5 coisas que aprendemos com dia 3 dos testes da F1 2026 no Bahrein
O dia final dos testes da primeira semana de pré-temporada no Bahrein terminaram com a reação da Mercedes. Depois dos problemas de confiabilidade da quinta-feira, Kimi Antonelli e George Russell lideraram a sessão, deixando no ar a impressão de que a equipe alemã tem mais a oferecer. Lewis Hamilton foi quem mais perto ficou das Flechas de Prata. Mas a sexta-feira (13) também foi marcada por preocupações de segurança. Por isso, o GRANDE PRÊMIO lista os pontos de destaque das atividades da F1 2026
A Fórmula 1 encerrou a primeira semana de testes no Bahrein, nesta sexta-feira (13) de Carnaval, com um recado importante da Mercedes e que, de certa forma, corrobora a impressão geral de que as Flechas de Prata têm uma boa reserva de performance escondida. Depois dos problemas enfrentados na quinta-feira, a esquadra alemã viveu uma sessão sem contratempos e foi capaz de colocar seus dois pilotos na ponta, com Kimi Antonelli à frente de George Russell — pouco mais de dois décimos separaram os companheiros de equipe. Foi uma demonstração de força dos octacampeões.
A Ferrari seguiu impressionando neste dia final, com uma alta quilometragem. Lewis Hamilton foi o responsável pelos trabalhos e puxou a maior parte dos experimentos do time italiano. O mesmo roteiro seguiu a McLaren. A atual campeã, hoje com Oscar Piastri ao volante do MCL40, preferiu a simulação de corrida, o entendimento do quanto é possível gerenciar a energia e por aí vai. E claro, não passou incólume o fato de ter alcançado 422 voltas — mesmo número da Williams, diga-se. Por isso, já é possível pensar em uma hierarquia de forças da F1.
Também é interessante destacar deste dia o fato de que há ainda lacunas a serem preenchidas e uma preocupação cada vez maior com a segurança dos carros. Andrea Stella alertou sobre alguns aspectos do novo regulamento e pediu atenção da FIA sobre eventuais riscos aos pilotos. O GRANDE PRÊMIO lista abaixo os pontos mais importantes desta semana inicial dos testes em Sakhir.
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Regulamento novo olho do furacão
Max Verstappen tomou as manchetes na quinta-feira ao detonar o novo conjunto de regras da F1. O tetracampeão afirmou que não sente prazer em guiar o carro e chegou a comparar o modelo a um “Fórmula E com esteroides”. As críticas ressoaram por Sakhir, mas, aparentemente, há mais problemas com o regulamento. Após o dia final de testes, Andrea Stella, levantou também algumas questões inquietantes com relação ao pacote atual e pediu atenção da Federação Internacional de Automobilismo (FIA) sobre algumas medidas de segurança.
O chefe da McLaren listou três cenários de preocupação: a largada, quando todos os carros precisam ter a unidade de potência plenamente operacional para evitar diferenças bruscas de aceleração; as ultrapassagens, que podem ser afetadas por variações repentinas de potência elétrica; e o chamado lift and coast — técnica de tirar o pé do acelerador antes do ponto de frenagem —, já que o novo regulamento intensifica a necessidade de economizar e recarregar bateria em determinados trechos da pista.
De fato, uma das grandes questões dos testes tem sido a adaptação à nova geração de carros e à dificuldade de gerenciar tantos elementos cruciais ao mesmo tempo. De certa forma, também acompanha a percepção de Verstappen e de Lewis Hamilton sobre as regras. “Acho que é urgente porque é possível e simples [mudar]. Não devemos complicar o que é simples e não devemos adiar o que pode ser feito imediatamente. Portanto, acho que isso definitivamente deve ser alcançado antes da Austrália.”
Portanto, a próxima semana de testes precisa também trazer desdobramentos neste aspecto.

Motor ainda é um ponto de discórdia
As questões envolvendo as unidades de potência seguem vivas no Bahrein. A Mercedes está no centro do debate porque desenvolveu uma solução para ampliar a taxa de compressão, oficialmente reduzida de 18:1 para 16:1 pelo novo regulamento. A taxa de compressão de um motor de Fórmula 1 é definida pela relação entre o volume máximo do cilindro — quando o pistão está no ponto mais baixo — e o volume mínimo — quando o pistão está no ponto mais alto. E a possibilidade de ampliar essa janela resulta em cerca de 15 cavalos de potência a mais — ou aproximadamente 0s3 por volta. O ponto, no entanto, é que isso é medido apenas com o motor fora da temperatura ideal de funcionamento na pista, mas a taxa de compressão do motor alemão aumenta quando está aquecido.
Nos bastidores, Audi, Ferrari e Honda aparecem como as principais questionadoras da solução encontrada pelo time de Toto Wolff. E a FIA vem trabalhando com as equipes no sentido de encontrar um denominador comum para a polêmica e até já teria entrado em um acordo. Mas a pressão segue por igualdade de condições. O chefe da Audi, Jonathan Wheatley, evitou ampliar a cobrança por uma resolução, mas confirmou que a entidade que rege esporte tem feito pedidos “para testar, demonstrar, medir e tudo mais”, em meio aos contratempos.
Diante disso, é necessário dizer que, restando apenas mais três dias de testes antes do início da temporada na Austrália, uma decisão precisa ser tomada agora — especialmente se a ideia é evitar os tribunais.

