Da Costa vence cedo na Jaguar e abre caminho para felicidade que não encontrou na Porsche

António Félix da Costa repetiu o script da época de Porsche e venceu na quinta corrida pela Jaguar, em Jedá. Certamente, contudo, o português espera que essa seja a única coincidência entre as duas, já que busca um lugar para se sentir feliz e confortável — algo que não foi na montadora alemã. O início, sem dúvidas, tem sido absolutamente animador

Após três temporadas de muita luta e poucas felicidades na Porsche, António Félix da Costa deixou o caos interno com Pascal Wehrlein para trás e iniciou uma nova era na Jaguar, como companheiro do amigo Mitch Evans. Além da possibilidade de competir por vitórias e títulos, claro, estava uma ambição comum a qualquer profissional: ser feliz no próprio ambiente de trabalho. E o clima começou bonito, com um português diferente, mais feliz e animado; a questão é que só há uma coisa que vá manter isso para o futuro: vitórias. E a primeira veio logo na quinta corrida, repetindo exatamente o mesmo enredo da época de Porsche. A esperança, contudo, é de que o final seja diferente.

No eP de Jedá do último fim de semana, Da Costa deu prosseguimento ao bom início de temporada que tem feito pela Jaguar — principalmente em classificações. As profundas dificuldades da época de Porsche em voltas lançadas ficaram para trás, e António tem conseguido sempre se colocar em boas posições de largada. É o único, inclusive, que saiu no top-10 em todas. A sorte não ajudou nas duas primeiras etapas, é verdade, mas tudo começou a entrar nos eixos em Miami — com a coroação na Arábia Saudita.

Após uma bela primeira corrida, em que executou boa estratégia para fechar em quinto, Da Costa subiu o sarrafo no último sábado (14). Forte na classificação de novo, foi até às semifinais e garantiu o terceiro lugar no grid, importante para fugir do caos que se formaria no pelotão intermediário durante a corrida. E, por mais que o caos tenha sido esperado em Jedá, a verdade é que António sempre esteve no controle da disputa.

Enquanto outros pilotos duelavam metro a metro pela primeira posição, Da Costa se manteve atrás e com foco prioritário em guardar energia para usar no final. No entanto, mesmo durante esse processo de economia, era de suma importância para o português não perder posições, para que a ativação do Modo Ataque no fim pudesse gerar situações de ultrapassagem.

Da Costa venceu a primeira pela Jaguar. Agora, tenta escrever história diferente da Porsche (Foto: Fórmula E)

E foi exatamente o que o português fez. Lutando para evitar um toque que pudesse colocar tudo a perder, Da Costa só decidiu assumir de vez a liderança ao bater 40% de energia restante, 2% a mais que os adversários diretos pela vitória. A partir daí, ativou o primeiro Modo Ataque para assumir a ponta e o segundo (já ocupando a liderança) para se defender de um fortíssimo Sébastien Buemi e cruzar a linha de chegada em primeiro.

Não foi uma atuação genial — e nem precisou. Cerebral, Da Costa se manteve fiel à estratégia durante todo o tempo e não se deixou levar pelas disputas ao redor, mesmo quando a distância para a primeira colocação pareceu aumentar. A verdade é que, justamente pela eficiência na pilotagem, António não foi mais ameaçado de verdade a partir do momento em que decidiu tomar a ponta. Acerto em cheio também da Jaguar, que soube economizar bateria sem perder competitividade e transformar o português em um alvo fácil na pista.

Com ou sem vitória, é impressionante o contraste entre o Da Costa da temporada passada e dessa. Infeliz na Porsche, sem contato com Wehrlein e isolado de certa forma, António precisou buscar um caminho que o fizesse feliz novamente. E, se as primeiras corridas com a marca alemã trouxeram um piloto macambúzio, a verdade é que, mesmo depois que as vitórias chegaram, nunca pareceu haver uma ligação real com a montadora de Weissach.

Sorridente e com motivos para celebrar, Da Costa mostra semblante diferente na Jaguar (Foto: Fórmula E)

No fim das contas, o choque cultural foi demais para os dois. De um lado, um piloto de pura paixão e sangue quente (ou “latino”, como dito pelo próprio António após a vitória em Jedá), acostumado a trabalhar com entusiasmo e em alta rotação; do outro, uma Porsche de mentalidade fria, calculista e absolutamente focada em resultados, personificada em um Wehrlein calado, que costuma responder na pista. Definitivamente, opostos — que, dessa vez, não se atraíram.

Na Jaguar, o semblante mudou completamente. É claro que tudo pode dar errado, o esporte sempre reserva essa possibilidade, mas não há como apagar o fato de que António sorri mais em 2026. Sob comando de Ian James, também novato na equipe após deixar a McLaren e assumir a chefia dos felinos, Da Costa não apresentou a mesma negatividade dos tempos de Porsche ao sair zerado das duas primeiras corridas. O piloto parece mais confiante, mesmo com um equipamento que ainda não domina completamente, e isso se reflete diretamente na pista.

É importante ressaltar, claro, que só há uma coisa capaz de manter o clima lá no alto: vitórias. A grande questão é que elas até vieram na Porsche, mas acumuladas em um recorte e nunca de maneira regular, ao longo de uma temporada inteira. Para se ter uma ideia, foi exatamente na quinta corrida que António venceu na montadora alemã pela primeira vez — e o fim, mesmo assim, não foi bonito. Agora, a ideia é escrever uma história bem diferente; muito além de poles, pódios, vitórias e títulos, Da Costa tenta ser feliz no carro novamente. E o início tem sido encorajador.

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