Comissão independente surpreende e mantém equipe que atuou durante escândalo na Indy

Estrutura independente criada para garantir maior transparência e credibilidade na Indy mantém equipe que atuou durante os escândalos recentes

Uma das novidades para a temporada 2026 da Indy é a criação do Independent Officiating Board (Comissão Independente de Arbitragem, IOB), que anunciou os membros responsáveis pelo dia a dia da categoria. De forma até surpreendente, o órgão manteve o diretor de prova, os comissários e o chefe das inspeções técnicas em seus respectivos cargos.

O estopim para a criação do IOB foi o escândalo dos atenuadores adulterados ilegalmente pela Penske, revelado após denúncia anônima durante a classificação das 500 Milhas de Indianápolis de 2025. Posteriormente, como admitiu o próprio Roger Penske, constatou-se que a peça já vinha sendo utilizada modificada havia mais tempo — inclusive no carro de Josef Newgarden na vitória da Indy 500 do ano anterior. Vale lembrar que em 2024 foi exposto, com 45 dias de atraso, o fato da mesma Penske ter utilizado de modo indevido os push-to-pass no GP de St. Pete — o time conseguia acionar o dispositivo em momentos que não deveria ser usado.

Ainda na semana da principal prova da Indy, Doug Boles, presidente da categoria, anunciou que o órgão fiscal independente seria criado. A iniciativa surgiu em meio a questionamentos sobre possível conflito de interesses envolvendo Roger Penske, proprietário da categoria, da equipe Penske e da Ilmor, fabricante dos motores Chevrolet.

Embora a Penske Entertainment tenha fundado e financiado o IOB, a gestão do órgão ficou a cargo de Ray Everham e Raj Nair (ambos indicados por chefes de equipes da Indy) e de Ronan Morgan — este nomeado pela Federação Internacional de Automobilismo (FIA), conforme anunciado pela categoria em 11 de dezembro passado. A entidade, no entanto, optou por manter figuras-chave que vinham sendo questionadas após os episódios recentes.

Penske tenta mexer no atenuador do carro de Will Power durante classificação da Indy 500 (Foto: IndyCar)

Assim, a Indy seguirá com Kyle Novak como diretor de prova desde 2018; Arie Luyendyk e Max Papis como comissários desde 2016; e Kevin “Rocket” Blanch como diretor técnico e chefe da inspeção desde 2003. Entretanto, Blanch passará a contar com o auxílio de Nick Allen, ex-chefe de mecânicos de Colton Herta.

Entretanto, o cargo de diretor-geral ainda está em aberto para a temporada 2026 da Indy. O IOB segue entrevistando candidatos para assumir essa parte.

“A arbitragem da Indy não está esfacelada; na verdade, categorias ao redor do mundo poderiam aprender com seus procedimentos e sua operação”, defendeu Morgan, integrante do IOB.

“Neste momento, entendemos que o IOB deve ser visto como uma evolução sensata no processo geral. Ao oferecer e supervisionar suporte adicional, mais transparência e maior separação entre os membros e a gestão da categoria, acreditamos firmemente que o IOB está pronto para ser implementado com sucesso na temporada 2026 da Indy”, concluiu.

A temporada 2026 da Indy começa neste fim de semana, entre os dias 27 de fevereiro e 1º de março, com o GP de St. Pete. O GRANDE PRÊMIO faz cobertura completa dos eventos no circuito urbano da Flórida.

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