Schumacher sofre e comprova que experiência na F1 não é crucial em adaptação à Indy
Mick Schumacher enfrentou dificuldades nas primeiras corridas da Indy e ocupa a última colocação no campeonato. A adaptação complicada mostra que não é qualquer ex-F1 que sobra na categoria estadunidense
Mick Schumacher deixou o Mundial de Endurance (WEC) e estreou na Indy pela RLL em 2026. E até aqui, não correspondeu as expectativas: teve um modesto 18° lugar no GP de Phoenix como melhor resultado e é o último colocado no campeonato. A dificuldade de adaptação ao automobilismo norte-americano é compreensível, considerando a diferença para a Europa e prova que não é qualquer ex-Fórmula 1 que se dá bem logo de cara na categoria estadunidense.
Schumacher teve uma passagem de dois anos na F1 pela Haas, com o sexto lugar no GP da Áustria de 2022 sendo o melhor resultado da carreira. No entanto, acabou acumulando diversas batidas — algumas muito fortes —, além de ter sido ofuscado por Kevin Magnussen e não teve o contrato renovado.
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Em 2023, passou a ser piloto reserva da Mercedes, mas não chegou a competir pela equipe alemã. No ano seguinte, passou a integrar a esquadra da Alpine no WEC. Nas duas temporadas defendendo a montadora francesa, conquistou três pódios. Mick não quis seguir no time e até recebeu uma proposta da Cadillac para ser reserva na F1 e titular no Mundial de Endurance, mas rejeitou e fechou com a RLL após um teste no misto de Indianápolis.
O retorno aos monopostos era um desejo antigo. “Sempre quis correr em monopostos — adoro esse tipo de corrida. Para mim, foi muito fácil entrar e ficar feliz sabendo que é isso que quero fazer. Meu objetivo sempre foi competir com esse tipo de carro. O programa de endurance que fiz foi para ter a possibilidade de me manter na disputa por um lugar na F1. Foi por isso que o fiz.”
A estreia na Indy foi no GP de São Petersburgo e teve um fim de semana para esquecer logo de cara: largou em 21° lugar e foi vítima de um acidente provocado por Sting Ray Robb nas primeiras curvas, que o fez abandonar a prova.

A etapa seguinte foi em Phoenix, o primeiro oval da temporada 2026, e Schumacher conquistou uma surpreendente quarta colocação na classificação, ficando atrás somente das Penske de David Malukas e Josef Newgarden e do companheiro de RLL, Graham Rahal. Mas na corrida a situação mudou completamente. O alemão perdeu diversas posições logo na largada e, para piorar, a equipe errou na estratégia e o deixou no fundo do pelotão. Acabou terminando na 18ª posição, a melhor até aqui na Indy 2026.
Uma das principais novidades no calendário da temporada atual, o GP de Arlington era a grande chance de conquistar um resultado melhor, já que era uma pista nova para todos. Só que o circuito de rua contava com muitas ondulações — algo comum na categoria, mas que Mick não estava acostumado. “Indo para a curva 10, parece que vamos quebrar o carro”, afirmou. E recebeu uma invertida irônica de Towsend Bell, ex-piloto e comentarista da Fox: “Bem-vindo à Indy. Isso não é Mônaco.“
O piloto do #47 foi um dos poucos a criticar o circuito e não reagiu dentro da pista. Largou em 17° lugar e teve a pior apresentação na categoria: acertou Christian Lundgaard, levou um drive-through e andou em último a maior parte do tempo. Para piorar, ainda tocou em Newgarden e rodou, estagnando no fundo do grid de vez. O resultado só não foi pior porque Christian Rasmussen abandonou e Nolan Siegel acertou Romain Grosejan, fazendo com que Mick terminasse em 22°.

Schumacher tem, sim, dificuldades para se ajustar à Indy, principalmente por conta dos muitos detalhes técnicos. Os pneus são muito diferentes, o carro não tem tanta carga aerodinâmica e a direção é bem mais pesada. Fora os ovais, que são uma pedra no sapato de quem vem da Europa.
Tendo como exemplo outro ex-F1 no grid atual, Grosjean estreou na Dale Coyne e conquistou três pódios e uma pole, e se transferiu à Andretti no ano seguinte. Com um equipamento melhor, oscilou bastante — com mais baixos do que altos — e não foi além do 13° lugar no campeonato nas duas temporadas com o #28. A situação não mudou com a Juncos no ano seguinte e o francês perdeu uma vaga no grid de 2025, tornando-se reserva da Prema e só voltaria a guiar novamente pela Dale Coyne neste ano.
Também há o caso de Marcus Ericsson, que depois de fazer algumas provas pela Arrow Schimdt, foi para a poderosa Ganassi logo depois. Ainda assim, teve dificuldades no primeiro ano e sequer subiu ao pódio com uma das equipes de ponta. Foi só na segunda temporada que o sueco deslanchou, conquistando duas vitórias. Em 2022, chegou a vencer as 500 Milhas de Indianápolis e venceu o GP de St. Pete no ano seguinte. Depois disso, voltou a oscilar e só conquistou um pódio desde que se transferiu à Andretti.
Mick também enfrenta problemas na chegada à Indy, ainda mais com um time que não é tão competitivo regularmente. Os resultados estão longe de impressionar, mas não há motivo para pânico, especialmente com o tempo a favor: o alemão tem 26 anos e uma carreira toda pela frente. Por outro lado, as particularidades da categoria não devem ser subestimadas.
Depois de três semanas com corridas em sequência, a Indy retorna apenas no fim do mês, entre os dias 27 e 29 de março, com o GP do Alabama, no Barber Motorsports Park.
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