Ex-chefe da Williams vê F1 com capacidade para ter 15 equipes: “Há dinheiro suficiente”

Para Claire Williams, a F1 hoje tem condições financeiras de sustentar até 15 equipes, mas o grid não é ampliado porque os times atuais não concordam em dividir a premiação em dinheiro

A temporada 2026 da Fórmula 1 marca a estreia de duas equipes: a Audi, que assumiu a operação de Sauber, e a Cadillac, que iniciou o projeto do zero. Para Claire Williams, que comandou a equipe do pai, Frank, durante 2013 a 2020, a categoria tem dinheiro suficiente para ter 15 times no grid, mas que os chefes não aceitam dividir a quantia total com estreantes.

A entrada da Cadillac na F1 foi uma verdadeira novela. Inicialmente, a Formula One Management (FOM) rejeitou a inscrição devido a preocupações com a perda de receita que as equipes já existentes sofreriam caso tivessem de dividir a premiação em dinheiro com um time estreante. Essa questão foi resolvida posteriormente com a exigência de que a novata pagasse uma taxa de inscrição muito maior do que o previsto.

Foi só quando a General Motors aumentou a participação no projeto e se comprometeu a fabricar o próprio motor que a categoria se convenceu. A montadora ainda teve de pagar um valor de 450 milhões de dólares (cerca de R$ 2,3 bilhões na cotação atual) como taxa de entrada.

Porém, com a valorização da F1 nos últimos anos, Claire acredita que há dinheiro suficiente para a categoria receber várias equipes e sem dar prejuízo às atuais.

Cadillac enfrentou diversas dificuldades antes de entrar na F1 (Foto: AFP)

“Lembro-me de estar sentada à mesa no grupo de estratégia quando outra equipe quis entrar e pensamos: ‘O montante já está bem pequeno agora’”, disse Williams ao Business of Sport. “Os números exatos me escapam, mas cada uma de nós poderia perder 10 ou 15 milhões com a entrada desse time, e isso não seria nada justo”, seguiu.

“Mas uma equipe agora vai ter de 10 a 15 milhões sobrando. Não vai se preocupar com isso. Há quantia suficiente na Fórmula 1 para acomodar uma 11ª equipe. Provavelmente há dinheiro suficiente para ter 15 equipes, mas todos os chefes rejeitariam a ideia porque não querem dividir os recursos”, destacou.

A F1 não tem 26 carros no grid desde 1995, e a última vez que o número de participantes excedeu as vagas disponíveis foi no ano anterior. Apesar da entrada da Cadillac, Claire não crê que outro time demonstre interesse em entrar na categoria em um futuro próximo, já que a FOM e as equipes não permitiriam.

“Eles não querem dividir – e com razão, considerando o quanto investiram. Uma equipe nova não deveria ter direito automaticamente à mesma quantia do prêmio que as equipes já estabelecidas. Tem de ser um sistema escalonado. A Fórmula 1 não vai permitir isso, os outros chefes e o esporte em geral não vão permitir tantos times”, explicou.

Claire Williams diz que F1 tem dinheiro suficiente para ter 15 equipes no grid (Foto: David Davies/PA)

De acordo com Williams, as equipes desfrutam de situações econômicas muito melhores hoje do que quando o Liberty Media substituiu a CVC Capital Partners como detentora dos direitos do esporte em 2017.

“As coisas começaram a dar errado na crise financeira de 2008 e depois nunca mais se recuperaram. Houve uma pequena melhora, mas depois teve uma verdadeira calmaria entre 2016 e 2019, até mesmo em 2020, onde simplesmente não havia nada acontecendo”, recordou.

“Sem brincadeira, os patrocínios principais estavam sendo fechados por oito, nove milhões no final da minha época. Não dá para administrar uma equipe com um patrocinador máster com esse valor. E aí você tem outras equipes brigando por esse dinheiro. Era ridículo”, admitiu.

“Na minha época, se você olhar meu orçamento, era de 120 milhões, no mínimo. Você pode ter quantos patrocinadores quiser para chegar a 120, mas, em um mundo ideal, nossa meta era conseguir 20, 30 milhões com um patrocinador principal”, salientou.

“Agora, patrocínios que estampam o nome da equipe estão na faixa de 80, 90 milhões. Então, tudo se baseia na oferta, nas marcas que estão entrando. Se você tem, como agora, essas marcas maravilhosas entrando no esporte e competindo entre si para patrocinar, então os times ditam os preços, enquanto que na minha época não era assim, eram os patrocinadores que ditavam os valores”, finalizou.

Fórmula 1 retorna de 5 a 8 de março em Melbourne, palco do GP da Austrália, abertura da temporada 2026.

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