5 coisas que aprendemos com dia 1 dos testes da F1 2026 no Bahrein

O primeiro dia de testes da Fórmula 1 no Bahrein foi marcado pela liderança de Lando Norris e pela enorme quilometragem de Max Verstappen. Também chamou a atenção a Mercedes, que ainda se vê às voltas com a decisão da FIA sobre os motores e enfrentou problemas nesta quarta-feira (11). Já a Audi radicalizou neste dia. Portanto, o GRANDE PRÊMIO lista aqui os cinco pontos de destaque das atividades em Sakhir

A Fórmula 1 foi à pista para o primeiro dia oficial de pré-temporada em 2026 nesta quarta-feira (11) no Bahrein e acompanhou um longo programa técnico das equipes, dividido basicamente entre a compreensão do gerenciamento de energia e a quilometragem. E desta vez, não deu para esconder muito o jogo, como aconteceu no fim de janeiro, em Barcelona. As soluções técnicas e o funcionamentos dos elementos principais do novo conjunto de regras ficaram bem mais evidentes.

Mas nem todo mundo foi capaz de completar a programação, mas é importante dizer que os atuais campeões parecem ainda muito seguros de si. Lando Norris andou somente na segunda parte do dia e cravou o melhor tempo da sessão, em 1min34s669. Max Verstappen terminou na segunda colocação, pouco menos de 0s1 atrás.

Gabriel Bortoleto foi o primeiro a guiar o carro da Audi no traçado do deserto e chamou a atenção as novidades aerodinâmicas da equipe alemã. O brasileiro fechou o dia em 15º, depois de 49 voltas. A sessão também foi marcada por problemas com a Mercedes — que já reclama de uma perda de rendimento em relação às rivais.

Diante disso, o GRANDE PRÊMIO lista abaixo os cinco fatores chave deste primeiro dia de atividades da F1.

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McLaren à frente

A atual campeã do mundo colocou seus dois pilotos na pista, buscando coletar o máximo possível de dados. Oscar Piastri foi quem iniciou as atividades, terminando em segundo, após 54 voltas. Lando Norris assumiu o MCL40 logo depois do intervalo e tratou de seguir com o trabalho de confiabilidade. O time de Andrea Stella também se concentrou no gerenciamento de energia, um dos pontos mais cruciais do novo regulamento.

A parte aerodinâmica ganhou experimentos ao logo da primeira parte das ações. Piastri andou com configurações diferentes, com sensores presos ao carro. “Você pode ver pelo programa de Oscar e de Lando que ambos completaram testes aerodinâmicos pesados hoje em condições muito diferentes das que experimentamos em Barcelona no mês passado”, contou Rob Marshall, diretor-técnico dos papaias.

“Com isso em mente, priorizamos a coleta de dados em vez da quilometragem total neste primeiro dia de testes”, completou.

Norris alcançou o melhor tempo já parte final da sessão, quando superou Verstappen, andando com pneus C2. Apenas como um efeito de comparação — afinal, é sempre prudente levar em consideração as configurações de diferentes —, o inglês foi agora 4s2 mais lento que o melhor tempo conquistada no dia inicial da pré-temporada, também em Sahkir, no ano passado.

“É claro que, estando no Bahrein, sob o sol, as condições são muito diferentes das de Barcelona, com muito calor e bastante vento. Foi interessante ver como o carro se comporta de maneira diferente”, pontuou. “Foi um dia positivo, aprendemos muito e estamos ansiosos para voltar ao carro amanhã”, disse o dono do carro #1.

Max Verstappen andou por mais de 130 voltas nesta quarta-feira (Foto: F1)

Alta quilometragem da Red Bull

A Red Bull foi a primeira equipe a ganhar a pista no Bahrein e coube a Max Verstappen conduzir os trabalhos com o RB22. Inicialmente, a equipe austríaca focou nos testes aerodinâmicos e passou a voar nas retas. O neerlandês foi o mais rápida antes da pausa, quando virou 1min35s433. Já na sessão complementar, o tetracampeão voltou a mostrar consistência, dando com pneus C2 e C3. No fim do dia, o acúmulo de volta ficou em 136.

Após as atividades, Verstappen contou que parte do trabalho foi dedicada a simulações que podem aparecer ao longo de um fim de semana de corrida, algo essencial para um fabricante que inicia agora trajetória própria como fornecedor de unidade de potência. “Todo mundo está rodando programas completamente diferentes, então não estamos focando nos tempos ou na classificação, mas, sim, em entender o carro e os pneus. É uma pista completamente diferente de Barcelona, então é bom ter essa comparação”, afirmou.

