Coluna Apex, por Andre Jung: Caiu no colo
Sebastian Vettel não perdeu por algum problema técnico ou de estratégia, ele deu de presente a vitória ao rival num erro infantil para um piloto de sua estirpe. Ok, a pista estava muito complicada naquela condição, mas isso não desculpa o tamanho do vacilo, amplificado pela baixa velocidade em que toda a sequência de sua escapada se deu
Algumas colunas atrás mencionei que, diante do desempenho da Ferrari e da aparente melhora emocional de Vettel, entendia que ele era o favorito ao título de 2018. Depois do desastre no GP doméstico, tendo a retirar o "favorito".
Ainda sem nenhuma vitória em Hockenheim, o alemão pode encerrar a carreira sem esse feito no curriculum. O tradicional autódromo – mutilado pela modernidade – está renunciando a receber o GP da Alemanha, insatisfeito com os prejuízos financeiros que a operação tem causado.
Esse ano, 160.000 espectadores estiveram lá nos três dias do evento, significativamente mais do que os 100.000 que estiveram na edição anterior, mas ainda insuficiente para equilibrar as contas. Para comparar, Silverstone, duas semanas antes, levou 360.000 pessoas nos três dias.

(Ilustração: Marta Oliveira)
Em sua despedida, Hockenheim proporcionou uma corrida muito interessante, cheia de variáveis e que culminou com a improvável vitória de Lewis Hamilton. Para tanto, contribuiu a chuva fraca que inundou as equipes de incertezas e abriu caminho para o Mercedes #44.
Largando de trás, Hamilton fez uma corrida impecável e, em condições normais, poderia ter chegado num honroso quarto lugar, mas a chuva lavou sua alma e, depois de ver seu antagonista vencer em sua Inglaterra natal, deu o troco, com sobras.
O pior de tudo é que Vettel não perdeu por algum problema técnico ou de estratégia, ele deu de presente a vitória ao rival num erro infantil para um piloto de sua estirpe. Ok, a pista estava muito complicada naquela condição, mas isso não desculpa o tamanho do vacilo, amplificado pela baixa velocidade em que toda a sequência de sua escapada se deu.
A surpresa com o erro grosjeânico de Vettel e a vitória de Hamilton não foram as únicas, uma vez que, numa corrida cheia de riscos, Romain Grosjean, o próprio, conseguiu chegar em sexto lugar!
A lamentar a situação da Renault, que não consegue diminuir a distância que separa a potência de seus motores de Ferrari e Mercedes. Nesse ponto, a Ferrari evoluiu muito e, hoje, a maioria dos analistas concorda que os melhores motores no grid falam italiano.
Ricciardo prometia uma boa corrida e sua estratégia funcionava perfeitamente até que seu motor o deixou na mão, logo ele que largara da última fila, punido por trocas antecipadas de componentes da unidade de potência.
Mesmo com a grande incerteza que ainda reina, a opção da Red Bull pelos motores Honda para 2019/20 fica melhor na foto depois de episódios assim.
Enquanto isso…
… Lawrence Stroll já chamou a Lusitana e prepara a mudança da família para o box cor de rosa…
… é Sérgio Perez quem deve sair para dar lugar ao filho pródigo, Ocon é piloto Mercedes e esse é o lugar que ainda resta para ele…
… um alento para o veloz mexicano é que Sauber e Haas evoluíram bastante e hoje são duas possibilidades concretas para uma continuação competitiva de sua carreira na categoria…
… um duro golpe sofre a Ferrari com súbita perda de Sergio Marchionne.
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