Diário de Goiânia #5: histórias e pedras varridas para debaixo do tapete

Tudo parecia finalmente transcorrer bem, até que o evento principal da MotoGP virou uma sprint anabolizada pelos problemas no asfalto em Goiânia. Entre os problemas, houve espaço para emoções e alegrias

Depois de um sábado para lá de caótico, o único desejo do domingo em Goiânia era a paz. Que tudo corresse de forma tranquila. E de início, foi bastante assim, mesmo chegando ao autódromo mais cedo do que o desejado para acompanhar a classificação da gloriosa Moto2, que ficou para a manhã após todos os imbróglios causados pelo famoso buraco.

Quando a ação começou de verdade, tivemos uma excelente corrida na Moto3. É claro que os acidentes da curva 4 foram assustadores ao ponto de até ter uma bandeira vermelha. Uma pena para David Almansa, que tinha tudo para sair com mais uma vitória e abrir vantagem no campeonato, mas um highside feio o jogou para fora da pista.

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Melhor para Máximo Quiles, que puxou um 1-2 com o companheiro de equipe Marco Morelli. Apesar de uma entrevista com enorme barulho por conta da Moto2, o espanhol admitiu, em tom de bom humor, que ficou bastante puto com a bandeira vermelha, mas saiu com uma vitória bem importante para quem deseja subir dois degraus a mais em comparação com 2025.

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Máximo Quiles (Foto: Gold & Goose/Red Bull Content Pool)

Quem também roubou a cena entre os novinhos foi Veda Pratama, que se tornou o primeiro indonésio a subir em um pódio na história do Mundial de Motovelocidade. Ainda é muito tímido e acanhado, mas há uma esperança de que o Sul da Ásia possa ter um grande piloto para chamar de seu no futuro.

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Pela Moto2, Daniel Holgado saiu com a vitória em uma prova mais monótona, derrotando o compatriota Daniel Muñoz, que chegou a fazer uma ameaça nas voltas finais, mas se contentou com o segundo lugar. Algo curioso é que Muñoz registrou o melhor resultado da carreira até aqui na categoria, o que levou o agente às lágrimas na sala de imprensa. Um momento de emoção para relembrarmos que muitos sonhos estão em jogo nesta modalidade.

Eis que veio a surpresa: faltando apenas cinco minutos para a largada da MotoGP, a direção de prova informa que a distância da corrida foi encurtada em 8 voltas. Basicamente, a corrida da classe rainha foi mais curta que a da Moto2. O motivo? Desgaste da pista. Após a prova, muitos pilotos alegaram que pedaços do asfalto se soltaram ainda nas voltas de reconhecimento. Vários saíram de hematomas, como o caso de Álex Rins, que ficou com um dedo inchado. O assessor de Toprak Razgatlioglu colocou as pedras que pararam na bota do turco na mesa durante a entrevista, enquanto Álex Márquez tinha uma bolota no braço.

Álex Rins com dedo roxo (Foto: Pedro Prado/Agência Warm Up)

Ter uma corrida de 30 minutos é a cereja do bolo de um fim de semana que estruturalmente passou longe do ideal. É claro que é a primeira vez que Goiânia recebe o Mundial em 36 anos, que a reforma teve pouquíssimo tempo para ser realizada e pistas como Mandalika já sofreram de algo semelhante, mas a realidade é que as coisas não foram o completo sucesso que alguns pregam. E há muito o que melhorar para o evento de 2027 ser “padrão MotoGP”. O de 2026, não foi.

Para além das críticas na estrutura, também é necessário falar sobre a postura da MotoGP, que basicamente tomou uma decisão drástica sem comunicar os pilotos, sem dar a oportunidade de vozes diferentes. E pior: matando a estratégia de pilotos que largavam do fundo e poderiam trocar para os pneus macios. Nomes como Pedro Acosta e Jorge Martín aprovaram a decisão de reduzir a prova por questões de segurança, mas não deixa de ser algo que precisa ser debatido com antecedência e com quem realmente precisa ser ouvido: os pilotos.

Asfalto de Goiânia ficou com buracos entre curvas 11 e 12 (Foto: Gabriel Carvalho/Grande Prêmio)

Na sprint com anabolizantes que vimos, só deu Aprilia. Marco Bezzecchi teve uma largada espetacular e marchou para a vitória com tranquilidade. São 4 vitórias consecutivas para o italiano, que hoje surge como o principal favorito ao título por conseguir carregar o bom momento de 2025 para o início de 2026. Segue como um personagem curioso que oscila entre o charme e o desejo de não ser carismático. Talvez seja a frieza necessária para um título.

Do outro lado da garagem, Jorge Martín subiu ao pódio pela primeira vez desde que chegou na Aprilia. A passagem do ‘Martinator’ pelo time é completamente conturbada e já está fadada ao fim de 2026, mas o que custa tentar? O espanhol foi, disparado, o mais alegre dos pilotos que foram ao pódio. Não conseguiu esconder a empolgação em nenhum momento. Com os resultados, ele é segundo no campeonato. É tão impossível assim de pensar em título?

A batalha mais legal do dia foi entre Fabio Di Giannantonio e Marc Márquez. Desta vez, o italiano deu o troco no multicampeão, saindo com o lugar final no pódio. Já são duas corridas sem pódio para o espanhol, que sai no prejuízo. A sorte é que vem Austin por aí, e vira a oportunidade de recuperação para o piloto da Ducati.

A MotoGP sai de Goiânia com a sensação que há muito a melhorar em 2027 e a necessidade de entregar um pouco a mais para o público, que saiu com gostinho de “quero mais” pela prova encurtada. Do meu lado, uma das experiências mais intensas que tive nos meus sete anos de GRANDE PRÊMIO. E espero voltar para contar outras histórias parecidas no futuro.

MotoGP volta a acelerar no próximo fim de semana, em Austin, com o GP das Américas, para a 3ª etapa da temporada 2026. Além da cobertura do Mundial de Motovelocidade ao longo de toda a temporada, o GRANDE PRÊMIO está IN LOCO em Goiânia para uma cobertura especial da etapa brasileira, com Gabriel CarvalhoKaio EstevesPedro Luis Cuenca e Pedro Prado.

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