A excentricidade da Audi

A Audi desembarcou no Bahrein um pouco diferente na comparação com aquilo que apresentou em Barcelona, no fim de janeiro. É que a equipe decidiu levar à pista uma atualização radical no carro: ao contrário dos sidepods convencionais, na horizontal, a escuderia alemã apresentou entradas de ar verticais, o que deixou a lateral do R26 de Gabriel Bortoleto mais estreita.

Trata-se de um design que remete ao controverso zeropod que a Mercedes lançou em 2022, início da era do efeito solo na F1, mas que passou longe de surtir o resultado almejado. O da Audi, no entanto, não chega a ser tão extremo, uma vez que o desenho da lateral do carro se alarga em direção à parte traseira. É como se também fizesse uma curva de dentro para fora, e não somente de cima para baixo, como, por exemplo, é o da Ferrari.

De toda a forma, a Audi foi capaz de percorrer um número razoável de voltas, embora os tempos não tenham sido tão chamativos. O brasileiro concluiu o dia em 15º, com 49 giros. Já Nico Hülkenberg foi o nono, com pouco mais de 70 voltas. “Nos concentramos em completar algumas voltas para entender melhor o motor e o consumo de energia, especialmente em condições muito diferentes das que tivemos em Barcelona. Ainda há muito a fazer e sabemos que temos um longo caminho a percorrer, mas estamos progredindo e continuaremos a nos esforçar”, disse Bortoleto.

Gabriel Bortoleto: Audi inovou com um sidepod diferentão (Foto: Reprodução/F1)

Mercedes em apuros?

Ao contrário do que aconteceu em Barcelona, a esquadra alemã enfrentou mais problemas nesta quarta-feira (11). Como outras concorrentes, também dividiu o programa técnico entre George Russell e Kimi Antonelli. Com um total de 56 voltas completadas na parte da manhã, o britânico anotou 1min36s108 como melhor tempo e encerrou o dia na sexta colocação. Antonelli, por outro lado, teve uma tarde mais conturbada e acumulou somente 30 giros, com a marca de 1min37s629 sendo o suficiente para colocá-lo no 11º lugar entre os 18 pilotos que competiram no Sakhir.

“George teve uma sessão interrompida pela manhã. Tivemos vários problemas que fizeram com que demorássemos para sair logo no início. Isso aconteceu por causa de algumas mudanças na garagem que ainda não tínhamos feito durante uma sessão e que levaram um pouco mais de tempo do que o esperado”, revelou o diretor de engenharia de pista da Mercedes, Andrew Shovlin.

“Além disso, o equilíbrio do carro não estava bom, causando dificuldades com os freios, tração ruim e inconsistência geral. Kimi assumiu após o almoço e, durante as várias mudanças, descobrimos um problema na suspensão que exigiu uma investigação mais detalhada. Isso nos custou algumas horas e, quando finalmente saímos da garagem, só tivemos tempo para dois jogos do pneu mais duro para estabelecer uma base de referência do carro e trabalhar em stints longos”, completou.

Como se não bastasse todos os perrengues, a Mercedes segue ainda às voltas com a questão da decisão da FIA sobre os motores. E Toto Wolff também chegou a dizer no Bahrein que vê a Red Bull à frente de todos. “A Red Bull consegue entregar muito mais energia nas retas do que qualquer outra equipe. Estou falando de algo próximo de 1s por volta, repetidamente”, afirmou o austríaco no Bahrein.

“Em volta única já tínhamos visto algo assim antes. Mas agora vimos isso ao longo de dez voltas consecutivas, com o mesmo nível de velocidade em linha reta. Diria que, neste momento, no primeiro dia oficial de testes, eles estabeleceram a referência.”

Carlos Sainz enfim foi à pista para testar o FW48 (Foto: Reprodução/F1)

Williams impressiona

Depois de perder os testes em janeiro, a Williams chegou sólida ao Bahrein e parece ter resolvido os problemas que a afastaram de Barcelona. Na verdade, o time chefiado por James Vowles mostrou consistência e foi capaz de imprimir uma enorme quilometragem ao longo do dia: 145 voltas.

Entre experimentos aerodinâmicos e coleta de dados, o time azul se mostrou mais preocupado em entender o funcionamento geral do FW48 do que os tempos de volta. Ainda assim, Alex Albon terminou o dia em décimo, após 68 voltas, enquanto Carlos Sainz foi o 13º, com 77 giros.

Fórmula 1 retorna nesta quinta-feira (12), a partir das 4h (de Brasília, GMT-3), para o segundo dia da primeira bateria de testes coletivos no Bahrein. O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades IN LOCO com o repórter Leonid Kliuev.

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