Opinião GP: Termas de Río Hondo abraça MotoGP e comprova paixão argentina por esporte a motor
A cidade de Termas de Río Hondo respirou MotoGP por quase uma semana e mostrou toda a paixão e o entusiasmos dos argentinos pelo esporte a motor. A estrutura da cidade ainda carece de melhorias, mas o sucesso desta primeira edição já vale o investimento
A PEQUENA E TURÍSTICA Termas de Río Hondo foi tomada neste final de semana. A estação termal, localizada na província de Santiago del Estero, ao norte da Argentina, recebeu o Mundial de Motovelocidade de forma simples e encantadora, mas a impressão que fica é que nem mesmo o mais otimista dos promotores esperava tamanha movimentação de torcedores. E até mesmo os pilotos se mostraram surpresos com a grande presença dos fãs nos três dias do evento.
O gosto do argentino pelo automobilismo é reconhecidamente notório. Portanto, não chega a ser uma surpresa que a corrida tenha tido um público muito bom nesta primeira edição. Mas o que parece ser mais importante é que a vinda do Mundial colocou a cidade e essa região particular da Argentina no mapa. Embora seja naturalmente um lugar para o turismo, a cidade e os arredores ainda não estão 100% preparados para receber tanta gente.
Falta estrutura. Estrutura não para a corrida em si, mas para quem ganha a vida por aqui. Termas vive de turismo, mas a população tem de deixar a cidade durante o verão para buscar meios de sobrevivência. Os problemas locais, entretanto, não diminuíram o zelo com a preparação da prova. Termas e as cidades vizinhas, como Santiago Del Estero e San Miguel de Tucumán, ganharam cartazes de divulgação e nos hotéis era possível encontrar folhetos com informações sobre a corrida.

A questão do dinheiro, aliás, também chama a atenção. Mesmo com o real valendo praticamente o triplo do peso, a Argentina é um país com um custo de vida muito alto. Uma simples garrafa de refrigerante, daquelas de 500ml, pode custar entre 12 e 25 pesos, por exemplo. Um sanduíche não sai por menos de 40 pesos. As dificuldades, no entanto, não superam o lado positivo.
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Com o clima típico de cidade do interior, os turistas e pilotos foram recebidos com carinho pela população, que tratava todos com delicadeza e atenção. Os pilotos, aliás, tiveram de rebolar para se locomover, seja na pista, seja na cidade. Evidentemente, Valentino Rossi foi o cara mais ‘procurado’. Simplesmente, o italiano não conseguia andar, foi cercado em um restaurante e era seguido no paddock onde quer que fosse. Nas arquibancadas, o #46 era de longe o número que mais aparecia em bonés, bandeiras e faixas.
O jovem campeão Marc Márquez também precisou driblar o assédio. Segundo relato de uma torcedora brasileira, o espanhol foi pego desprevenido por uma fã mais empolgada e acabou beijado. O amor estava por toda a parte.

Márquez, por sua vez, também atendeu os torcedores, ainda que fosse difícil encontrá-lo entre tantas pessoas, pôsteres, camisetas e capacetes. Jorge Lorenzo, Álvaro Bautista, Stefan Bradl, Nicky Hayden, Scott Redding… Todos, sem exceção, dedicaram parte do tempo aos torcedores que compareceram ao circuito. E a impressão de todos foi a de que o paddock argentino teve muito do ambiente que se vê na Itália, com os fãs mais apaixonados do esporte.
Como única prova na América Latina, o GP da Argentina reuniu torcedores de todas as partes, inclusive brasileiros, que compareceram em peso ao traçado reformulado pelo italiano Jarno Zaffelli, e mostrou que a região tem uma torcida apaixonada e vibrante, carente de MotoGP. Que fique a lição para os países vizinhos.
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