Aprilia reconhece decepção por falta de patrocinador principal na MotoGP

Diretor-executivo da Aprilia defendeu que a MotoGP precisa crescer a própria marca para conseguir atrair patrocinadores para o esporte

Diretor-executivo da Aprilia, Massimo Rivola assumiu a decepção por não conseguir um patrocinador principal para a equipe na temporada 2026 da MotoGP. O dirigente destacou que o projeto da equipe de Marco Bezzecchi e Jorge Martín foi salvo pelo Grupo Piaggio, que é dono da marca de Noale.

Em 2025, a Aprilia conseguiu o melhor desempenho da história da fábrica, com o vice-campeonato no Mundial de Construtores e o terceiro lugar de Bezzecchi no Mundial de Pilotos. Ainda assim, a equipe segue sem um apoiador principal. A marca conta com o apoio de parceiros menores, mas sem o respaldo de alguém que dê nome ao projeto.

“A expectativa normalmente é aquilo que nos mata”, disse Rivola durante o lançamento da Aprilia. “Nós vencemos as últimas três corridas, mas talvez tenhamos esquecido que Marc Márquez não estava lá. Estou muito curioso para ver Marco, pois Marco está colocando muita expectativa em si mesmo. Então precisamos controlar isso. A expectativa é alta para este campeonato”, seguiu.

“Acho que quando você começa a acreditar em um projeto, qualquer que seja a direção para onde ele vá, você vence desde que compartilhe isso com os seus. No fim, as pessoas fazem a diferença. No fim, se nossos parceiros acreditam no que fazemos, acho que continuaremos tendo bons patrocinadores como temos agora. Eu, honestamente, não quero dizer surpreso, mas estou um pouco decepcionado por não termos conseguido um patrocinador principal de ponta”, assumiu.

Massimo Rivola avaliou que a MotoGP precisa desenvolver a própria marca (Foto: Aprilia)

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“Felizmente, temos o Grupo Piaggio, que nos salvou. Mas eu adoraria um dia ligar [para o chefe] e dizer a ele que encontramos 10 milhões para o orçamento”, falou.

Questionado sobre a razão de a MotoGP não gerar uma grande demanda comercial, Rivola respondeu: “Tem uma resposta muito longa. Em resumo, acho que como resultado, o nível da marca MotoGP ― e acho que isso vai acontecer ― não deu o mesmo passo da marca Fórmula 1”.

“O investimento feito na F1 foi enorme. Não acho que tenhamos de fazer um copia e cola do que foi feito na F1. Acho que a MotoGP tem as próprias características e tem de mantê-las. Mas, em termos de marca, nós todos temos de aumentar o nível. Os pilotos têm de se acostumar a serem embaixadores para promoverem um show que ainda é o melhor do mundo”, defendeu.

Desde a chegada do Liberty Media, algumas transformações pontuais aconteceram no paddock, inclusive um aumento no espaço dos boxes das equipes da MotoGP ― reduzindo o espaço de Moto2 e Moto3 no paddock.

Na visão de Rivola, porém, isso é necessário para que as equipes possam oferecer o espaço a patrocinadores, como já acontece na F1.

“Nós estamos falando com a Dorna sobre quando será possível conseguir mais espaço na garagem para ter um layout melhor, para dar aos patrocinadores uma visão melhor”, explicou o dirigente. “Mas acho que é um trabalho em curso. Talvez 2027 seja uma oportunidade para ter tudo novo, não apenas em termos de motos e pneus, mas também o paddock. Não sei. Com certeza, a Dorna começou no mês passado a seguir uma direção para dar mais e mais valor à marca MotoGP. Obviamente, o paddock é o principal ponto disso”, defendeu.

No ano passado, a MotoGP conseguiu tirar do papel o maior calendário da história, com 22 etapas. Além disso, são duas baterias de testes de pré-temporada e pelo menos outros dois dias de atividades coletivas ao longo do ano. Equipes com concessões também têm direito a realizar exercícios privados.

Na visão de Rivola, o tamanho do calendário não deve mudar, especialmente com a chegada do Liberty Media, mas uma boa saída seria uma solução similar como a adotada na F1, onde as equipes contam com funcionários extras para um esquema de rodízio.

“Seria bom ter menos. Mas não acho que teremos menos do que isso, especialmente com a chegada do Liberty, pois, obviamente, o espetáculo é o que paga. Contanto que a gente consiga elevar o nível do negócio, acho que podemos cobrir as 22 corridas com o número de testes que estamos fazendo agora”, ponderou. “Talvez uma solução seja reduzir drasticamente os testes. Digo isso porque na Fórmula 1 eles começaram a contratar mais mecânicos, mais engenheiros e fazer mais um rodízio entre eles. Talvez pessoas como eu e Fabiano [Sterlacchini] teríamos problemas, mas, pelo menos, seria problema para duas pessoas e não para todo mundo. Mas precisamos melhorar o nível do negócio na MotoGP, aí teremos uma solução, não quero dizer fácil, mas vai chegar”, avaliou.

“[Precisamos] absolutamente, de receitas. Patrocinadores. Contanto que um patrocinador de ponta se junte à MotoGP, nós, como marca, nos beneficiaremos”, encerrou.

MotoGP está de férias e só volta a acelerar nos dias 29, 30 e 31 de janeiro de 2026, com o shakedown direto de Sepang, na Malásia. O GRANDE PRÊMIO faz a cobertura completa, assim como das outras classes do Mundial de Motovelocidade.

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