Opinião GP: com Rossi preparando adeus, Márquez chega ao título e inicia nova era na MotoGP

Enquanto Valentino Rossi pondera sobre sua permanência na MotoGP, Marc Márquez surge para iniciar nova era na classe rainha do Mundial de Motovelocidade. Em grande fase, Jorge Lorenzo se coloca como grande desafiador do novo rei do pedaço




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Marc Márquez é o novo rei da MotoGP. Aos 20 anos, o espanhol resistiu à pressão de Jorge Lorenzo e, com grande maturidade e lutando contra seus próprios instintos, optou por uma prova segura em Valência, colocando seu nome na torre dos campeões do Mundial.
 
Com uma carreira marcada pela precocidade, o título de Márquez veio repleto de recordes menores, que o colocam como mais jovem pole, vencedor de uma corrida e campeão mundial. Além disso, Marc entra para uma seleta lista de pilotos que conquistaram títulos em três categorias do mundial. Esta relação, aliás, tem apenas outros três pilotos: Mike Hailwood, Phil Read e Valentino Rossi.
Márquez conquistou três títulos nos últimos quatro anos (Foto:GEPA pictures/Gold & Goose/Gareth Harford)
Márquez destrói recorde de Spencer e é mais jovem campeão da MotoGP

“O que dizer de um garoto de 20 anos que ganhou a Moto3, a Moto2 e, na temporada de estreia na MotoGP, levou também a categoria rainha?”, questionou Flavio Gomes, diretor da Agência WARM UP e do GRANDE PRÊMIO. “Que é um rei, o novo rei das duas rodas, repetindo um feito de Kenny Roberts, em 1978, o último estreante a ganhar o campeonato da série principal do Mundial de Motos, quando ainda corridam as 500cc”, completou.
 
Com três mundiais em quatro anos, Marc se apresenta como o novo rei do pedaço, mas, ao contrário de outros monarcas, o piloto de Cervera obedece a um único mandamento: ignorar o limite. Seu estilo inconformista de pilotagem lhe rendeu algumas duras críticas, especialmente após um toque com Lorenzo em Jerez de la Frontera e um incidente com Dani Pedrosa em Aragão. 
 
Ainda impactados pela morte de Marco Simoncelli, Lorenzo e Pedrosa reagiram com um misto de irritação e temor. A dupla espanhola acredita que Marc tem de aprender a não rodar sempre no limite, mas o agora campeão se sente mais seguro na corda bamba. 
 
Na temporada 2013, Lorenzo e Pedrosa não foram páreos para o ímpeto de Marc, mas agora, passada a irritação com o estilo de pilotagem do estreante, Jorge reconhece que a presença de Márquez os forçou a serem pilotos melhores.
 
Os dois experientes espanhóis, aliás, trabalharam bem para segurar o novato – especialmente Lorenzo –, mas lesões sofridas na parte intermediária da temporada acabaram por ajudar Marc a ganhar terreno.
 
As melhores imagens da carreira de Marc Márquez
Lorenzo aparece como principal rival de Márquez nesta nova fase da MotoGP (Foto: Getty Images)
O bicampeão da Yamaha foi heroico em 2013. Jorge fraturou a clavícula esquerda em um forte acidente no primeiro dia de treinos livres para o GP da Holanda, correu de volta para a Espanha, operou e, cerca de 30 horas depois da cirurgia, estava na pista para brigar pelo quinto lugar.
 
Na etapa seguinte, um novo revés atingiu o piloto de Palma de Mallorca, que costuma sofrer poucas quedas ao longo da temporada. Um tombo em Sachsenring entortou a placa de titânio que havia sido colocada para estabilizar a fratura sofrida em Assen e ele teve de ser submetido a uma nova cirurgia, perdendo a etapa alemã.
 
A prova da Alemanha, aliás, fez outra vítima no dia seguinte. No segundo dia de treinos, foi a vez de Pedrosa se acidentar e, por conta do forte golpe que sofreu na cabeça, o piloto da Honda de número 26 foi barrado pelos médicos. Além disso, Dani também teve uma fratura na clavícula, o que limitou seu desempenho em algumas etapas.
 
Os revezes de Lorenzo e Pedrosa, entretanto, não podem ser apontados como causas para o título de Márquez. O estreante esteve no pódio em 16 das 18 etapas disputadas em 2013. As exceções foram Mugello – quando abandonou após um acidente – e Phillip Island – quando um erro da Honda resultou em sua desclassificação. 
 
A prova australiana serviu para recolocar Lorenzo na briga pelo título, já que em um único dia o campeão de 2010 e 2012 pôde recortar mais da metade da vantagem de Márquez. O jovem de Cervera, por sua vez, não se deixou abater e, de forma inteligente, soube controlar sua vantagem até o fim do Mundial.
Com Rossi preparando retirada, Márquez aparece como substituto ideal do carismático italiano (Foto: Yamaha)
O talento e a personalidade de Márquez também lhe garantiram a fama de sucessor de Rossi, especialmente no momento que o multicampeão começa a pensar em sua retirada.
 
Mesmo de volta à Yamaha, seu grande amor e ponto de referência, Valentino não conseguiu exibir a mesma performance dos áureos tempos e acompanhar o ritmo de Márquez, Lorenzo e Pedrosa ao longo da temporada. 
 
Na última semana, Rossi surpreendeu ao anunciar a substituição de Jeremy Burgess no posto de chefe de seu time, rompendo uma parceria que já durava 14 anos. Em entrevista coletiva, o australiano admitiu sua surpresa com a decisão do piloto, mas afirmou que é mais uma tentativa de tentar recolocar o italiano na briga pela ponta da MotoGP.
 
Valentino, entretanto, deixou claro que seu desempenho nas primeiras corridas de 2014 terá um peso decisivo em sua continuidade no Mundial. Apesar de um histórico excelente com a casa de Iwata, Rossi afirmou que tem de merecer sua vaga e, por isso, vai analisar seu próprio desempenho antes de se comprometer com um novo contrato com os nipônicos – o atual termina no proximo ano.
 
Perto do que pode ser a aposentadoria de um dos maiores ídolos da história da MotoGP, Márquez surge como uma nova esperança para a Dorna, a promotora do Mundial, de manter o interesse do público. Embora não tenha o mesmo tipo de carisma do multicampeão, Marc é um menino de jeito simples, simpático, atencioso com os fãs e um bom garoto-propaganda.
 
“Marc Márquez lembra muito Valentino Rossi no início de carreira”, destaca Felipe Giacomelli, editor da REVISTA WARM UP. “É aquele garoto que chegou após fazer história das categorias menores da Motovelocidade, não se importou com os veteranos e ganhou tudo desde o início. Tudo isso, também com direito a muito carisma”, completa. 
 
O título do último domingo marcou o início de uma era e a luta pelo bicampeonato começa já nesta segunda-feira, com a primeira bateria de testes da pré-temporada 2014. “O menino está fazendo história, como se diz, e é legal ver a história sendo escrita”, encerrou Flavio Gomes.
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