Ducati explora detalhes no desenvolvimento com meta clara: “Aumentar diferença”

Diretor-técnico da Ducati, David Barana explicou a linha que seguiu com o desenvolvimento da Desmosedici e contou que, apesar do congelamento do motor, trabalhou nas poucas alternativas que tinha para conseguir ganhar performance

A Ducati não sentou em cima da própria hegemonia para se manter na ponta da MotoGP. Às vésperas do início da temporada 2026, a casa de Borgo Panigale explicou que trabalhou nos detalhes da Desmosedici para conseguir “aumentar a diferente” em relação às equipes rivais.

O time de Bolonha fez um 2025 dominante, especialmente nas mãos de Marc Márquez, e faturou a tríplice coroa da MotoGP mais uma vez. Ainda assim, as fábricas rivais mostraram melhora, o que acendeu o alerta na Ducati.

Diretor-técnico da fábrica italiana, David Barana explicou que o desenvolvimento da GP26 focou em “diversas frentes” para voltar a se afastar dos adversários.

“Nossa meta é melhorar a moto para aumentar a diferença”, explicou Barana durante o lançamento da Ducati. “E, para fazer isso, nós trabalhamos em diversas frentes”, seguiu.

📷 Confira imagens da Desmosedici GP26 da Ducati para temporada 2026 da MotoGP

Ducati trabalhou para resolver vibrações da Desmosedici GP (Foto: Ducati)

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Na visão de Barana, é impossível na MotoGP atual conseguir um grande ganho de performance com uma única área, então é preciso trabalhar no conjunto da moto.

“Seria um grande erro pensar que a nossa moto tem um grande problema e, uma vez que você resolve, você ganha uma grande vantagem. Na MotoGP atual, as motos são muito complexas, e é muito improvável que você encontre uma grande vantagem em uma única área”, ponderou.

O dirigente contou que a Ducati trabalhou com o chassi da Desmosedici para tentar resolver o problema de vibrações que incomodou aos pilotos no ano passado.

“Nós queríamos melhorar o chassi. Na temporada passada, nós recebemos muitas queixas de vibrações. Vibrações se tornaram mais e mais uma questão, provavelmente porque o aumento da performance levou os pneus ao limite, e nós vemos cada vez mais esses problemas de vibrações”, explicou. “Vamos trazer alguns componentes para acalmar esse comportamento da moto”, anunciou.

“E não apenas as vibrações, mas também a estabilidade da moto, que, em alguns circuitos, por exemplo os mais rápidos, como Phillip Island e Assen, nós tivemos problemas de estabilidade”, assumiu. “Provavelmente não apenas a Ducati, é uma característica deste tipo de circuito, mas, certamente, foi um ponto no qual trabalhamos”, frisou.

Ao longo de 2025, Francesco Bagnaia foi quem mais reclamou sobre vibrações na moto, mas Barana garante que o italiano não foi o único a ter dificuldades.

“Sendo sincero, Pecco certamente reclamou, mas não só Pecco, Marc também e o resto dos pilotos da Ducati. Temos seis pilotos na pista e, até onde sei, nossos rivais também sofreram muito”, ressaltou. “

Por conta da mudança de regulamento de 2027, a atual temporada vai marcar a despedida dos sistemas de ajuste de altura da suspensão. Ainda assim, a Ducati investiu em uma nova versão do item.

“Fico orgulhoso em dizer que vamos trazer a última e mais sofisticada versão do nosso dispositivo de ajuste de altura antes do veto do próximo ano”, revelou Barana.

Chefe da Ducati Corse, a divisão de corridas, Gigi Dall’Igna defendeu a atualização do dispositivo, que foi introduzido pela montadora em 2018.

“Acho que o dispositivo de ajuste de altura é algo especial”, comentou Gigi. “É algo que temos de descartar no fim do ano, pois causa do regulamento. Nós mudamos anualmente, pois é muito importante para performance. Então é uma parte muito inteligente”, frisou.

Também por causa do novo regulamento, a MotoGP congelou o desenvolvimento dos motores neste ano. Afinal, a era dos 1000cc chega ao fim em 2026, com os 850cc entrando em cena no próximo campeonato.

Ainda assim, a Ducati ― assim como a Aprilia já tinha feito anteriormente ― defende que foi possível explorar algumas áreas no desenvolvimento do propulsor para ganhar performance.

“Têm muitas coisas que são livres [para desenvolver], por exemplo a carenagem. Por exemplo, nem todo o motor está completamente congelado. Têm partes, como, por exemplo, o escapamento ou as entradas de ar, em que é possível trabalhar”, explicou. “Nós trabalhamos nessas possibilidades”, sublinhou.

Barana ressaltou que a Ducati usou o conhecimento em aerodinâmica para buscar melhora, mas também colaborou com a Lenovo para redesenhar componentes chave.

“A meta era, em primeiro lugar, aumentar o desempenho em linha reta. Aceleração e velocidade máxima. Pois essa é a maneira mais fácil e mais segura de ultrapassar. Para fazer isso, nós trabalhamos na aerodinâmica e na performance do motor”, contou Barana. “Vocês sabem que o desenvolvimento do motor este ano está congelado. Mas, claro, podemos trabalhar em três componentes que não estão abaixo do selo do motor ― por exemplo, todo o sistema de entrada de ar, o snorkel (uma entrada de ar estendida que aumenta o fluxo de ar no motor para impedir a entrada de água) e a caixa de ar (compartimento que abriga o filtro de ar, protegendo o motor e regulando o fluxo de ar para a combustão), componentes que podem afetar muito a performance da moto, não apenas na potência pura do moto, mas também na eficiência, na estabilidade da combustão e na resposta do acelerador”, detalhou.

Durante a apresentação desta segunda-feira, a Ducati também revelou que trabalhou junto com a Lenovo na criação de uma versão interna de inteligência artificial, um recurso similar ao ChatGPT e ao Copilot para ajudar a equipe a sanar problemas de forma mais rápida durante o fim de semana.

“É uma ideia que vem da expansão dos chat-bots e uma linguagem natural de interação com tecnologia”, contou David Attisano, analista de dados da Ducati. “Nós tentamos entender qual a melhor solução para nós, e percebemos que podemos fazer uma fusão melhor entre a nossa expertise e tecnologia. A grande vantagem disso é que podemos ter algo que é aplicado aos nossos dados, nossos registros, nossa base de conhecimento. Interação de linguagem natural é muito amigável ao usuário, e você pode escrever para ele e ter uma resposta que pode ser uma sentença, um gráfico, uma imagem ou um vídeo, ou um dado de engenharia”, explicou.

“O que gostaríamos de fazer é dar aos nossos engenheiros na pista acesso a todo o conhecimento da Ducati para acelerar o trabalho deles quando precisam dar uma resposta aos nossos técnicos ou aos nossos pilotos”, completou.

A fase de apresentações segue na quarta-feira (15), com Yamaha Trackhouse, que exibem as motos de Fabio Quartararo e Álex Rins Raúl Fernández Ai Ogura, respectivamente. O GRANDE PRÊMIO faz a cobertura completa.

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