Rowland e Pepe Martí saíram fortalecidos, cada um à sua maneira, seja pelo resultado final, pela forma como lidaram com cenários adversos ou pela maturidade demonstrada em momentos-chave da corrida. Do outro lado, pilotos experientes e equipes tradicionais, como Nyck de Vries, Norman Nato e a Jaguar, enfrentaram mais um fim de semana para esquecer.

Com o campeonato ainda em estágio inicial, a prova na capital mexicana não define rumos, mas ajuda a apontar tendências. Entre confirmações, alertas e sinais de reação, a etapa deixa material suficiente para separar quem sai em alta e quem deixa a corrida em baixa.

Nick Cassidy e Citroën lideram os Mundiais de Pilotos e Equipes após duas etapas (Foto: Fórmula E)

Quem sai do eP da Cidade do México em alta

Nick Cassidy

O que Nick Cassidy fez no Autódromo Hermanos Rodríguez merece estar no hall das grandes atuações do automobilismo mundial. Por mais que a boa leitura de corrida e os bons resultados escalando o pelotão sejam marcas registradas do neozelandês, nunca poderá ser normalizado um piloto largar na 13ª posição e vencer. Adicione a isso o toque de mágica de Cassidy ao se defender de Edoardo Mortara com Modo Ataque nas últimas voltas, quando o piloto da Citroën atrasou a retomada de velocidade na curva 9 para neutralizar a vantagem de potência do rival e tirar a chance de ultrapassagem. Não existe piloto entregando mais dentro da pista na Fórmula E que Cassidy. E mesmo que seja a temporada de estreia da marca francesa, ele é um dos principais favoritos ao título em 2025/26.

Pepe Martí

A atuação de Pepe Martí na Cidade do México não pode passar despercebida. A vida de qualquer novato na Fórmula E já é muito difícil. Após o acidente cinematográfico protagonizado pelo espanhol no eP de São Paulo, a tensão certamente estava mais alta que o normal. Então, o sétimo lugar conquistado por Martí foi uma demonstração não apenas de talento, mas principalmente de personalidade. O mais fácil para qualquer garoto nessa posição seria ficar pianinho, minimizar riscos e completar a prova sem sustos, mas o piloto da Cupra Kiro fez grande corrida para marcar os primeiros pontos na categoria. Sem colocar o carro na frente dos bois, foi apenas a segunda participação de Martí no campeonato, então não podemos cravar que fará grandes coisas. Mas já podemos, sim, dizer que mostrou sinais muito mais promissores nesse curto espaço de tempo que David Beckmann na temporada passada inteira.

Oliver Rowland

Parece chover no molhado, mas nunca deixa de ser impressionante a capacidade que Oliver Rowland tem de arrancar bons resultados mesmo quando tudo dá errado. Na Cidade do México, teve a estratégia arruinada ao perder o primeiro Modo Ataque escapando da pista e com uma bandeira amarela, perdeu posições, foi o primeiro do pelotão dianteiro a terminar a segunda ativação nas voltas finais — com exceção de Cassidy — e ainda assim conseguiu ficar na terceira posição e subir ao pódio. A concorrência pode ser pesada nesta temporada, mas o atual campeão certamente vem forte para brigar pelo bicampeonato.

Citroën

Nem nas projeções mais otimistas a Citroën poderia imaginar um início de vida melhor na Fórmula E. Com o fracasso retumbante da parceria com a MSG, a Stellantis tomou o controle da equipe, e a marca francesa foi a escolhida para capitanear a nova fase da montadora. Com o mesmo equipamento e boa parte das mesmas pessoas que ficaram apenas no nono lugar entre Equipes com a Maserati no último campeonato, a Citroën já venceu, subiu ao pódio duas vezes e lidera o Mundial de Equipes. Apesar de ainda ser cedo para cravar que brigará pelo título até o fim, as peças parecem já estar todas ali. Agora é ver como lidará com o inesperado protagonismo.

Jaguar deixa segunda etapa do campeonato ainda zerada (Foto: Fórmula E)

Quem sai do eP da Cidade do México em baixa

Nyck de Vries

Nyck de Vries vive um início de temporada para esquecer. Após cometer erro crasso na largada do eP de São Paulo que comprometeu o resultado da Mahindra, foi eliminado ainda na fase de grupos na classificação e precisou abandonar na Cidade do México devido a um problema técnico. Após a equipe indiana se colocar como uma das principais forças na pré-temporada — e confirmar as expectativas sendo a única a avançar aos duelos com ambos os carros no Anhembi e subir ao pódio no México com Mortara —, o neerlandês ocupa a 13ª posição no Mundial de Pilotos, com somente 2 pontos. Início extremamente decepcionante para quem sonha com o bicampeonato. Na Fórmula E, não podemos descartar nenhum piloto que tenha um bom carro à disposição após duas corridas, mas De Vries precisará encaixar uma grande sequência de resultados para recuperar o prejuízo.

