Órgão fiscal promete revisão de regulamento e processos da Indy após polêmicas
Raj Nair, presidente do IOB, admitiu que regulamento foi "fator no que aconteceu nos últimos anos" e promete scanner para aferir carros
Presidente do Conselho Independente de Arbitragem (IndyCar Officiating Board, IOB), Raj Nair explicou que o órgão pretende revisar todo o regulamento da Indy a fim de eliminar falhas e possíveis ambiguidades — o que, de acordo com o dirigente, foi um “fator no que aconteceu nos últimos anos”, marcados pelos escândalos do push-to-pass e dos atenuadores adulterados pela Penske em 2024 e 2025.
Além da parte técnica questionada, a Indy recebeu críticas em relação às decisões dos comissários e da direção de prova nos últimos anos, assim como por alguns acionamentos de bandeiras amarelas — em determinadas corridas, por exemplo, aguardando a conclusão da janela de pit-stop. Vale ressaltar que o IOB manteve a equipe que já trabalhava na Indy, no entanto, Nair destacou que alguns processos também serão revisados.
“Também estamos analisando o regulamento, tanto a forma como é redigido quanto a maneira como é revisado e atualizado; isso certamente foi um fator no que aconteceu nos últimos anos”, disse Nair, que está à frente do órgão fiscalizador da Indy ao lado de Ray Evernham e Ronan Morgan, indicado pela Federação Internacional de Automobilismo (FIA).
“Embora o regulamento seja fundamentalmente sólido, ele não é o mais fácil de usar, acessar e pesquisar. Diria que não é apenas o regulamento: existem aspectos de boletins técnicos emitidos por nossos parceiros, seja na área de motores ou de chassis, que nem sempre são incorporados ao regulamento”, continuou o dirigente do órgão fiscal da Indy.

“Nesse sentido, temos um esforço concentrado em andamento neste momento, que provavelmente será implementado ao longo de 2026, para melhorar os boletins técnicos e alinhá-los ao regulamento, além de torná-los facilmente acessíveis, não apenas para a equipe de arbitragem, mas para todos no paddock”, completou.
Nair destacou que a Indy, enfim, vai adquirir equipamentos de escaneamento a laser para inspecionar os carros e garantir que as dimensões estejam dentro das especificações — algo que já é padrão em diversos campeonatos; a categoria é uma das poucas exceções entre as grandes. O objetivo é evoluir na operação para que o sistema esteja em pleno funcionamento em 2028, quando a Indy terá um novo carro.
“Estamos analisando alguns equipamentos. Atualmente, somos uma das poucas categorias, pelo que sei, que não utilizam escaneamento como parte da inspeção técnica. Já temos um acordo para adquirir esse equipamento. Precisaremos de um período de aprendizado para utilizá-lo na Indy. Certamente, quando o novo carro chegar, isso estará bem estabelecido”, disse Nair.
“Vocês sabem a grande diferença que isso fez, especialmente na Nascar quando estava lá (com a Ford). Aquilo foi um divisor de águas na forma como a inspeção técnica funcionava e, principalmente, na maneira como os fornecedores de painéis de carroceria precisaram atender rigorosamente às tolerâncias de fabricação”, acrescentou o dirigente do órgão fiscal da Indy.

“Gostaríamos de adquirir o equipamento de escaneamento, colocá-lo em funcionamento e começar a aprender a usá-lo ainda este ano. Mas, como este carro não foi projetado com isso em mente, e ainda temos muito a aprender sobre como utilizá-lo, inicialmente será mais uma ferramenta de aprendizado. Em 2027, talvez passe a ter papel mais ativo na fiscalização. E, certamente, em 2028 será uma ferramenta-chave de fiscalização, se não a principal”, prosseguiu.
Enquanto a Indy não conta com os scanners, o bom e velho gabarito continuará em operação. Durante os testes em Phoenix Raceway, na última semana, foi apresentado um novo gabarito para a saída do difusor da asa inferior.
“Continuaremos fazendo medições com gabaritos e coletando informações. Antes que as coisas avancem demais, não queremos que saiam do nosso controle. Temos conversas com a Dallara e com ambos os fabricantes de motor para garantir que consistência e comunicação — que foram as duas prioridades que nos foram atribuídas de imediato — estejam funcionando bem”, afirmou o dirigente do órgão fiscal da Indy. “Certamente queremos criar consistência, e a maneira de fazer isso agora é trabalhar com gabaritos, medições e coleta de dados”, destacou.
Por fim, o IOB anunciou um novo diretor de prova para a Indy NXT. Trata-se de John Maesky. “Será um excelente reforço para o controle de prova da Indy NXT. À medida que o compromisso do conselho em fornecer suporte e recursos para a arbitragem da Indy continua, a experiência e o trabalho prévio de John em arbitragem e operações serão inestimáveis para a categoria de desenvolvimento da Indy e seu futuro. Estamos muito satisfeitos em trabalhar com ele em 2026”, encerrou.
A temporada 2026 da Indy começa neste fim de semana, entre os dias 27 de fevereiro e 1º de março, com o GP de St. Pete. O GRANDE PRÊMIO faz cobertura completa dos eventos no circuito urbano da Flórida.
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