Com novos recursos, Mercedes já põe pressão na Ferrari em treinos numa Sóchi que prevê guerra tática

A Mercedes exibiu em Sóchi o mesmo domínio apresentado por Lewis Hamilton em Singapura. A equipe se estabeleceu como mais rápida em uma forte dobradinha e já coloca pressão na Ferrari, que vive outro fim de semana crucial na F1, no que diz respeito à luta pelo título. E uma vez mais, os times devem se lançar em uma batalha tática para sair com a vitória da Rússia


Nos últimos anos, Lewis Hamilton vinha encontrando em Sóchi uma pista de difícil entendimento e performance. E isso se traduzia em um ponto fraco. No ano passado, por exemplo, jamais conseguiu ter o mesmo nível de desempenho de Valtteri Bottas e acabou aquela corrida fora do pódio, enquanto o finlandês venceu. Nesta sexta-feira, porém, o inglês, líder do campeonato, deu mais uma prova do crescimento de sua pilotagem nessa segunda fase de temporada e dominou o primeiro dia de treinos livres do GP da Rússia, reafirmando a superioridade já vista em Singapura. O britânico voou com os pneus hipermacios – os compostos mais velozes da etapa russa – e também se mostrou forte em ritmo de corrida. Ninguém foi melhor do que o #44 com os ultramacios (versão intermediária da Pirelli) em configuração de prova.
 
O desempenho revelou também uma enorme evolução técnica da Mercedes nesta metade final de campeonato, sendo a principal delas a solução para o superaquecimento de pneus traseiros. O time adotou um novo desenho para as rodas, além de dispositivos nos freios que são capazes de eliminar o calor excessivo e gerar um maior fluxo de ar.  Além disso, a equipe trouxe um novo design das asas traseiras e escape. Sem dúvida, um passo interessante e criativo na dura briga que enfrenta com a Ferrari, que também apareceu com novidades aerodinâmicas, especialmente na parte dianteira da SF70H.
Lewis Hamilton mostrou força em ritmo de corrida (Foto: AFP)

Assim sendo, Hamilton fechou o dia com a marca de 1min33s385 – apenas 0s191 da pole de Sebastian Vettel em 2017. Bottas se colocou a 0s199 do companheiro. O britânico soube trabalhar melhor com os três tipos de pneus e parece ter resolvido mesmo seus contratempos com o traçado russo. Além disso, não sofreu dos mesmos infortúnios que Bottas com relação ao desgaste dos pneus e foi sempre o mais veloz. 

 
Quando chegou o momento da simulação de corrida, a Mercedes seguiu um mesmo padrão com seus dois pilotos: ou seja, começou o stint com os ultramacios e depois passou para os hipermacios. Com os primeiros, Hamilton foi consistentemente veloz, andando em 1min38s, 1min39s. Mas foi Bottas quem trabalhou com o carro mais pesado em cima do hipermacio, simulando a primeira parte da corrida. E o resultado não chegou a ser brilhante, mas acena menos problemático para os alemães, principalmente pela notória dificuldade que enfrentam com esse tipo de pneu. 
 
Quem mais se aproximou dos carros prateados foi a Red Bull. Apesar da performance interessante, lamentavelmente os taurinos estão fora da disputa por conta das punições que vão ter de cumprir por troca das peças do motor. Dessa forma, a luta pela pole vai se resumir mesmo a Hamilton e Sebastian Vettel. A corrida, porém, será outra história. Uma vez que a equipe austríaca fez bom uso dos pneus menos macios.
 
A Ferrari, por usa vez, viveu uma sexta-feira mais discreta. Vettel relatou problemas com os pneus, especialmente o dianteiro esquerdo e com os compostos ultramacios. O alemão entende que ainda há muito o que fazer em termos de gestão de pneus neste fim de semana, e isso será crucial para a tática de corrida. Seb também não teve sorte no momento de ir à pista hoje para a avaliação do ritmo de prova. O ferrarista pegou trânsito em seu stint, e isso comprometeu o trabalho neste ponto da sessão. Ainda assim, o tetracampeão se recuperou e pode treinar o desempenho de domingo. E neste modo, esteve muito perto da performance de Hamilton.
 
Diferentemente da Mercedes, a equipe italiana decidiu trabalhar de forma separada com os dois pilotos, de modo que conseguir cobrir stints com os três tipos de pneus. Enquanto Vettel se preocupou mais com o desempenho dos ultramacios, Räikkönen andou mais com os macios e obteve boas marcas, sendo o mais rápido com esse composto.
Sebastian Vettel (Foto: AFP)
A questão maior durante o TL2 foi o tráfego intenso na meia hora final e que acabou por mascarar alguns resultados, Ferrari inclusa. Neste momento, a Mercedes tem um carro mais rápido em uma única volta e mais consistente em ritmo de corrida. Mas a Ferrari não está longe, embora já sinta pressão. E sabe que vai ter de fazer um pouco mais neste fim de semana para alcançar a primeira fila, que parece ser o que vai determinar mesmo a vitória, além da estratégia.

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