Nico Müller

Na primeira oportunidade de mostrar que a Porsche acertou ao escolhê-lo para suceder António Félix da Costa, Nico Müller decepcionou. A primeira metade da prova colocou o suíço em ótima posição para vencer: antes da décima volta, assumiu a liderança, com o companheiro Pascal Wehrlein logo atrás, mas já tendo usado um Modo Ataque e com menos bateria disponível. Cenário perfeito para o alemão segurar os rivais, e Müller abrir vantagem e administrar a corrida. Porém, não foi isso o que aconteceu. Conseguiu se manter na briga pela vitória até a reta final, mas não foi páreo para os rivais quando todos ativaram a potência extra pela segunda vez, despencou e terminou apenas no nono lugar. O maior sinal de alerta é que o resultado não foi consequência de uma estratégia errada, que o transformou em presa fácil para pilotos com mais potência. Ele não conseguiu competir também tendo o Modo Ataque ativado. Ou seja, faltou braço. Não é o caso de condenar o suíço com somente duas corridas, mas para um piloto que já é visto com muita desconfiança e precisa se provar, Nico tirou nota vermelha no primeiro teste do ano.

Norman Nato

Quem também precisa se provar, mas segue aquém da expectativa é Norman Nato. Ver o companheiro de equipe ser campeão de forma tão dominante na última temporada e terminar na 20ª posição foi uma humilhação. Não que o francês esteja na mesma prateleira de Rowland, mas somar 163 pontos a menos com o mesmo equipamento é inadmissível. Em uma categoria tão equilibrada quanto a Fórmula E, ter um segundo piloto que pontue tão pouco pode ser a diferença entre ser campeã do Mundial de Equipes e ficar em terceiro lugar — exatamente o que aconteceu com a Nissan em 2024/25. Ainda assim, a marca japonesa decidiu dar mais uma chance a Nato e o manteve para o campeonato vigente. Mas a tolerância já não parece ser a mesma. Com nomes como Sérgio Sette-Câmara, Stoffel Vandoorne e Jake Hughes fora do grid, mas babando para agarrar a primeira oportunidade que aparecer, Nato precisa apresentar argumentos dentro da pista para não ser limado, mas até aqui só deu motivos para ser dispensado.

Jaguar

Se alguém perguntasse, antes do início do campeonato, qual equipe estaria sem nenhum ponto após a prova da Cidade do México, certamente a resposta não seria “Jaguar”. Ainda assim, é neste cenário que a equipe britânica se encontra depois das primeiras duas etapas. Após ver António Félix da Costa abandonar e Mitch Evans chegar no 11º lugar — invertendo o resultado de São Paulo —, amarga o último lugar no Mundial de Equipes e está à frente apenas da Lola entre os Construtores — carregada pela Envision. É difícil entender como, mas a sina da Jaguar na era Gen3 parece ser não concretizar o próprio potencial. Desde o início da geração, vem sendo uma das principais forças da Fórmula E. Bem verdade que foi campeã do Mundial de Equipes em 2023/24, mas bateu na trave no ano anterior e no seguinte não por falta de desempenho, mas pela incapacidade de ser minimamente regular. No Mundial de Pilotos, ainda não conseguiu levar ninguém ao título. Teve a taça nas mãos no ano que levou o título de Equipes, mas viu Cassidy e Evans derreterem nas últimas corridas, e Wehrlein impediu a escuderia britânica de conquistar a dobradinha no campeonato. E agora, começa de forma decepcionante mais uma vez. À vista, não parece faltar nada ter aquela campanha retumbante que vem ensaiando há anos, mas alguma coisa sempre joga contra — e ninguém parece saber o que.

A próxima parada da Fórmula E é nos Estados Unidos para o eP de Miami, entre os dias 30 e 31 de janeiro. Emissora oficial no Brasil, o GRANDE PRÊMIO transmite todas as atividades de pista AO VIVO e COM IMAGENS no YouTube e na GPTV.

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