Por que Piastri enxerga largadas na F1 2026 como “receita para desastre”

Em entrevista acompanhada pelo GRANDE PRÊMIO no Bahrein, Oscar Piastri explicou como os pilotos estão tendo dificuldades para lidar com o procedimento de largada dos novos carros

Oscar Piastri compartilhou do mesmo pensamento de Andrea Stella, chefe da McLaren, e afirmou que o novo regulamento da Fórmula 1 colocou em pauta algumas questões de segurança que precisam ser resolvidas antes do início da temporada 2026, no GP da Austrália. Em entrevista acompanhada pelo GRANDE PRÊMIO no Bahrein, o australiano definiu o momento da largada como o ponto de maior atenção, podendo até ser, inclusive, uma “receita para o desastre” se algo não mudar.

Após o fim dos testes coletivos no circuito de Sakhir, na última sexta-feira (13), o comandante do time papaia detalhou que a preocupação com as novas regras envolve três cenários específicos: o início da corrida, quando todos os carros precisam ter a unidade de potência plenamente operacional para evitar diferenças bruscas de aceleração; as ultrapassagens, que podem ser afetadas por variações repentinas de potência elétrica; e o chamado lift and coast — técnica de tirar o pé do acelerador antes do ponto de frenagem —, já que os pilotos precisam recarregar a bateria em determinados trechos da pista.

O procedimento de largada por si só tem virado alvo de discussão. Isso porque as mudanças feitas na arquitetura da unidade de potência de 2026 fazem com que os competidores levem muito mais tempo para colocar os carros na configuração ideal para começar a prova. E tudo isso por causa da remoção do MGU-H, que ajudava a encher o turbo em conjunto com o motor de combustão interna, cobrindo o chamado ‘turbo lag’ — atraso na resposta do motor entre pisar no acelerador e a turbina atingir pressão — até que o MGU-K entrasse em ação.

Sem esse dispositivo à disposição, o motor de combustão interna e o turbocompressor passam a cuidar da fase inicial do processo de largada, dando às equipes menos controle sobre a inércia do turbo e diminuindo a capacidade de manter a rotação até que o MGU-K comece a funcionar. Por isso, durante as simulações de largada no Bahrein, foi possível perceber que os pilotos levaram consideravelmente mais tempo para preparar os carros para a largada em comparação com a geração anterior.

Chefe da McLaren, Andrea Stella já havia alertado sobre os riscos de segurança na hora da largada (Foto: McLaren)

Desta forma, caso um competidor demande um intervalo maior de tempo para deixar o grid quando os luzes se apagarem, há um risco enorme de acidentes mais sérios. “As largadas precisam ser discutidas, sim, porque, como todos vimos, agora é um processo bem complicado fazer uma largada segura, quanto mais competitiva. Então é algo que vamos discutir até Melbourne, com certeza”, começou Piastri.

“E há muitos pontos para abordar. Largadas, ultrapassagens — certamente também serão diferentes. O DRS era basicamente uma vantagem direta para ganhar posição, enquanto agora, com o boost de energia, precisamos recuperar essa energia extra de alguma forma e depois usá-la, o que, com algumas regras em vigor, nem sempre é tão simples”, acrescentou o dono do #81, apontando que, assim como Stella já havia explicado, outros fatores também são fontes de preocupação.

“Também tenho certeza de que haverá otimização de todos os fabricantes sobre como redistribuir as coisas e tornar as ultrapassagens mais fáceis. Seguir outro carro é bem parecido com o ano passado, sinceramente, o que não é grande surpresa para mim, mas definitivamente há muitas coisas para discutir e resolver antes de Melbourne”, reiterou.

Na sequência, ao ser questionado qual fator é o mais preocupante em termos de segurança, Piastri reforçou que a questão da largada é “provavelmente a mais óbvia por enquanto”.

Oscar Piastri concordou que medidas devem ser tomadas antes do GP da Austrália (Foto: McLaren)

“Ultrapassagens sempre vão ser difíceis de avaliar até que aconteça uma corrida de verdade. Também depende de usarmos ou não o modo de reta na largada, porque um pelotão de 22 carros com algumas centenas de pontos a menos de downforce me parece uma receita para o desastre. Mas há alguns aspectos assim que precisam ser discutidos”, pontuou.

O australiano ainda negou que a discussão acerca da largada possa se tornar uma briga política, já que algumas equipes que levem vantagem nesse quesito podem se recusar a votar por mudanças, o que geraria um debate maior — e, consequentemente, atraso na busca por uma solução.

“A questão é que cada time vai precisar de coisas diferentes para a largada e, para ser totalmente sincero, não tenho certeza se algum de nós sabe exatamente o que precisa ainda. Temos ideias gerais. Tenho certeza de que vamos encontrar uma maneira de fazer uma largada adequada”, destacou.

“A diferença é que, no ano passado, entre uma boa e uma má largada era dar um pouco de patinada ou ter um tempo de reação ruim. Este ano pode ser como numa corrida de Fórmula 2, em que você praticamente entra em anti-stall ou algo assim. Não é perder cinco metros — você pode perder seis ou sete posições se der errado. Então há muitas coisas”, concluiu Piastri.

Fórmula 1 volta de 18 a 20 de fevereiro, também no Bahrein, com a segunda e última bateria de testes coletivos da pré-temporada 2026. Depois, segue para a Austrália, palco da abertura do campeonato, em 8 de março.

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