Audi em ação
A Audi deixa a primeira semana da pré-temporada de maneira positiva. Apesar de alguns contratempos no início dos testes, a equipe alemã soube com contornar os problemas e ainda colocou na pista um carro bastante diferente, com design novo dos sidepods, entradas de ar e outros elementos aerodinâmicos. E com dois dias sem falhas graves, o time foi capaz de acumular mais de 350 voltas no Bahrein.
Wheatley entende que a sessão em Sakhir ajudou a equipe a melhorar em aspectos importantes do trabalho, como comunicação e coordenação entre os colaboradores. E ainda que exista muito a ser feito, o dirigente deixou claro que as bases lançadas nas últimas atividades serão cruciais para a temporada que está prestes a começar.
E muito além dos resultados, a Audi valorizou principalmente a evolução na hora de executar processos importantes. “Nossos três dias de testes no Bahrein foram um passo produtivo e encorajador à frente para a equipe. Completamos mais de 600 km por dia, o que é um forte indicativo da confiabilidade inicial do carro e um testemunho de todo o trabalho duro e dedicação nos bastidores”, disse o chefe da esquadra das quatro argolas.
Agora, a equipe parte para uma segunda fase ainda mais delicada na preparação para a temporada: o refinamento do acerto e um melhor entendimento daquilo que foi levado à pista nesta semana.

Mercedes reage
A Mercedes se recompôs nesta sexta-feira e aproveitou bem o dia final de testes. De quebra, cravou uma dobradinha, com Kimi Antonelli cravou 1min33s669 — o melhor tempo da semana — e ficou 0s249 à frente de George Russell. Ao todo, o time completou 142 voltas — um cenário bem diferente das últimas atividades. Em uma sessão sem qualquer contratempo, a esquadra trabalhou muito em simulação de corrida e classificação, fazendo uso dos diferentes compostos de pneus. Foi o melhor dia da octacampeã nesta semana no Bahrein. Até por isso o time saiu com um gosto amargo das atividades.
“Não alcançamos o que queríamos durante este primeiro teste e uma boa parte do trabalho agora foi transferida para o segundo e último teste da próxima semana. Isso é frustrante, mas faz parte. O importante é enfrentar esses desafios de frente antes do início da temporada propriamente dita”, afirmou o engenheiro Andrew Shovlin.
Outro ponto de preocupação para a Mercedes está no fato de ter encontrado mais dificuldades do que na Espanha, no mês passado. A confiabilidade foi testada, ma outros elementos do carro também apresentaram um novo desafio. “Em termos de ritmo, fizemos um progresso sólido hoje, mas o W17 tem sido mais difícil de manter em uma janela satisfatória aqui do que em comparação com Barcelona“, revelou Shovlin.
“Temos uma base decente para levar para a próxima semana, mas está claro que alguns de nossos concorrentes, que tiveram um primeiro teste mais tranquilo, estão em uma posição melhor do que nós e que temos trabalho a fazer para alcançá-los”, completou.

Ordem de forças sem surpresas
Embora ainda seja cedo para falar em hierarquia de forças dessa nova era da Fórmula 1, a primeira semana no Bahrein revelou que as quatro grandes equipes ainda lideraram o ranking e que nenhuma delas enfrenta problemas mais sérios de projeto ou unidade de potência neste momento — mesmo que a Mercedes siga no centro do debate em função da brecha que encontrou no regulamento. É fato que o carro preto e prata ainda não mostrou do que é capaz, mas há performance ali. O mesmo pode ser dito pela Red Bull, que impressionou pela eficiência e velocidade de reta. E ainda que enfrente desafios com o motor na parceria com a Ford, os austriacos deixaram Sakhir com um ar menos despreocupado.
De outro lado, há a McLaren e a Ferrari e suas longa jornadas pelo Bahrein. Apesar do trabalho sem alarde e longe das grandes inovações, uma coisa ficou bastante clara: a confiabilidade parece ser o ponto forte. Lewis Hamilton chegou a parar na pista nos instantes finais, mas foi apenas uma pane seca intencional — os italianos estavam testando os limites do motor. Então, já parece seguro dizer que o regulamento drástico desta temporada ainda não vai promover alguém novo para o pelotão da frente.
Enquanto isso, a Williams surpreendeu com um carro também consistente — o time foi que mais andou ao lado da McLaren. A Haas também impressionou pela alta quilometragem e solidez, bem como a Racing Bulls e Cadillac — a diferença é que a equipe americana ainda carece de desempenho. A Alpine parece ter feito bom proveito do motor Mercedes, ao mesmo tempo em que a Aston Martin se vê em apuros com a Honda e com um projeto extremo de Adrian Newey.
A Fórmula 1 volta de 18 a 20 de fevereiro, também no Bahrein, com a segunda e última bateria de testes coletivos da pré-temporada 2026. Depois, segue para a Austrália, palco da abertura do campeonato, em 8 de março.
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